“A Lenda de Aang” mais viva do que nunca

“A Lenda De Aang” Mais Viva Do Que Nunca

A série de animação segue como um dos maiores títulos do gênero


Nota do Colab: Este texto contém spoilers.


“Água, terra, fogo, ar. Há muito tempo as nações viviam em paz e harmonia, mas aí, tudo isso mudou, quando a Nação do Fogo atacou. Só o Avatar domina os quatro elementos e pode impedi-los, mas quando o mundo mais precisa dele, ele desaparece. Cem anos se passaram e meu irmão e eu descobrimos o novo Avatar, um garoto dominador de ar. Embora sua habilidade com o ar seja ótima, ele tem muito que aprender antes que possa dizer: ‘Eu sou Aang’. Mas eu acredito que o Aang possa salvar o mundo!”

Se você curte animação, com certeza já ouviu essa história. Trate-se da icônica abertura de Avatar: A Lenda de Aang (Avatar: The Last Airbender, no título original em inglês), um dos desenhos mais populares da década. Produzida e co-criada pelos norte-americanos Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko, a série se consagrou como uma das maiores produções do canal a cabo Nickelodeon. Exibido entre 2005 e 2008 nos Estados Unidos, o desenho infantil conquistou crianças e adultos em diversas partes do mundo. Dez anos se passaram e pouco mudou: a história de Aang e seus amigos continua cativante e atraente a novos fãs.

A relevância da série animada segue, mesmo após tantos anos, graças ao roteiro fechado e bem articulado. Além disso, conta com um universo único, cheio de detalhes, onde representações culturais, humor e trilha sonora dá precisão as cenas e ritmo a trama. A ideia de dividir os 61 episódios em três temporadas, nominadas de livro, e intitular cada episódio de capítulo, contribui para o fácil entendimento sequencial dos fatos. Assim, a animação consegue ser um programa para crianças e, ao mesmo tempo, muito sofisticado para ser restrito ao seu público alvo.

Por aqui, a Classificação Indicativa decidiu que a série não é indicada para menores de 10 anos, pois trata de temas como morte, política e religião. Sem adentrar na discussão da faixa etária dos espectadores, é fato que A Lenda de Aang é uma narrativa densa, cheia de questionamentos e problemas tão complicados quanto à vida real. Não é exagero comparar a série de animação a outros títulos consagrados pela crítica e público. A história do último dobrador de ar não deixa nada a desejar comparada as franquias de Harry Potter e Senhor dos Anéis, por exemplo. São muitos os elementos que contribuem para isso, além dos já citados acima.

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Da esquerda pra direita, o bisão Appa, Sokka, Katara, Aang e o lêmure Momo

A evolução dos personagens, sem dúvidas, é um de seus pontos fortes. A começar pelo próprio Aang, uma criança de 12 anos que nunca quis ser avatar e, depois de um século preso em um iceberg, retorna a um mundo de guerras e injustiças. Escolhido pelo destino para salvar o mundo, ele ainda tem que lidar com a dor do genocídio de seu povo, derrotar o Senhor do Fogo Ozai sem ter que matá-lo, o sequestro de seu bisão inseparável Appa – talvez o momento mais marcante de Aang em toda a série – e seu romance com Katara.

Por falar em Katara, a jovem dominadora de água da Tribo do Sul é praticamente uma mãe dos demais personagens, quase sempre com um ar maternal. Por outro, vive um dos momentos mais dramáticos de todo o arco. Destemida a encontrar com o assassino de sua mãe e se vingar, quando o encontra usa a obscura dobra do sangue para subjugá-lo, mas decidi por não matá-lo. Mais tarde, com o coração livre de rancores, salva Zuko e vence a louca princesa Azula. Ao lado dela está Sokka, que aos poucos conquista seu espaço de guerreiro eficiente em meio a humanos dominadores de elementos. Em contra ponto, a pequena Toph, surpreendente desde que aparece pela primeira vez, aprende a importância dos vínculos afetivos e emocionais.

A princípio vilão e depois mocinho, o príncipe Zuko é a maior história de redenção da série. Sua dualidade entre bem e mal é um exemplo direto de que não existe precisão do que é bom ou mau. As oscilações de Zuko entre os dois lados inimigos na guerra só confirmam isso. Todos os personagens evoluem em suas trajetórias, sejam eles protagonistas ou secundários. Homens, mulheres, crianças ou animais. A inclusão é fator relevante na animação, principalmente representada pelas personagens femininas.

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As mulheres da série são independentes, destemidas e poderosas. Katara é a que se destaca, por ser a mais sensata do grupo de mocinhos, mas também por confrontar o machismo da Tribo da Água do Norte, que a restringia de aprender mais sobre as dobras de água. Torna-se a maior dominadora de água do mundo e a única capaz de realizar a dobra de sangue, além de outros feitos restritos apenas a ela.

