O primeiro adeus às Telefonistas

O Primeiro Adeus às Telefonistas
[tempo de leitura: 3 minutos]

Na primeira metade da última temporada, “Las Chicas del Cable” perde sua essência e conta histórias desinteressantes e previsíveis.


Nota da Colab: este texto contém spoilers.

 

AApós o final bem triste da quarta temporada de Las Chicas del Cable (As Telefonistas), que partiu o coração dos fãs com a morte de uma das protagonistas, a última temporada chegou antes que estivéssemos prontos para dizer adeus. Talvez, por isso, a Netflix dividiu a temporada final em duas partes, para que ninguém sofresse muito de uma só vez.

A primeira parte, lançada dia 14 de fevereiro, contou com cinco episódios e se passa oito anos após a temporada anterior. Sofía (Denisse Peña), filha de Ángeles Vidal (Maggie Civantos), já crescida e morando em Nova York sob os cuidados de Lidia Aguilar (Blanca Suárez) e Francisco Gómez (Yon González), decide voltar à Espanha para lutar na Guerra Civil. Temendo pela vida da garota, Lidia também retorna e se une à Marga (Nadia de Santiago), Carlota (Ana Fernandéz) e Óscar (Ana Polvorosa) para tentar resgatar Sofía.

Todos os episódios giram em torno da Guerra Civil Espanhola e a busca por Sofía, saindo completamente da temática inicial. Parece que toda a questão de luta por direitos iguais e emancipação das mulheres foi deixada de lado. Assim, a quinta temporada segue arrastada, sem causar qualquer empolgação, e com situações e diálogos bem previsíveis.

Ainda que a Guerra Civil Espanhola possa vir a ser um tema interessante para uma série, esta não era a proposta inicial de Las Chicas del Cable. A companhia telefônica, que anteriormente foi o cenário principal, já quase não existe mais. Todos os personagens estão, de alguma maneira, envolvidos com o evento histórico, tornando impossível a criação de situações fora deste contexto.

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Além da mudança da temática, a produção espanhola não explica muito bem o que aconteceu com o elenco principal nos anos que se passaram entre a quarta e quinta temporadas. O que Lidia e Francisco fazem em Nova York? Como estaria o relacionamento dos dois? Óscar e Carlota, que ao final da quarta temporada pareciam estar tentando construir uma nova vida em outro lugar, retornam à Madri e trabalham junto com um jornalista americano, mas como isso aconteceu? Como está a vida profissional de Marga? Estas são apenas algumas perguntas que ficam sem resposta. No curso da série, o roteiro se mostra cheio de furos e não consegue responder perguntas que constantemente pairam no ar.

Os cinco episódios mostram, claramente, que o seriado já deveria ter sido finalizado. Mas não se pode, é claro, tirar seu valor. Las Chicas del Cable, no seu início, abordou pautas muito interessantes, como transexualidade, bissexualidade, violência doméstica, divórcio, aborto e desigualdades de gênero. Agora, ainda que tenha personagens fortes, traz episódios sem graça e que não condizem com as histórias da estreia.

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A segunda parte da última temporada de Las Chicas del Cable deve ser lançada ainda este ano, mas ainda não tem uma data definida. Esperamos que esses episódios finais não destruam ainda mais a série.

Deborah Almeida

deborah almeida

tem 20 anos, estudante de Jornalismo, feminista e praticante de yoga nas horas vagas. veio ao mundo para enaltecer as divas do Pop, escrever sobre as coisas loucas que passam pela sua cabeça e fazer origami.

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