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A jornada musical de “Sandy & Junior”

[tempo de leitura: 5 minutos]

“Sandy & Junior: A História”, série documental disponível no Globoplay, destrincha e celebra a história da dupla de forma inédita.


UUm dos maiores fenômenos da música pop brasileira, Sandy e Junior seguem colhendo os frutos de um revival extremamente bem sucedido. Após a turnê comemorativa Nossa História, os irmãos agora aquecem o coração dos fãs com Sandy & Junior: A História, uma série documental exclusiva no Globoplay, além do lançamento do aguardado DVD e do álbum ao vivo, Sandy & Junior: Nossa História, ambos gravados durante os shows do ano passado.

Sandy & Junior surgiu no final da década de 1980, ocupando um espaço no imaginário popular deixado pela Turma do Balão Mágico, encerrada em 1986. A dupla começou a carreira no palco do Som Brasil, programa apresentado por Lima Duarte, ao som de Maria Chiquinha. O que era para ser uma simples participação dos filhos de Xororó, um dos maiores nomes do sertanejo da época ao lado de Chitãozinho, se tornou o marco inicial de uma carreira sólida.

 

A História

Sandy e Junior: A História está dividida em sete episódios e traz uma abordagem nova sobre a carreira da dupla. Aqui, a história é contada por eles mesmos, do início ao fim. A série também realça Xororó e Noely como protagonistas dessa história: a visão deles favorece a narrativa, ao lançar luz sobre interpretações que somente eles, enquanto pais, conseguem enxergar e humaniza (ainda mais) a narrativa.

A série é riquíssima em material de arquivo caseiro da infância, muitos deles filmados pela própria Noely. Bastidores de turnês e de programas de TV, making-off de clipes e do filme Acquaria, depoimentos de amigos da época do seriado e da novela Estrela Guia… Está tudo lá, graças ao diretor Douglas Aguillar – o Mau, do seriado Sandy & Junior, da Rede Globo. Essa é sua primeira vez frente a um projeto documental, mas ele também assina outros projetos solo de Sandy, como os álbuns Manuscrito e Nós, VOZ, Eles.

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Amigo pessoal da família, Aguillar demonstra exímio domínio do material. A linguagem adotada, contudo, faz com que Sandy e Junior: A História pareça uma longa reportagem de 8h de duração. Se por um lado supre a necessidade dos fãs de conhecer a história por um ponto de vista mais pessoal da dupla, por outro falta profundidade em alguns momentos – como quando toca na questão da mídia tratar Junior como o bom moço, eternamente à sombra da irmã. O documentário falha em explorar essa questão e não é por desconforto do músico em falar sobre o assunto.

 

“Eu tive que aprender a passar por cima do que eu realmente queria ou pensava, para poder ‘ser aprovado’. (…) Fui fazer uma parada chamada rolfing, uma terapia que faz umas liberações musculares e uma manipulação para você trabalhar o seu corpo, mas que envolve uma certa psicologia junto. Em uma das sessões, [o massagista] estava massageando e às vezes apertava, e eu não falava que estava doendo. Aí ele falou: ‘você tá ligado que pode falar pra mim que dói que eu vou gostar de você assim mesmo, né? Se você falar que está doendo, você não está me desagradando’. Foi um turning point na minha vida”.

JUNIOR, EM ENTREVISTA PARA A TV FOLHA, EM JUNHO DE 2017.

 

Ao mesmo tempo, é interessante ver o posicionamento de Sandy sobre essa questão. Em um dos episódios, ela ressalta o quanto a turnê comemorativa coloca Junior em um patamar de igual para igual com ela, em questão de repercussão midiática. “A justiça foi feita”, diz. Quem esteve ou assistiu ao show de Nossa História percebeu isso. Não apenas pelo solo de bateria do irmão, mas também presença de palco do cantor durante a turnê, muito maior nas canções e até mesmo na hora de dançar.

