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Nove grandes decepções

[tempo de leitura: 3 minutos]

Promissor, “Nove Desconhecidos” parece não saber para onde vai, entregando ao público apenas mais uma série de enredo confuso.


DDepois de ter me apaixonado pela minissérie Big Little Lies, baseada no livro homônimo de Liane Moriarty, fiquei muito empolgada com a adaptação de outra obra da autora. Nove Desconhecidos já me atraiu de cara. Com David E. Kelley, criador de Big Little Lies, na equipe, e Nicole Kidman sendo protagonista, não tinha como dar errado. Mas deu. 

O enredo tem uma premissa intrigante. Marsha Dmitrichenko (Kidman), uma mulher de origem russa, é a dona de um resort spa chamado Tranquillum House. Nove hóspedes chegam para a estadia, pensando que seriam dias de descanso, mas logo percebem que os métodos de Marsha não são nada convencionais.

Cada visitante é escolhido a dedo pela fundadora, que tem como objetivo curar as pessoas e saber bem o que cada uma passou. Assim, nosso elenco é formado pela família Marconi, composta pelo casal Napoleon (Michael Shannon) e Heather (Asher Keddie) e a filha Zoe (Grace Van Patten), a escritora Francis Welty (Melissa McCarthy), o ex-jogador de futebol americano Tony Hogburn (Bobby Cannavale), o casal Ben (Melvin Gregg) e Jessica Chandler (Samara Weaving), o jornalista Lars Lee (Luke Evans), e Carmel Schneider (Regina Hall), que logo percebem que as férias não serão como imaginavam, mas aceitam continuar no retiro mesmo com toda a esquisitice que vai surgindo. 

Paralelamente, Marsha recebe sérias ameaças de um número anônimo, que aparentemente a está vigiando, e lida com conflitos com uma das funcionárias, Delilah (Tiffany Boone), que não concorda com seus métodos.

 

Nove Desconhecidos

Com base no trailer e no que é apresentado no primeiro capítulo, pensei que Nove Desconhecidos seria uma série de suspense, mas fiquei tão perdida no que estava acontecendo que não cheguei a ficar aflita ou ansiosa pelo desfecho. Vamos conhecendo melhor os hóspedes e Marsha por meio de flashbacks, mas a maioria das informações são irrelevantes. Ao meu ver, o mais curioso seria saber como a fundadora chegou onde está, pois ela afirma que morreu e teve uma nova chance de recomeço.

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Nesta nova versão, ela é quase um ser celestial. Com roupas claras, pele radiante e andar leve, ela traz discursos sobre liberdade, força e amor, mas de um jeito totalmente desconexo da realidade. Fiquei até na dúvida se ela de fato era humana. Como se não bastasse essa personagem bizarra, Kidman ainda traz um sotaque russo que varia entre forte, fraco e forçado e não traz nada de relevante para a história. 

Alguns personagens de Nove Desconhecidos são até interessantes, e a dinâmica entre eles garante boas cenas e risadas pontuais. Estando confinados no retiro, e com os métodos estranhos da Marsha, eles vão de 8 a 80 nas reações e têm explosões bem fortes e totalmente justificáveis pela situação.

 

Proposta Confusa

Enquanto Nove Desconhecidos se desenrola, fiquei na dúvida se o grande suspense seria o porquê de cada um deles ter sido escolhido, quem estaria ameaçando Marsha ou como ela virou essa coach de divindade. Mas quando tudo finalmente começa a acontecer, a produção da Amazon Prime Video acaba.

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Uma série de explicações, sendo algumas bem superficiais, são jogadas ao espectador, e nem dá tempo de entender toda a dimensão do enredo. Tive a sensação que Kelley e o outro criador, John-Henry Butterworth, ainda não tinham certeza de qual era a proposta da história e só foram decidir no último episódio. 

Para não dizer que fiz apenas críticas negativas, alguns pontos são interessantes. O desenrolar do arco dos Marconi é boa e me surpreendeu bastante. A relação entre Francis e Tony é bem divertida ao longo do desenvolvimento — arrisco em dizer que os dois foram os melhores personagens, chamando a atenção tanto como dupla quanto separadamente.

Também gosto como as ameaças à Marsha colocaram hóspedes e funcionários como possíveis suspeitos e traz um pouquinho de intriga para a trama, e a explicação de quem estava por trás é boa. Mas, com tantos eventos acontecendo simultaneamente, não há o destaque e desenvolvimento que este arco merecia.

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Nove Desconhecidos não é uma série ruim, mas não consegue cumprir bem o que se propõs a fazer. Na realidade, nem sei se ela se propõe a fazer algo.

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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