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Família Como A Nossa, Gente Como A Gente

Família como a nossa, gente como a gente

This Is Us está em todo lugar. Nos Estados Unidos, a série foi um sucesso automático, levando centenas de fãs de todo o país a postarem declarações e comentários sobre o drama em todas as redes sociais possíveis – e isso não demorou para acontecer no Brasil. Apesar da espera de mais de 1 ano para ser exibida na televisão brasileira (sim, o canal Fox Life agora transmite a série!), a história da família Pearson conquistou o público brasileiro junto com sua estreia na TV americana, fazendo os espectadores soluçarem de tanto chorar. Mas qual é a receita? Por que a série é tão emocionante? A resposta é simples: This Is Us somos nós. Todos nós.

Comparada com outros dramas familiares de sucesso, como Gilmore Girls (2000), a série nos conta uma história real, em que seus espectadores possam se identificar. Porém, diferentemente de outras tramas, This Is Us conta não apenas a história de uma família, mas sim de todos os seus personagens, inclusive durante todo seu crescimento. Os episódios são construídos com base em uma estrutura não-linear, aliando flashbacks e flashforwards de forma orgânica, sem necessidade de destaque com efeitos artificiais visuais e sonoros, como podemos ver em Lost (2004). Na obra de Dan Fogelman, diretor de This Is Us, é possível entender claramente todos os motivos dos relacionamentos de cada personagem, tanto uns com os outros, quanto com seus problemas pessoais. Em seus flashbacks, que são realçados por uma fotografia em sépia, são trabalhados dramas familiares e da sociedade, como por exemplo o racismo, gordofobia e obesidade, abandono de crianças, alcoolismo, bullying e problemas com drogas.

Kate (Chrissy Metz), que luta contra sua obesidade desde criança, embarca em uma aventura amorosa nada convencional com Toby (Chris Sullivan). Kevin (Justin Hartley), ator de uma sitcom muito famosa, está cansado de ser reconhecido apenas pela sua aparência, e não por seu trabalho digno como artista. Randall (Sterling K. Brown), o terceiro irmão, adotado e negro, lida com o reencontro de seu pai biológico que se entregou ao câncer terminal. Os pais do trio, Jack  e Rebecca, protagonizados por Milo Vertimiglia (o eterno Jess de Gilmore Girls) e Mandy Moore, não se cansam de roubar a cena: no primeiro episódio, aguentam juntos uma gravidez de risco e nos mostram quão importante é o apoio e o amor pelo outro. A partir daí, cada vez mais nos emocionamos com as cenas de brigas, discussões, abraços, choros, amores, afinal, eles são uma família.

Todos os personagens – incluindo os agregados, como a esposa de Randall, o médico que fez o parto dos gêmeos e até mesmo o bombeiro que encontrou Randall na rua – são muito bem trabalhados, de uma forma que nunca vimos antes. Folgeman considera o tempo não-linear a principal razão do sucesso da série, que se desenvolve em diferentes tempos da vida da família, contando a história de diversos pontos de vista, em diversos momentos cruciais da vida dos personagens. Com isso, foi possível escrever no mínimo uma surpresa importante em cada episódio, afirma Folgeman. Além disso, o primeiro episódio teve enorme importância para a criação de laços com o espectador, além da vontade de saber mais sobre a família Pearson. O final da series premiere é considerado um dos melhores plot twists já vistos na TV americana, fazendo jus a toda a intenção da série – a tal da não-linearidade da história.

Os cinco integrantes da família Pearson reunidos em um dos episódios (e cena) mais emocionantes da série

This Is Us é uma grande obra de arte que te faz entender todos os seus problemas familiares já enfrentados. A série tem um poder muito forte de identificação com o espectador, mesmo que ele não tenha sofrido com nenhum dos temas específicos tratados em cena – o relacionamento familiar dos Pearson diz muito mais sobre a vida do que você já imaginou. This Is Us é sobre família. É sobre todos nós.


victoria cunha

libriana ao máximo, sonha alto e won’t take no for an answer. com 21 anos nas costas, tem três intercâmbios no histórico, e é apaixonada por design e turismo, tendo unido os dois para abrir sua própria empresa.

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