A professora de Aang em dobras de terra também não fica para trás. Toph, como dito anteriormente, sempre foi apresentada como personagem acima do padrão. Superprotegida pelos pais, por ser cega, a menina é totalmente independente e muito forte. É a maior dominadora de terra do planeta e também a primeira pessoa a dominar o metal. Suas técnicas são essências na última batalha de Aang. O mesmo serve para as vilãs. Princesa Azula, Ty Lee e Mai, apesar de virem de uma nação que não faz distinção de gênero, formam o temível “trio da garotas” e proporcionam boa parte das maiores cenas de lutas da série. Azula, eximia dobradora de fogo azul e raios, louca e temida por todos, inclusive por suas amigas, quase mata seu irmão se não fosse parada por outra mulher, Katara.

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Aang ao lado de Toph Beifong

O grande vilão é ninguém menos que o Senhor do Fogo Ozai. Apesar de não aparecer nas duas primeiras temporadas, o personagem tem sua figura tirana construída durante toda a história. É o grande ditador da franquia. Para os fãs de Star Wars, fica o aviso: Ozai é dublado por Luke Skywalker, quer dizer, Mark Hamill. E que não passe em branco tio Iroh, irmão do grande antagonista. O mentor de Zuko é tão importante na sequência de acontecimentos da série que chega a ser injusto o spoiler. O grande combate é também o mais esperado: a luta do menino Aang e o grande antagonista é um encerramento digno para uma animação de tamanha qualidade. A resposta da pergunta que durante toda a série parecia respondida, mas o Avatar relutava. De fato, existia outra opção.

 

Se Você Não Conhece a Série

Avatar: A Lenda de Aang é uma série de animação norte-americana produzida com base na cultura asiática. Influenciado principalmente pela mitologia chinesa, o programa mistura magia, os quatro elementos e artes marciais. Representações das culturas coreana, tibetana e japonesa também são perceptíveis, em especial a última, devido aos traços da animação semelhantes aos de animes e mangás.

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A série conta a história de Aang, encontrado congelado em um iceberg por Katara e Sokka no Polo Sul. No mundo deles, a humanidade é dividida em quatro povos com alguns seres humanos capazes de dominar um dos quatro elementos. São eles: os Nômades do Ar, as Tribos da Água, a Nação do Fogo e o Reino da Terra. No meio deles, existe um ser capaz de dominar todos os quatros elementos e, assim, deve manter a harmonia entre as nações. Esta responsabilidade é do Avatar, um espírito que quando morre reencarna em um humano de outro povo, que dá continuidade ao ciclo dos avatares.

A Nação do Fogo começa uma guerra imperialista com os outros povos. Seu único obstáculo é o Avatar. Para impedir a reencarnação do espírito, o Senhor do Fogo manda dizimar os Nômades do Ar, povo no qual o segundo o ciclo o Avatar deveria nascer. Assustados, os protetores de Aang revelam ao garoto que ele é o Avatar. Inconformado com as consequências da revelação, a criança foge. Enquanto isso seu povo é aniquilado. Passam-se 100 anos sem que nenhum nômade do ar seja avistado.

Com o sumiço do Avatar, a Nação do Fogo conquista quase todas as nações, que se tornaram colônias. A única nação independente é o Reino da Terra, que por sua vez vive em uma ditadura monárquica. Tudo muda com o achado de Katara e Sokka na quase deserta Tribo da Água do Sul. O resto vale a pena assistir; ou arriscar no texto acima, se já não o fez. A série está disponível nos catálogos da Netflix e do Crunchyroll.

 

Adaptações e série live action

Séries de animação costumam ser produzidas para serem grandes sucessos comerciais, principalmente no mercado de produtos licenciados, como linhas de brinquedos. As sequências, geralmente, alavancam as vendas em números expoentes, entretanto A Lenda de Aang tem suas peculiaridades. Sua continuação animada A Lenda de Korra (The Legendo of Korra, no título original em inglês) não agradou crianças nem adultos.

A adaptação cinematográfica, intitulada O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, dirigida por M. Night Shyamalan, 2010) foi um fracasso por diversos motivos, dentre eles a narrativa corrida e atuações engessadas. Por outro lado, a franquia se consolidou no mercado impresso e deu origem a uma aclamada história em quadrinhos e uma série de graphic novels que segue com publicações de novas histórias originais.

Agora é vez da Netflix, que normalmente não dá ponto sem nó, produzir material da jornada de Aang. O anúncio da série live action aconteceu no último dia 18. Um tweet da conta oficial da gigante de streaming, mas, claro, sem muitos detalhes. O que se sabe, e ao mesmo tempo empolga, é participação de Michael DiMario e Bryan Konietzki, criadores da história original, como showrunners da nova adaptação. A ideia dos dois como produtores executivos colabora, e muito, para que as expectativas cresçam às alturas, principalmente porque dá a entender que o material será, ou tentará ser, fiel a obra original.

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Imagem divulgada pela Netflix anunciando a versão live-action do desenho

A produção terá inicio ano que vem, mas a primeira temporada disponível em catálogo só deve sair um ano depois, em 2020. Se a série seguir os padrões de qualidade das grandes produções da Netflix e for algo similar à arte de John Staub, divulgada no tweet de anúncio, pode-se dizer que fãs e novos fãs farão das aventuras do avatar Aang e seus amigos um dos maiores sucessos de adaptação de uma animação consagrada.


yuri soares

Jornalista. gosta mais de café e vinho do que gente. não tem nada preferido, mas aprecia The Beatles e cultura japonesa de maneira especial.

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