 

BEATLEMANIA

O documentário é muito bem sucedido em demonstrar Sandy & Junior como super estrelas do pop brasileiro, bem como os primeiros a experimentar a beatlemania por aqui (termo cunhado para descrever o intenso frenesi de fãs, sobretudo adolescentes, e o forte interesse da mídia, fenômeno que começou com The Beatles). Seja no início dos anos 2000, o auge da dupla, seja no fim dos anos 2010, ao comemorar 30 anos de carreira, os fãs acompanharam os dois de forma sempre muito passional. Se restam dúvidas sobre isso, basta lembrar que os ingressos da turnê comemorativa esgotaram em poucos minutos, na maioria das cidades por onde eles passaram.

 

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Esse assédio constante dos fãs e da mídia permeia todo o documentário. Mas é algo tão forte na carreira da dupla que Sandy e Junior: A História dedica um episódio inteiro só para tratar dos boatos que cercaram os dois ao longo desses anos. Sandy como a eterna virgem, Junior na banheira de miojo. Sandy desolada em Paris, Junior preferindo mulheres mais velhas. Sandy ditadora nos bastidores do seriado, Junior gay…

O maior desafio foi, sem dúvida, crescer diante de tantos olhares, de um público tão grande, de tanta curiosidade e especulações. Crescer já não é fácil por si só; sair da infância pra adolescência, da adolescência pra fase adulta. Então, crescer diante de tanta gente e com tantas expectativas, isso torna o desafio ainda maior, mais difícil de atravessar e lidar”, declarou Sandy em entrevista ao portal Globo. Não espere, portanto, ver o rosto de Theo, o filho da cantora com Lucas Lima. Até mesmo Otto, filho de Junior e Mônica Benini, só é visto de longe ou de costas. Os irmãos tomam todos os cuidados possíveis para que seus filhos cresçam longe de todo esse assédio.

PASSANDO A LIMPO
Sandy & Junior tem 30 anos de carreira que lhes renderam 17 álbuns, sete DVDS, e 10 turnês. Ao todo, são mais de 200 músicas, participação em mais de 500 programas e dois mil shows ao longo dos anos. Ainda, eles já venderam mais 17 milhões de discos vendidos, possuem 20 discos de Ouro, 28 discos de Platina e oito discos de Diamante. E não podemos esquecer da (uma) indicação ao Grammy Latino.

 

O Solo e o Pós

Sandy e Junior: A História também tem o mérito de sintetizar o que aconteceu com cada um após a separação. Embora com muito menos buzz que antes, a mídia e parte dos fãs seguiram acompanhando Sandy, que lançou sozinha três álbuns de estúdio, dois álbuns ao vivo e dois EPs. Enquanto isso, Junior mergulhou em vários projetos diferentes, um seguido do outro, indo de uma banda de soul-rock a um duo eletrônico. Essa pulverização pode explicar a cobertura menos intensa que ele recebeu. Ainda assim, seria interessante saber mais sobre o projeto dele no canal Pipocando Música, já que o público mais jovem o conhece de lá – mas a série escolhe deixar o lado youtuber de Junior de fora.

Os dois últimos episódios são dedicados exclusivamente à turnê mais recente. Esse epílogo de Sandy & Junior, que nunca esteve programado, só foi possível graças à insistência de Xororó. Embora rejeitassem há anos, os irmãos perceberam que essa comemoração de 30 anos de carreira poderia acontecer de forma muito mais calorosa se fosse um reencontro com seus fãs, ainda muito dedicados, mesmo 12 anos após o fim da dupla.

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Ao concordarem com a proposta, eles se voltaram a lembranças há muito esquecidas, quase que de forma terapêutica. Resta ver como Sandy & Junior: Nossa História vai impactar nas carreiras solo de cada um. Certamente os próximos lançamentos, de ambos os irmãos, voltarão a ser acompanhados com muito interesse do público.

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