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O roubo de um museu e suas investigações labirínticas

[tempo de leitura: 4 minutos]

Apesar de inconsistente e pouco inventivo, “O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos” é certeiro em dar vida a um mundo atrativo de mistérios.


GGrandes roubos são recorrentes como trama central de filmes e séries. Os planos dos criminosos despertam a curiosidade do público, geralmente persuadidos para saber como os agentes do roubo escaparão das investigações policiais. Esse apelo para ver o que acontecerá em seguida, muitas vezes unido com a empatia pelos criminosos – quem é que nunca se viu torcendo pelo vilão? – que garantiu os sucessos das séries Bonnie & Clyde (2013) e La Casa de Papel (2017) e dos filmes Como Roubar Um Milhão de Dólares (1966), Crown, O Magnífico (1968) e Truque de Mestre (2013).

Entretanto, apesar de instigar a atenção dos espectadores, principalmente pela excentricidade de cada crime, sabemos que essas histórias são ficcionais ou baseadas em fatos reais com detalhes fantasiosos. Mas, e se tudo contado sobre um grande crime for verdadeiro?

 

O Roubo

Em formato de minissérie documental com quatro episódios, a Netflix lançou O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos, que retrata o roubo de 13 peças do Museu Isabella Stewart Gardner, localizado em Boston, em 1990. Apesar do título ser horrível (sério, Netflix, não tinha como pensar em algo um pouquinho melhor?), fiquei atraída pelo meu fascínio por crimes reais.

Gosto muito de acompanhar os processos de investigação, saber quais caminhos os detetives decidiram tomar, como surgiram os suspeitos e quais provas importantíssimas eles deixaram para trás. Eu justifico isso por ser escorpiana, mas se você não acredita em signos, pode falar que eu sou só curiosa ou doida, tudo bem.

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O fato que carrega O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos aconteceu na madrugada de 18 de março, quando dois homens vestidos de policiais chegaram ao museu alegando denúncias sobre perturbação no local. Mesmo sendo contra o protocolo de segurança, o guarda Richard Abath abriu a porta e logo foi feito de refém junto com o outro segurança que estava de plantão. Os ladrões ficaram durante 81 minutos no museu e levaram um valor estimado de meio bilhão de dólares em peças. Dos itens roubados, alguns eram extremamente valiosos, como a pintura Cristo na Tempestade do Mar da Galileia (1633) de Rembrandt.

Além das perdas artísticas, o que também chocou e causou indagações foi a execução do crime. As peças escolhidas, a forma como as pinturas foram retiradas das molduras e o tempo de permanência no local eram muito diferentes do padrão de roubos em museus que já haviam ocorrido antes (aparentemente isso é relativamente comum nos Estados Unidos). Como dois criminosos permanecem quase uma hora e meia no local do crime? Essa falta de pressa gerou muitas dúvidas entre os investigadores.

O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos intercala depoimentos de funcionários do museu, de membros da polícia e do FBI, jornalistas e outras pessoas envolvidas na situação, com vídeos e fotografias feitas antes e depois do crime e materiais jornalísticos. O espectador acompanha todos os passos da investigação, descobrindo possíveis suspeitos junto com a equipe e vendo os agentes caminhando em círculos.

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Em determinado momento, os detetives percebem que o crime era muito mais complexo do que parecia, e vários nomes de grandes mafiosos italianos e irlandeses surgem. Cada teoria era ligada ao nome de algum grande criminoso da época, e nesse momento a série vira uma grande bagunça. Para os investigadores, todos os nomes e relações entre os suspeitos possivelmente eram informações comuns.

Provavelmente uma parte do público também já está familiarizada com histórias de grandes crimes estadunidenses, mas não é um conhecimento geral. Ainda que os nomes venham com breves apresentações sobre cada um, tudo é muito rápido e é difícil assimilar quem é quem. Entendo que o diretor, Colin Barnicle, tinha muitas informações para colocar, mas não basta encher os episódios de dados sem que o espectador consiga acompanhar tudo e compreender a linha de raciocínio.

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Acredito que, para se aproximar da realidade e entregar tudo o que aconteceu, a série aborda todas as teorias, investigações e pesquisas dos agentes que, no final das contas, não tinham relação alguma com o crime. A história é sobre o roubo, não sobre todos os equívocos cometidos durante a apuração.

Entretanto, no final das contas, O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos é um programa bom para quem gosta do gênero e fica intrigado por todos esses mistérios que permeiam a sociedade.

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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