É preciso voltar para se conhecer

É Preciso Voltar Para Se Conhecer
[tempo de leitura: 3 minutos]

“Boneca Russa” tem um formato não muito inovador, mas trabalha bem com o que tem em mãos, trazendo diferentes camadas para a série e sua protagonista.


O mês de fevereiro animou os fãs de Orange Is The New Black com a estreia da nova produção original da Netflix, Boneca Russa, protagonizada por Natasha Lyonne – a Nicky Nichols, de OITNB. Além de estrelar, a atriz também assina o roteiro da trama, juntamente com Leslye Headland e Amy Poehler – parabéns à Netflix por produzir mais um projeto feito por mulheres!

Na série, Natasha interpreta Nadia, uma mulher misteriosa e independente, que carrega muitos traumas consigo mas prefere curtir a vida ao invés de curá-los. Sua trajetória começa em sua festa de aniversário planejada por uma de suas melhores amigas, Maxine (Greta Lee). Ao sair da comemoração, no caminho de volta para casa, ela avista seu gato perdido, Oatmeal, mas ao atravessar a rua ela é atropelada por um táxi e morre. É aí que o inesperado acontece: ela recupera a consciência na mesma cena em que a série se inicia, no banheiro na casa de Maxine, durante a festa, ao som de Gotta Get Up, de Harry Nilsson.

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A partir daí, Nadia entre em looping, morrendo e retornando à cena do banheiro. De início, ela pensa que tudo é uma viagem causada pelo baseado, teoria que prova-se errada após uma investigação sobre sua composição. E é durante todo esse processo, após várias tentativas falhas de solucionar essa brecha no tempo-espaço, que Nadia conhece alguém que está passando pela mesma situação que ela: Adam (Charlie Barnett).

Coincidentemente, as mortes de Adam também o levam a um banheiro, mas ele revive o pior momento de sua vida: a noite em que sua namorada termina com ele. Ao contrário de Nadia, Adam se deixa afetar profundamente por seus traumas se tornando um adulto depressivo. Juntos, eles tentam descobrir se existe alguma lógica em todo esse caos e porquê eles estão vivendo isso juntos.

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Durante essa jornada de descobertas, o título da série, Boneca Russa, começa a fazer sentido. Se antes Nadia era alguém que fugia dos próprios demônios e pensava que intimidade era algo ruim, passa a tentar entender seus conflitos e demonstrar o quanto se importa com aqueles ao seu redor. Assim como uma boneca russa, em que ao abrir cada uma ficamos próximos daquela que é sólida, a cada um dos oito episódios desvendamos novas camadas de Nadia e chegamos mais perto de sua essência.

O mesmo acontece com o roteiro da série: de início, parece ser apenas uma comédia mórbida sobre quantas mortes ela terá, ou sobre a expectativa de que ela encontre seu gato – o único vínculo que ela se permite criar. No entanto, passamos a nos questionar sobre como ignoramos nossos traumas ou como nos deixamos afetar por eles. Começamos a notar que devemos prestar mais atenção ao que acontece em torno de nós.

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Ao final dos episódios, encontramos a verdadeira Nadia e o verdadeiro Adam, mas talvez encontramos um pouco dos verdadeiros nós. Em tempos que depressão e ansiedade, que tem se tornado parte da vida de mais e mais pessoas, é importante que conteúdos como Boneca Russa sejam produzidos. De forma sutil, a série cativa a audiência e a faz refletir sem demonstrar de cara esse objetivo. Contrapondo diálogos inteligentes com momentos cômicos, Boneca Russa traz uma nova forma de refletir, sem ser tão Black Mirror sabe.


Debora Drumond

estudante de Jornalismo e apaixonada por redação. o Netflix é seu universo e é a maior fã de RuPaul's Drag Race que você respeita. aspirante a Fotógrafa e quem sabe futura blogger/Youtuber

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