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Passando por trocas  de showrunners a cada temporada, "Killing Eve" chega ao seu terceiro ano com mais comédia e menos complexidade.

Passando por trocas  de showrunners a cada temporada, “Killing Eve” chega ao seu terceiro ano com mais comédia e menos complexidade.


DDistante da rivalidade e obsessão que o público está acostumado, o grande sucesso da BBC America, Killing Eve, chega ao seu terceiro ano. O suspense protagonizado por Sandra Oh (Eve) e Jodie Comer (Villanelle) está em seu momento mais cômico, porém, não se aproxima das temporadas anteriores em questão de complexidade.

A troca de showrunner dessa vez é bem perceptível. Suzanne Heathcote (de Fear the Walking Dead) substitui Emerald Fennell e agora a atenção é voltada ao desenvolvimento psicológico dos personagens, enquanto, aos poucos, detalhes mais íntimos são revelados.

Ainda se recuperando do susto causado por Villanelle, Eve tenta recomeçar com o pouco que sobrou de uma vida normal. Seus dias são preenchidos pelo trabalho insatisfatório em um restaurante coreano em New Malden enquanto tenta se adaptar à vida civil. A morte de um personagem importante se torna um dos principais mistérios e é o que a leva de volta ao mundo das investigações. Apesar de começar Killing Eve com destaque, na segunda metade da temporada a personagem é deixada de lado, quase que esquecida.

Humanidade é a palavra que contempla as tramas. Konstantin (Kim Bodnia) está cansado da vida que leva e procura uma saída do seu trabalho e distância de tudo o que aquela realidade oferece. Carolyn (Fiona Shaw) tem que lidar com dramas familiares, incluindo a chegada de sua filha Geraldine (Gemma Whelan) com quem divide uma relação turbulenta. O encontro entre as duas rende diálogos bem construídos e repletos de provocações.

Eva e Carolyn

A ex-assassina Dasha (Harriet Walter) ganha destaque por querer mostrar que seus dias de glória não acabaram e ganhar o direito de retornar a sua terra natal, Rússia. Por conta das dispersões desses personagens, a investigação dos Doze fica confusa e mal resolvida – inclusive, a maioria das soluções que são entregues nessa temporada soam superficiais.

E finalmente, o maior acerto da terceira temporada de Killing Eve é Villanelle. A protagonista é obrigada a enfrentar o que ela mais teme: seus sentimentos e seu passado. Decidida a ser livre para poder fazer suas próprias escolhas, a assassina-em-série demonstra insatisfação em seu trabalho e almeja uma posição de liderança. Oksana retorna a Rússia para relembrar sua infância e visitar sua família, o que faz a personagem ganhar muito mais profundidade depois desse reencontro. O público é cada vez mais apresentado aos traços imperceptíveis de sensibilidade e fraqueza da assassina.

Como cada personagem está em busca de seus desejos pessoais, não há tanto envolvimento entre eles. O resultado é uma temporada morna que agrada mesmo não sendo atraente como as anteriores e não avança significativamente com a história.

Villanelle

A alternância de roteiristas responsáveis pela série em cada temporada – a própria Phoebe Waller-Bridge na primeira, Emerald Fennell da segunda e Suzanne Heathcote da terceira – criam essa variação entre cada novo ano. Quem assume como showrunner da quarta temporada de Killing Eve é Laura Neal e torcemos para que ela consiga trazer de volta todo o brilho e potencial apresentado no primeiro ano.

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