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A Intensa Despedida Da Família Foster

A intensa despedida da família Foster

No dia 3 de junho de 2013 estreou no canal ABC Family, atual Freeform, o episódio piloto da série The Fosters, tornando-se, em pouco tempo, uma das séries mais inovadoras da TV norte-americana. Exatamente como foi descrita por sua produtora executiva, a cantora e atriz Jennifer Lopez, a série retrata uma história sobre o que há de mais importante na vida, família e amor. O último ato da trama foi ao ar no dia 8 deste mês e já deixa seus fãs com saudades.

Situada na cidade de San Diego, na Califórnia, o seriado conta a história de um casal LGBTQ+ formado por duas mulheres, Stef (Teri Pollo) e Lena (Sherri Saum), que oferecem seu lar como abrigo temporário para crianças que estão no sistema adotivo. Além dos gêmeos Mariana (Cierra Ramirez) e Jesus (Noah Centino), elas criam juntas Brandon (David Lambert), o filho biológico de Stef, fruto do seu primeiro casamento. Tudo parece acontecer em perfeita ordem até que o assistente social, responsável pela adoção de seus filhos, lhes pede que acolham Callie (Maia Mitchell), uma garota com vários problemas por resolver, o que inclui reencontrar seu irmão mais novo, Jude (Hayden Byerly).

Em um primeiro momento, o foco da série era a luta contra a homofobia e a denúncia do quão precário é o sistema adotivo dos Estados Unidos. O preconceito expressado pelo próprio pai de Stef e a encenação dos abusos vividos por milhares de crianças em lares temporários compunham um sequência de cenas fortes, fazendo surgir no espectador um sentimento de revolta instantâneo. Porém, ainda na primeira temporada, outras pautas importantes sobre respeito às diferenças foram abordadas, o que trouxe grande notoriedade ao seriado.

Por se tratar de um drama real, muitos acontecimentos verídicos foram simultaneamente vividos pelos personagens, e, a partir dos olhares do roteirista, Brad Bredeweg, e do diretor, Peter Paige, muitas pessoas puderam se sentir representados na série. E, pela consciência de sua audiência ser predominantemente jovem, a solução de cada problema também era exposta, sempre unindo pais e filhos, entre diálogos comoventes.


S01E05: O Dia Seguinte

“Tem gente no mundo que tem medo do que é diferente. E, às vezes, querem machucar pessoas como eu e a Stef. Então toda vez que estamos fora e eu quero segurar a mão dela, mas decido não fazer isso, eu fico brava. Brava com as pessoas que podem querer nos machucar, mas brava comigo também por não me defender. Porque o problema é que se você aprende que precisa esconder o que te faz diferente, vai sentir muita vergonha de quem é, e isso não é bom. Não tem nada errado com você por usar esmalte, assim como não tem nada errado comigo por segurar a mão da Stef. O que é errado são as pessoas que nos fazem sentir inseguras”

Lena para Jude quando o encontra no banheiro tirando o esmalte das unhas após sofrer bullying na escola.


S02E06: Ser Mãe

“Querida, para ser sincera com você, toda mãe tem medo que os filhos não nos amem como os amamos. E eles não amarão. Não do mesmo jeito, sendo biológica ou não. É assim que deve ser. As mães e os pais, nós temos que amar mais nossos filhos pra poder fazer os sacrifícios necessários para colocá-los em primeiro lugar. Mas uma coisa é certa, O amor sempre será uma conexão mais forte do que o sangue. Acredite nisso”

– Mãe da Lena para ela quando a filha está internada por causa de uma complicação na gravidez. 

Em seis anos, os fãs da série puderam se emocionar e/ou ficar com raiva dos erros cometidos por cada membro dessa família, mas acima de tudo, puderam aprender com sua coragem e empenho como serem sempre melhores.


O Último Verão

Finalizar a série sem deixar pontas soltas seria uma missão impossível. Muitos fãs utilizaram as redes sociais para pedir a continuação da série, mas a verdade é que a vida real sempre permite o aparecimento de novos conflitos e polêmicas, assim como vitórias e momentos felizes. Há sempre algo para acontecer graças a espontaneidade da vida e, a única solução, é cada um inventar suas próprios finais. Com a liberdade de saber que não há como definir o certo e o errado.

À primeira vista, por exemplo, a história que parecia girar em torno do amor proibido entre Brandon e Callie, pronta para se tornar mais um drama adolescente, se mostrou muito mais profunda. As duas primeiras temporadas se encarregam de traçar o destino dos dois rumo um ao outro, sem ofuscar nenhum dos outros personagens. E, nos três últimos episódios, nota-se uma tensão entre os irmãos, devido a aproximação do casamento de Brandon, mas essa foi apenas uma tática para deixar os espectadores mais tensos com o final. Os criadores da série se ativeram em concluir a trama com maestria, mostrando que a paixão juvenil não existia mais, e, principalmente, que uma grande amizade e amor fraterno haviam surgido em seu lugar.

Uma trama que por tantos momentos se tornou cansativa pela recorrência em erros graves, também foi fonte de inspiração. Muitos fãs desistiram. Outros começaram a torcer por fins trágicos. Mas, quem se manteve fiel às duas mães, sentiu o alívio de vê-los a salvo, entendendo suas fraquezas e expectativas. Se com o passar do tempo até Lena e o ex-marido de sua esposa, Mike, puderam evoluir de uma convivência hostil a uma relação de companheirismo, pode-se afirmar que ter esperança é peça chave para acompanhar essa família.

Para se despedirem, mães e filhos posam para sua última foto em frente à icônica casa presente na abertura, fazendo jus a música tema do seriado, afinal, a história não é sobre de onde cada um deles veio, mas sim sobre onde cada um deles pertence.

Por fim, já dizia Lena no primeiro episódio: o normal é superestimado.

 

Spin-Off

Recém formadas na faculdade e iniciando suas vidas adultas na estonteante Los Angeles, as duas jovens irmãs, Mariana e Callie, vão protagonizar a série Good Trouble em 2019, na qual as duas viverão novas grandes aventuras longe de suas mães. Como esperado, já que Brandon também está trabalhando na cidade e Jude estuda na UCLA, eles com certeza aparecerão na nova série.

A decisão de mover os personagens para esse novo seriado aconteceu por causa da vontade de mudar a programação do canal Freeform, abandonando os conteúdos para família, para contar histórias que abordem especificamente os millennials, como são chamados aqueles que nasceram do início da década de 1980 até meados da década de 1990, assim como assuntos que representem a geração Z. Então é bom esperar o mesmo contexto em que foi baseado The Fosters, mas também incluir um pouco da bagunça que são os relacionamentos aos 20 e poucos anos de idade.


ruth berbert

estudante de Jornalismo, aspirante a atriz, mas minha vocação mesmo é ser amiga. o universo ideal certamente é o Cinema, onde se equilibra na tênue corda que a conecta aos seus sonhos.

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