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“Lupin” e a sagacidade por trás de crimes engenhosos

[tempo de leitura: 3 minutos]

Sarcástica e bem-humorada, a primeira temporada de “Lupin” conquista o público com o carisma do protagonista e a engenhosa trama de roubos.


PPersonagens literários podem servir de inspiração para muitas coisas na vida. Alguns dão coragem, outros podem influenciar você a viajar ou até mostram o que não se deve fazer. Como leitora ávida, já me vi repetindo atitudes de diversos heróis literários, mas confesso que seguir orientações para crimes é algo que nunca vi acontecer.

Assane Diop (Omar Sy), por outro lado, tem Arsène Lupin, personagem criado pelo romancista Maurice Leblanc, como sua inspiração. Arsène Lupin é um ladrão muito esperto, com truques sofisticados e que está sempre um passo à frente da polícia, conseguindo driblar as investigações até nos momentos mais cruciais. E tendo Assane como referência que o protagonista de Lupin, série original da Netflix, leva a sua vida.

ELEMENTAR MEU CARO LUPIN
Maurice Leblanc é conhecido como a versão francesa de Sir Arthur Conan Doyle, criador do personagem Sherlock Holmes.

Sua motivação surgiu ao ganhar um exemplar de Ladrão de Casaca, de Leblanc, como último presente de seu pai, acusado injustamente de roubar um colar valioso do patrão. A história de Lupin incentiva Assane a tramar um elaborado plano para se vingar da família e limpar o nome de seu pai.

A primeira temporada é composta por cinco episódios, que revelam o passado do protagonista e tudo o que aconteceu até o momento atual da série. O envolvimento em roubos muito bem executados acompanha Assane há muitos anos e, até então, ele consegue sair ileso de tudo. Sua situação começa a mudar após o roubo do colar, quando um dos investigadores associa seus pseudônimos e modus operandi com o personagem Lupin. Por mais que ninguém da equipe policial leve sua ideia a sério, Youssefi Guedira (Soufiane Guerrab) se mantém firme na sua teoria.

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Omar Sy é cheio de carisma e consegue cativar o telespectador. O anti-herói domina todas as cenas e, mesmo que saibamos que ele vai conseguir se safar das encruzilhadas, é interessante perceber qual caminho ele usará para chegar nisso. Sua agilidade em tomar decisões e criatividade são impressionantes, e é impossível não torcer por ele.

Junto com a narrativa sobre os crimes de Assane, Lupin pincela em algumas questões sociais. A desigualdade social, racismo, corrupção, injustiça policial, dentre outros temas, aparecem ao longo dos episódios e complementam a trama.

Por mais que o protagonista seja um excelente planejador de roubos, a série mostra que sua vida pessoal e familiar não recebe a mesma atenção. Depois de muito tempo saindo ileso, Assane percebe que seu filho Raoul (Etan Simon) e a ex-esposa Claire (Ludivine Sagnier) podem ser diretamente afetados pelas suas escolhas.

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A produção francesa, além de prender minha atenção, também me fez ficar muito interessada nos livros para conhecer melhor o grande ídolo do protagonista. Viciante, emocionante e com muito sarcasmo, Lupin surpreende o público e faz jus ao alvoroço que os internautas estão fazendo para que a segunda temporada seja lançada logo.

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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