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Entre bruxas e vampiros

[tempo de leitura: 5 minutos]

“A Descoberta das Bruxas” vai para além do amor proibido entre uma bruxa e um vampiro, criando para si uma instigante série de universo sólido.


QQuando Crepúsculo chegou às prateleiras das livrarias, ninguém seria capaz de prever o frizon mundial que se criaria em torno da franquia literária e o efeito cascata que a adaptação cinematográfica geraria na indústria. Histórias de romance que misturam seres de diferentes mitologias desperta o interesse não só de leitores e seriados, mas também das produtoras que os adaptam.

Quando o livro de Deborah Harkness, A Descoberta das Bruxas, chegou ao topo dos mais vendidos do jornal estadunidense The New York Times, não era de se espantar que muito em breve poderíamos ver a história da novelista ganhando as telinhas ou os telões. Para a sorte dos fãs e da própria escritora, o primeiro livro da trilogia Todas As Almas estreou no Reino Unido em 14 de setembro de 2018, em uma produção exibida pelo canal britânico à cabo Sky One.

 

DIA & NOITE

Com 18 episódios em duas temporadas (oito, na primeira, e dez, na seguinte), A Descoberta das Bruxas, exibida no Brasil pela Globoplay, apresenta ao telespectador um mundo tal qual o nosso. Porém, nesta realidade alternativa, os humanos são apenas um de quatro espécies que vagam pela Terra – eles (ou melhor, nós), no entanto, não têm consciência disso. No mundo oculto, bruxas, vampiros e demônios se relacionam cordialmente a fim de manter sua existência secreta e preservar a linhagem de criaturas fantásticas, funcionamento sob uma Congregação de regras e governanças.

Porém, como toda boa premissa, essa balança existencial começa a se romper quando Diana Bishop (Teresa Palmer), uma historiadora, encontra acidentalmente um poderoso manuscrito há muito tempo perdido. Para além disso, Bishop se vê diante de uma jornada que até então tentava evitar: além de ser forçada a ingressar mais a fundo dentro de um mundo que sempre relutou desvendar, a bruxa também se vê obrigada a desenvolver seus renegados poderes mágicos, afim de descobrir mais sobre o tal manuscrito que promete mudar toda a existência das quatro espécies.

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Sua jornada a leva à Matthew Clairmont (Matthew Goode), um vampiro geneticista que está em sua própria pesquisa existencialista. Não só sua espécie está morrendo vagarosamente sem motivo aparente, como a desconfiança entre as três espécies ocultas está dificultando a existência a longo prazo, fazendo com que a população de vampiros, bruxas e demônios apenas perca indivíduos, enquanto a dos humanos seguem imperando.

Por serem de espécies inimigas, a aliança de Diana e Matthew começa cambaleante, mas a importância do manuscrito logo prova-se superior a isso, levando os dois a trabalham junto – e eventualmente desenvolverem um romance, claro. A união acaba chamando a atenção da Congregação que rege esse mundo escondido, ascendendo o fósforo de uma guerra de egos e ideias e ideais que permaneciam varridas sob o tapete há centenas de anos.

 

A DESCOBERTA

A comparação com Crepúsculo não é para menos. Embora A Descoberta das Bruxas não traga um romance entre uma humana e um vampiro, e muito menos se passe no ensino médio estadunidense, a produção britânica acaba gerando o comparativo pelo amor proibido entre duas espécies fantásticas, que por sua vez causa um desequilíbrio na realidade do ecossistema no qual estão inseridos.

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Mas o romance de Diana e Matthew mais se compara a um clássico maior. Por serem partes de espécies que são inimigos jurados, o amor dos protagonistas muito lembra a tragédia de William Shakespeare, Romeu e Julieta, com ambas as famílias se opondo ao romance e tentando colocar “senso” na cabeça de ambos para não seguir em frente com tamanha frivolidade. Porém, diferente dos protagonistas italianos, nem Bishop nem Clairmont morreram pelo seu amor – embora vivam dizendo que seriam capaz de tal alto.

Traçado esses paralelos, A Descoberta das Bruxas é sagaz no desenvolvimento de seu próprio mundo, mostrando aos interessados que esta história é tão única quanto as duas citadas anteriormente. Deborah Harkness prova-se uma autora engenhosa ao criar uma narrativa tão rica e detalhada, que o time de roteiristas, comandado por Kate Brooke, adaptam para a televisão de forma igualmente cuidadosa (até mesmo satisfazendo os fãs do livro, que dizem haver uma grande fidelidade entre livro e adaptação).

É interessante notar que o seriado da Sky One carrega bastante do peso das produções britânicas, em temporadas curtas e agéis narrativamente, que vão direto ao ponto e pouco divagam em arcos ou personagens desnecessários. Assim, a equipe do programa toma decisões certeiras e que se mostram pertinentes ao longo de toda sua jornada até agora, trazendo para a história oxigênio ou a completa falta de ar quando um dos dois se faz necessário.

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A Congregação

A construção do fio narrativo é sólida ao longo de todos os 18 episódios exibidos até agora, exponencializada pela maravilhosa fotografia e a forte atuação de sua dupla de protagonistas, que exalam carisma e química. Teresa Palmer é capaz de mostrar a força e destreza de sua personagem, que cresce a cada capítulo na medida que vai descobrindo seus poderes e torna-se menos inocente neste novo mundo.

Matthew Goode, por sua vez, é perfeito no papel de um vampiro de dois extremos: o bondoso e gentil Matthew, par romântico de Diana, e o mortal e poderoso Clairmont, o vampiro a frente de uma poderosa, influente e milenar família vampírica. E para completar, a dupla recebe o reforço de um time de personagens secundários que muito adicionam ao todo, tendo papeis muitas vezes fundamentais para o avanço da história.

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Em sua segunda temporada, Diana e Matthew fazem uma viagem no tempo para a Era Elizabethana

Poucos minutos de A Descoberta das Bruxas são o suficiente para mostrar ao telespectador o grande achado que ele tem às mãos, em uma série instigante agraciada por uma fotografia de tirar o fôlego, personagens bem desenvolvidos e efeitos visuais dignos de produções rebuscadas. O universo bem construído gera uma atmosfera íntima, sensual e realística para o programa, tornando-o tudo aquilo que você poderia querer em um seriado de romance, aventura, tensão e fantasia.

vics

Tem 25 anos, é formado em Jornalismo e tem uma pós em Comunicação e Marketing. É um dos criadores do projeto, colaborando com matérias sempre que tem uma boa pauta em mãos.

Em 2020, passou 48 dias assistindo Séries usando a desculpa de escrever pra revista e outros 11 dias assistindo Filmes, deitando pra indústria dos blockbusters. Não leu nenhum Livro, mas foram 48 dias reproduzindo Música e fingindo estar dublando pelo próprio legado. ✨

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