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A Volta Dos Anos 90

A volta dos anos 90

Na cultura pop contemporânea e na indústria do entretenimento atual, os anos 80 tem sido referenciados, homenageados e revisitados em diversas produções nostálgicas que trazem narrativas não só situadas na época, mas que conseguem recriar sensações e aura existente nas produções oitentistas. A série Everything Sucks!, produção original da Netflix, faz esse resgate nostálgico ao retratar as dificuldades encontradas na puberdade e os prazeres da adolescência por um grupos de amigos da escola, mas dessas vez nos anos 90.

Toda essa vibe faz com que Everything Sucks! lembre o estilo de Stranger Things (2016), sem a pegada sobrenatural. Na trama acompanhamos Luke (Jahi Di’Allo Winston), um garoto fruto de seu tempo e que sofre com o excesso de timidez, mas decide produzir um filme de ficção científica ao lado de seus amigos do Clube de Vídeo. A partir da decisão de Luke, o roteiro de Ben York Jones e Michael Mohan série faz um resgate da cultura e da tecnologia da época, e também acerta ao aprofundar em alguns assuntos retratados, mas de maneira leve e sútil, como o desenvolvimento de paixões platônicas, a falta de autoconfiança e a descoberta da própria sexualidade, trabalhando temáticas ligadas a orientação sexual que estão presentes na sociedade e que já eram debatidos na década de 90, sem tanta visibilidade e força como acontece agora. Essas descobertas sexuais são, inclusive, tratadas de forma sutil na série, mas sem limitar o personagem a arcos óbvios.

A trilha sonora é de tirar o chapéu. Além de Wonderwall, os produtores acertaram em trazer outros sucessos da década de 90. como Don’t Look Back in Anger, Breakfast on Tiffany’s do Deep Blue Something e Take It Like A Man, do The Offspring. O uso das composições é muito acertado, funcionando como reflexos do estado de espírito do adolescente que está escutando, casando imagem e som de forma incrível.

Luke O’Neil (Jahi Di’Allo Winston), na direita, e Kate Messner (Peyton Kennedy), à esquerda

Contudo, a produção peca ao explorar exaustivamente algumas tramas, como o romance da mãe de Luke, que não acrescentam a narrativa e não são tão impactantes quanto a transformação sexual de algum dos adolescentes protagonistas. A primeira temporada, também, trabalha corretamente as mudanças na vida de alguns personagens, como todo arco de Tyler (Quinn Liebling), que funciona apenas como alívio cômico da série. Outro ponto importante que a série erra, é tentativa de transitar entre os diferentes espectro de telespectadores: em alguns momentos, é perceptível que o enfoque de certos momentos são os adultos que já passaram por isso, em outros os adolescentes que estão passando e depois as crianças que ainda vão passar. No entanto, por falhas no texto, a série perde a sua identidade com esses problemas.

Apesar dos erros de roteiro, Everything Sucks! é prazerosa de assistir e se beneficia dos 10 episódios curtos que configuram seu ano de estreia, sendo bem rápida, curte e evitando ficar chata e redundante. Ao final, o que fica é a gostosa sensação de um misto da realidade adolescente e suas reflexões, com as músicas marcantes de uma época que trazem uma nostalgia imensurável.

Da esquerda pra direita: McQuaid (Rio Mangini), Oliver (Elijah Stevenson), Tyler (Quinn Liebling) e Emaline (Sydney Sweeney)

No início do mês de abril, no entanto, a Netflix anunciou que Everything Sucks! não retornaria para uma segunda temporada, cancelando o programa.


Barbara Lima

Tem 20 anos, apaixonada pelo Jornalismo, o seu grande sonho é viajar o mundo escrevendo e conhecendo novas culturas.

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