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Por que vocês mataram “Elite”? 

[tempo de leitura: 5 minutos]

“Elite” estreia a quarta temporada com narrativa fraca e problemática, resumindo todas suas soluções com uma exagerada quantidade de sexo.


CCom a saída das personagens Carla (Ester Expósito) e Lu (Danna Paola), e a entrada de novos atores, os fãs de Elite estavam ansiosos para ver como seria a quarta temporada de uma das séries teen mais queridinhas da Netflix. A produção espanhola, criada por Carlos Montero e Darío Madrona, ficou em primeiro lugar dos mais assistidos do Brasil em seu lançamento, e logo deu muito o que falar.

O ano letivo no Las Encinas começou com a entrada dos irmãos Ariadna (Carla Díaz), Patrick (Manu Ríos) e Mencía (Martina Cariddi), os filhos do novo diretor Benjamin (Diego Martín). Pelos acontecimentos nos últimos anos envolvendo os alunos, a antiga diretora Azucena (Elisabet Gelabert) foi afastada, numa tentativa de reduzir os danos. Sabemos que adolescentes no ensino médio podem causar bastante confusão, mas no caso dos personagens, os problemas envolvem assassinatos — então talvez a questão fosse mais séria do que trocar a direção da escola.

As mudanças trazidas por Benjamin não agradam os alunos, e as regras ficam ainda mais sérias quando mais um aluno entra em cena. O príncipe Phillippe (Pol Granch) entra na escola e diversas medidas de segurança são implementadas, trazendo mais descontentamento aos adolescentes.

 

Arquétipos

Como toda boa série teen, os personagens de Elite carregam arquétipos marcantes, e com os novos alunos não é diferente. Ariadna é a aluna perfeita e queridinha do pai, com roupas estilosas e pose de mandona. Em poucos segundos, é possível perceber uma semelhança gritante com a Lu, que já não estava mais em cena. Seria uma tentativa da produção de tentar substituir a personagem? Provavelmente sim. Contudo, é muito difícil cobrir esse espaço, sendo um dos primeiros erros da série. Ao invés de criar uma personagem nova, fizeram uma cópia descarada – e chata – da queridíssima Lucrécia.

Patrick, irmão gêmeo de Ariadna, é o que podemos chamar de devasso. Sempre pronto para uma festa ou dar uns amassos (atividades favoritas dos personagens), ele não demora a se enturmar. Na realidade, ele se integra ao grupo bem mais do que o esperado, sem mais spoilers.

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A caçula, Mencía, é a filha rebelde. Chama o pai pelo nome, tem raiva da família e se acha a grande descolada pelo comportamento transgressor. Toda série teen precisa ter alguém assim, não é? Pois bem, todo esse jeito ousado e atrevido leva a personagem a um papel absurdo. Ao passar uma noite fora de casa, ela conhece Armando (Andrés Velencoso) e, pasmem, se prostitui.

Por mais que a classificação de Elite seja +18, esta é uma produção muito assistida por adolescentes, um público extremamente influenciado pelo entretenimento que consome. Como isso pode ser tratado com naturalidade e, pior ainda, glamour? Em dado momento, parece que o diretor do seriado se arrepende e coloca a garota em situações complicadas. Mas nada disso anula o fato que ela viveu alguns episódios como uma prostituta de luxo de um homem bonito, educado e com o triplo de sua idade.

Phelippe, o príncipe, entra como o mais apagado. Apesar de bem festeiro como Patrick, o jovem é bastante inseguro pela dúvida se as pessoas gostam dele somente pelo título e tudo o que a fama pode oferecer. Um personagem mimado e chato, que pouco se desenvolve e se relaciona com mulheres de uma maneira inaceitável para uma série de 2021.

 

O Quarto Ano

Dada a apresentação dos personagens, vamos à história.

Assim como nas outras temporadas, Elite começa com um crime, e o público não sabe quem é a vítima e o culpado. Essas identidades são reveladas ao decorrer da produção, paralelamente à investigação da polícia. Contudo, esse lado de suspense é deixado de lado nessa temporada.

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As cenas de interrogatório são mínimas e você até esquece que tem um crime no segundo plano. Na realidade, o roteiro em si é fraquíssimo, com poucos acontecimentos relevantes e surpreendentes, e quase todas as cenas começam ou terminam com sexo. Momentos picantes já eram algo recorrente em Elite, mas, dessa vez, eles pecam pelo excesso.

Todos os episódios contêm muitas cenas de sexo explícito sem nenhuma necessidade (o que talvez explique a classificação +18). Parte dos fãs até comentam que não sabiam que “a Netflix tinha feito parceria com o XVídeos. Chega a ser absurdo o quanto eles se apoiaram em conteúdo erótico para fazer uma série de adolescentes. Para piorar o quadro, as cenas hot giram em torno de relacionamentos homoafetivos, como se gays fossem promíscuos e não conseguissem ficar uma hora sem transar, chegando até a fazer sexo dentro do colégio.

Como se não bastassem todos esses pontos negativos, ainda acharam uma boa ideia regredir com Samuel (Miguel Bernardeau) e Guzmán (Itzan Escamilla), que passam quase todos os episódios com uma rixa infantil e com um quê de tentar mostrar quem é o “macho alfa”, tal como faziam na primeira temporada. Qual é a necessidade disso mesmo?

A única personagem que se salva é Rebeka (Claudia Salas), que ganha holofotes na temporada e marca presença. Madura, coerente e sabendo se posicionar, ela é bem diferente do restante de seus companheiros. Ainda ganha pontos pelo visual descolado, ser divertida e uma boa amiga.

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Cayetana (Georgina Amorós), que na terceira temporada de Elite tinha uma obsessão em fingir que era rica e superior, acabou aprendendo uma lição com os acontecimentos passados e se tornou mais humilde e com os pés no chão. Contudo, não entendi por qual motivo ela se tornou faxineira da escola – cargo que antes era ocupado por sua mãe. Fiquei na dúvida de qual era o objetivo disso, se estavam representando que filhas de faxineiras sempre vão ocupar o mesmo espaço da mãe ou se queriam colocá-la como uma espécie de gata borralheira que poderia ascender socialmente com o decorrer da narrativa.

Se fosse resumir minha opinião, diria que a qualidade vem caindo muito desde a primeira temporada do programa, mas agora chegou num ponto que ficou realmente fraca. O final do último episódio deixa uma continuação aberta, mas a Netflix ainda não confirmou a possível data da quinta temporada. Espero que eles revejam seus conceitos e voltem a fazer a Elite que conquistou tantas pessoas.

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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