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A irmã perdida, grande amiga ou nova inimiga?

[tempo de leitura: 3 minutos]

“Sangue e Água”, série sul-africana, é uma grata surpresa da Netflix que aborda os mistérios de high school de forma dinâmica e tensa.


RRepresentatividade importa e a Netflix está provando isso muito bem. De séries de high school estadunidense o mundo está cheio. Élite e Baby vieram com produções espanhola e italiana, respectivamente. Mas é claro que não é o suficiente. Para ampliar mais os horizontes, a plataforma lançou Sangue e Água, um seriado de origem sul-africano que se passa na Cidade do Cabo. É o segundo original da plataforma feito na África do Sul, vindo após de Queen Sono, estreado em fevereiro de 2020.

A trama tem como protagonista Puleng Khumalo (Ama Qamata), uma jovem cuja família vive focada no sequestro da filha primogênita, levada logo quando nasceu. Durante uma festa, Puleng conhece Fikile “Fiks” Bhele (Khosi Ngema), uma garota que nasceu no mesmo dia que sua irmã. A pulga atrás da orelha surge quando o jovem Wade Daniels (Dillon Windvogel) diz, durante uma festa, que ambas são parecidas. Para salvar sua família do sufoco e, principalmente, inocentar seu pai que é um dos suspeitos do sequestro, Puleng vai para o colégio Parkhurst, onde sua possível irmã estuda, começando uma grande investigação.

Sangue e Água conta com seis episódios muito dinâmicos e com leves pistas sobre a relação entre Fiks e a Khumalo perdida. Ainda que Puleng tente se aproximar de maneira amistosa da possível irmã, a relação entre as duas fica bem abalada logo no início, quando uma matéria maldosa sobre Bhele é publicada na revista da escola erroneamente sob a autoria da protagonista. A partir disso, as duas começam a trocar farpas e uma começa a prejudicar a outra expondo segredos, afastando Puleng do objetivo principal. Apesar do relacionamento das duas não ser a foco da produção, as intrigas são muito interessantes e fazem com que os episódios tenham novas histórias e o público tenha o que esperar.

Para completar a trama adolescente do jeito certo, a série também conta com formação de casais, criando narrativas paralelas e que vão se encaixando no todo. Apesar de acontecer de forma rápida, pelo tamanho de Sangue e Água, a evolução dos personagens e suas relações é bem construída e segue num contexto que se une às outras peças do quebra-cabeça do roteiro.

Num novo ambiente e instigada tanto pela investigação quanto pela presença de Fiks, que é a queridinha da escola, Puleng tem um grande amadurecimento. Ela se mostra mais corajosa, determinada e tem comportamentos bem diferentes da sua versão na outra escola. Apesar da sua motivação inicial, ela consegue sair da sombra da irmã perdida e faz seu próprio jogo.

Como a maioria das séries de suspense, os fatos parecem estar na cara dos personagens, mas é o público que percebe tudo antes e fica desesperado para que novas informações surjam. Por mais que a relação entre Fiks e o sequestro pareça óbvio, sabemos que no desenrolar do seriado não é bem assim e a investigação precisa ir mais a fundo para que Puleng consiga descobrir tudo. Se não demorasse um pouco, não teria graça, certo?

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O último episódio termina num momento crucial, quando o espectador prende a respiração e quer logo saber o que vai acontecer em seguida. Esse gancho deixado para a aflição de quem assistir, torna a não-confirmação de uma segunda temporada pela Netflix em mais uma motivo para ansiedade. Resta, então, cruzar os dedos para que a história de Sangue e Água tenha um fim.

Deborah Almeida

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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