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Mais amor e spin-off no Simonverse

[tempo de leitura: 3 minutos]

“Love, Victor” expande o universo teen apresentado com o filme “Love, Simon”, agora em uma série também envolvente e emocionante.


DDepois de ler Com Amor, Simon e assistir à adaptação, é muito difícil de desapegar da história e não implorar para várias continuações. Felizmente, o desejo de muitos fãs foi atendido com o surgimento de Love, Victor – original do serviço de streaming Hulu (parte do conglomerado Disney).

Em formato de um seriado, Love, Victor é um spin-off que se passa na Creekwood High School, alguns anos depois da história original. Victor Salazar (Michael Cimino) e sua família mudam-se do Texas para a Geórgia e o protagonista vê isso como uma possibilidade de se descobrir melhor. Em sua antiga vida, tudo era muito tradicional e não havia nenhum espaço para o diferente – portanto, um novo ambiente poderia possibilitar ser uma nova pessoa. Seu interesse em se autodescobrir aumenta quando descobre a história de Simon (Nick Robinson), retratada no filme anterior.

Muito deslumbrado com todo o apoio da família e dos amigos de Simon, e até com certa inveja, ele manda uma mensagem para o jovem no Instagram, desabafando e contando sua história. Contudo, sem que ele espera, Simon responde e vira um grande confidente e conselheiro.

Ao longo dos episódios de Love, Victor, a vida de Victor vai se encaixando relativamente bem no novo ambiente. Ele começa a sair com Mia Brooks (Rachel Wilson), a garota mais bonita da escola; torna-se melhor amigo de Felix Westen (Anthony Turpel), seu vizinho e colega de classe; entra para o time de basquete da escola e consegue um emprego em uma cafeteria local. Contudo, ele começa a notar que, talvez, sinta mais atração por Benji Campbell (George Sear), seu colega de escola e de trabalho, do que por Mia.

Por mais que dentro do seu micro-universo, Victor diga que está tudo bem, ele sabe que não está e sente-se muito incomodado por conseguir ser sincero apenas com Simon. Além de ter que lidar com seus conflitos emocionais, a situação em sua casa está muito complicada por atritos entre seus pais e Pilar (Isabella Ferreira), sua irmã do meio. Na sua dinâmica familiar, Victor é o responsável por “consertar” tudo e fazer com que os problemas se ajeitem, e não está preparado para dar uma notícia que pode mudar tudo entre eles.

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Victor e Benji

Love, Victor, disponível pela Hulu apenas nos Estados Unidos e Japão, é uma série tão linda e encantadora quanto o filme Love, Simon. A história trata a sexualidade com muita delicadeza e sem estereótipos, ainda conseguindo encaixar um pouco do mundo Drag Queen. Por ter mais tempo, há um melhor desenvolvimento dos personagens e é possível criar empatia e compreender cada um deles.

A proposta da série é bem envolvente pois, ainda que se passe no Simonverse, não foi uma reprodução da vida de Simon. Ainda que Victor e Simon tenham mesmo jeito carismático e gentil, não possuem vivências ou histórias parecidas. Isso é muito significativo, pois não reduz a sexualidade e autodescobertas a somente um eixo ou formato – muito pelo contrário: cada um é de um jeito e não há certo nem errado. Além das vidas diferentes, há outra questão importante. Enquanto Simon é branco, Victor é descendente de colombianos, o que dá mais voz e representatividade a outros povos e culturas.

Outro ponto muito positivo da produção é colocar Simon como um grande conselheiro e ombro-amigo de Victor que era, até então, um grande desconhecido. Isso reforça a mensagem que a comunidade LGBTQIAP+ é uma grande família e um pode apoiar o outro sem necessariamente serem amigos. A forma como Simon acolhe Victor é muito encantadora e torna a série ainda mais deliciosa de assistir.

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Love, Victor foi criada por Isaac Aptaker e Elizabeth Berger, os roteiristas do filme de Simon, portanto, todas as semelhanças são propositais e o encaixe entre as duas é perfeito. Ao longo de 10 curtos episódios, com cerca de 30 minutos cada, é possível rir, chorar e criar muito carinho pelo protagonista. Paralelamente à trama principal, as histórias individuais dos outros personagens tomam uma boa forma e conseguem fluir bem. Uma das maiores mensagens que a série, já confirmada para a segunda temporada, passa é que ninguém é isento de problemas e cada um encara diversas dificuldades durante a vida, mas o contexto em que a pessoa vive não precisa definir, necessariamente, quem ela é.

Deborah Almeida

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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