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O equilíbrio de informação e ficção em “Mundo Mistério”

[tempo de leitura: 4 minutos]

“Mundo Mistério”, estreia do Youtuber Felipe Castanhari na Netflix, lembra um “Mundo de Beakman” – só que moderno.


QQuando o youtuber Felipe Castanhari, do Canal Nostalgia, anunciou que teria sua própria série da Netflix, os fãs já começaram a criar grandes expectativas. E não é por menos: os vídeos do youtuber são conhecidos por oferecer conteúdos completos sobre diversos assuntos, com animações, vinhetas e recursos gráficos de invejar. Falando sobre vários temas, desde a série Chaves até a vida de Albert Einstein, o jovem paulista se consagrou no hall da fama dos youtubers brasileiros. Por isso, o sucesso da série Mundo Mistério, lançada no início do mês na gigante dos streaming, não foi nenhuma surpresa. 

A proposta da atração é trazer a cada episódio temas misteriosos, como o segredo por trás dos desaparecimentos no Triângulo das Bermudas e viagem no tempo. A ideia é discutir os temas de forma descontraída, explicando também os fatores científicos e históricos envolvidos. Essa premissa é muito parecida com o que é feito no Canal Nostalgia, mas de forma adaptada para se assemelhar mais a uma série.

Um ponto forte de Mundo Mistério é o formato do conteúdo, com equilíbrio entre o tom documental, que aborda aspectos mais técnicos, com a narrativa ficcional, acrescentando um ar mais leve e descontraído. Para isso, os personagens que compõem a trama foram fundamentais. Castanhari é um dos membros da equipe de um laboratório, que conta com a cientista Dra. Tay (Lilian Regina), o zelador das instalações, Betinho (Bruno Miranda), e a inteligência artificial, BRIGGS (com voz do dublador Guilherme Briggs). Este último merece destaque, uma vez que Briggs é um dos nomes mais renomados da dublagem brasileira, e entrega, como sempre, um trabalho impecável.

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Dra. Tay, Castanhari e Betinho

 

Ao longo do episódio, Castanhari detalha os temas, com auxílio da explicação da Dra. Tay e respondendo as dúvidas de Betinho. A história e as personalidades dos personagens não são aprofundadas, mas isso funciona bem para evitar que o propósito da informação seja ofuscado. Os personagens e seus diálogos funcionam mais como aliados para a construção da narrativa em alinhamento ao tema abordado.

 

NOSTALGIA X MUNDO MISTÉRIO

Assistir a interação dos personagens de Mundo Mistério torna o conteúdo mais fácil de assimilar. O Canal Nostalgia é marcado pela pessoalidade e descontração com que aborda assuntos variados, utilizando por vezes o humor e apoiado também no carisma de Castanhari. Assim como nos vídeos do Youtube, os tópicos são explicados de forma simples e fácil de entender por todos, apostando em momentos cômicos promovidos principalmente pelo zelador Betinho.

Outra semelhança é o cenário bem construído, que realmente parece um laboratório de última geração, com o bônus ainda dos efeitos especiais, ilustrações e tomadas externas. E quem pensou que a produção seria uma réplica dos vídeos do Youtube, com o apresentador sentado falando para a câmera, se enganou. As filmagens em locação são destaques que trazem profissionalismo à produção. Logo no primeiro episódio o Youtuber já aparece, por exemplo, em Bermudas.

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BRIGGS, no tablet no canto esquerdo, com Castanhari e Betinho

Enquanto o canal discute temas mais variados, focando principalmente em história, a série se direciona mais para o lado científico. Outra diferença é a preocupação com formas mais lúdicas de entender o conteúdo. E em Mundo Mistério, são apresentados também exemplos práticos, gráficos e demonstrações para ilustrar a teoria.

 

PÚBLICO E REFERÊNCIAS

A inspiração em filmes e séries dos anos 90 fica clara: é possível notar referências à famosa Mundo de Beakman, e até mesmo certas semelhanças entre os personagens, que, juntos, constroem o clima leve e divertido das duas produções. Outras possíveis referências são a série Arquivo X e até mesmo o caráter fantasioso de Mundo da Lua. Castanhari sempre compartilhou sua admiração por essas e outras produções da década, além da paixão pela ciência e pela história.

Mundo Mistério parece ter sido sua forma de homenagear e referenciar suas produções favoritas da época, dando-lhes um ar mais moderno. Por isso, a série é uma boa aposta entre o público jovem. O conteúdo é entregue de forma leve, faz rir, pensar e refletir. As informações são recebidas e o aprendizado acontece de forma natural, muito semelhante ao que propunha o Mundo de Beakman – que se tornou referência para jovens dos anos 90.

Apesar de ser uma série prazerosa e fácil de assistir, Castanhari erra ao colocar Os Mistérios do Triângulo das Bermudas como piloto. O episódio é bom, mas não é nem de longe um dos melhores e acaba não prendendo tanto o espectador. Por fim, o próprio episódio já revela que o segredo por trás dos desaparecimentos também não parece ser tão instigante, e que o mistério, na verdade, pode ser resolvido. O destaque vai para o terceiro episódio, Aprendendo a Viajar no Tempo, que deixa o espectador pensativo e ainda debate um tema que gera dúvidas e teorias da conspiração. 

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Um ponto a se considerar é o aprofundamento dos temas. Os oito episódios da primeira temporada contam com cerca de 25 minutos, em que diversos tópicos são abordados. Assuntos que geram dúvidas e interesse são citados, mas por vezes não são aprofundados, considerando-se também o tempo de duração dos capítulos. Episódios mais longos ou duplos permitiram a entrega de um conteúdo mais eficiente, que informe e solucione dúvidas. 

Por fim, Mundo Mistério parece caminhar na direção certa. O carisma e a forma de explicar de Castanhari são fundamentais para a produção, que traz elementos que agradaram os fãs do Canal Nostalgia e oferece novos atributos para conquistar o público que ainda não conhecia seu trabalho. O formato do programa atrai e entretém com naturalidade, aspecto que pode ainda ser mais desenvolvido em uma segunda temporada, conforme vemos a interação entre os personagens e assuntos novos. É um conteúdo que promete agradar os jovens e mostrar que produções brasileiras merecem destaque nos serviços de streaming. Do Youtube à Netflix, Castanhari continua desenvolvendo conteúdos surpreendentes. 

Sylvia Amorim

sylvia amorim

estudante de Jornalismo, ariana e apaixonada por Séries. ama escrever e é viciada em Rock e histórias de amor.

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