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Da Queda às Crises

[tempo de leitura: 3 minutos]

“Fundação”, série da Apple TV+, é um espetáculo visual baseado na instigante história de ficção-científica de Isaac Asimov.


HHá por aí um punhado de clássicas histórias que deixaram sua marca na literatura. A série Fundação, de Isaac Asimov, é uma delas, em uma narrativa que mistura ficção-científica, matemática, sociologia e críticas sociais e que, nas mãos de David S. Goyer e Josh Friedman, ganha uma adaptação para o serviço de streaming Apple TV+.

Na produção semi-antológica, Hari Seldon (Jared Harris) é um matemático responsável pela invenção de Psicohistória: uma espécie de algoritmo científico capaz de prever o futuro da humanidade através de complexos cálculos matemáticos. Por prenunciar a Queda do Império Galático através de sua ciência, Seldon e seus seguidores são forçados ao exílio por heresia e alta-traição, dando início a uma colônia (a Fundação) cujo único objetivo é salvar as memórias da galáxia para as gerações pós-queda.

 

Espetáculo Audiovisual

Por ser parte de um esforço colaborativo com ninguém menos que a gigante tecnológica Apple, Fundação é uma obra audiovisual de grandiosidade — a começar pelo design da abertura. Cenários, fotografia e construção de universo são o grande forte da produção que narra uma saga milenar, e que preenchem a telinha com um cuidado visual elevado e apresentam ao público uma cinematografia de encher os olhos e tirar o fôlego.

Se fosse um filme, Fundação estaria no mesmo nível que o recente Duna, por exemplo. A vastidão dos cenários e das construções do Império mostram a soberba sufocante da realeza, alarmando a completa falta de igualdade entre o Império e seus súditos e as enormes diferenças entre capital, Trantor, e outros planetas-membros.

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Neste passo, queria destacar um ponto que não sei dizer se é ou não proposital. As naves espaciais que carregam o Império (ilustrado pela trindade de clones geracionais conhecidas como Irmão Amanhecer, Irmão Dia e Irmão Crepúsculo) não só trazem um belíssimo design, mas o seu flutuar no espaço parece mimetizar aquele caminhar vagaroso e pomposo de um rei. Pontos para a produção.

 

Da Queda às Crises

Mas Fundação não deixa muito a desejar no quesito roteiro — embora os primeiros episódios possam parecer confuso e com uma forma narrativa não muito habitual. O teor semi-antológico citado no início diz respeito a como Isaac Asimov conta sua história, avançando décadas no futuro constantemente e focando mais no arco de queda do Império (e no papel da Fundação) do que em personagens específicos.

Apesar da narrativa linear (na maior parte do tempo), vemos uma série preocupada em mostrar ao público as diversas situações que trarão a inevitável queda do Império, assim como Heri previu, e as provas de fogo (conhecidas como Crises) que a Fundação será forçada a vencer. Assim, ao longo dos dez episódios da primeira temporada, o público se depara com três gerações diferentes.

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OI, ROBÔ
Isaac Asimov é o autor de uma outra famosa franquia da ficção-científica. Eu, Robô, livro que deu origem àquele filme estrelado por Will Smith em 2004, se passa no mesmo universo de Fundação — porém, está há centenas de anos no passado.

 

Por fim, dentre um espetáculo visual e uma instigante história de corrida contra o tempo, é preciso deixar os elogios para a dramática e concisa atuação de Lee Pace (o Irmão Dia), responsável por dar vida a um vilão dual e trazer complexidade para seu personagem. O ator é certeiro em todas as suas aparições, que trazem um arco ao Irmão Dia que de certa forma se assemelha à Jornada do Herói — mas de forma mais anti-heróica.

Ignorando completamente a comparação entre a adaptação e o seu material original (afinal de contar, eu não li a série literária), Fundação se sustenta muito bem sozinha e é eficaz em construir o seu universo, assim como explicá-lo ao público de um jeito não estupidamente didático. E justamente por ser um futuro distante do nosso universo, é fácil perceber as semelhanças da realidade de Fundação com a nossa — e o tamanho do estrago que a arrogância e soberba daqueles no comando podem causar à sociedade.

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É de 1995, virginiano, gay que atende por qualquer pronome e formado em Jornalismo com pós em Comunicação e Marketing. Criou a ZINT em 2017 — desde então, colabora com matérias sempre que tem uma boa pauta e cuida do visual do Colaborativo.

Em 2021, assistiu 69 Filmes e 133 Séries. Leu 1 Livro e desde que começou a quarentena já catalogou 620 álbuns reproduzidos (e contando!) enquanto dubla pelo seu legado. ✨

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