skip to Main Content
A Complexidade Do Cotidiano Em “Big Little Lies”

A complexidade do cotidiano em “Big Little Lies”

Por que mentir?

Roupas de grife, casas belíssimas com piscinas gigantescas, feed do Instagram combinando. Estética. “Eu acho que a minha auto-estima depende de como as pessoas me veem”, admite Celeste Wright, a mulher do cabelo brilhante. Ela faz parte de alta sociedade de Monterey, na Califórnia. Sua melhor amiga, Madeline Mackenzie, também aparenta ser impecável, com seu visual tão padronizado e sua influência no grupo das mães do colégio local . “Minha filha é a mais popular da escola. Se ela não for nessa festa, nenhuma criança irá”, exibe, com orgulho.

Mãe da pequena Amabella, Renata Klein é uma mulher extremamente bem sucedida em sua carreira, o que desperta raiva em outras mulheres – que optaram por não trilhar um caminho profissional. Casada com Nathan Carlson, o ex-marido de Madeline, Bonnie também desperta inveja nas mães de Monterey, por apresentar um estilo de vida aparentemente equilibrado e 100% natural (produtos orgânicos, yoga e atitudes sempre zen). Novata na região, Jane Chapman destoa um pouco das mulheres já descritas. A mãe de Ziggy, jovem e misteriosa, é reservada e menos pretensiosa.

E um assassinato. Em uma glamourosa festa à fantasia da elite de Monterey, um corpo é encontrado. Quem está morto? E quem é o assassino?

Uma vida perfeita é uma perfeita mentira.

 

Repercussão

Narrando a história dessas cinco mulheres, a série Big Little Lies, da HBO, foi um dos maiores destaques do último ano. A história, densa do começo ao fim, traz importantes reflexões sobre aparências, competição feminina e relacionamentos abusivos. Contando com um elenco primoroso, a produção levou quatro estatuetas na 75ª Cerimônia do Globo de Ouro, realizada no dia 07 de janeiro: Melhor Minissérie, Melhor Atriz em Minissérie (Nicole Kidman), Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie (Laura Dern) e Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie (Alexander Skarsgård). Em dezembro, a narrativa foi o grande destaque do Emmy, garantindo cinco prêmios. O diretor, Jean-Marc Vallée (responsável pelo Oscarizado Clube de Compras Dallas), também foi prestigiado.

As atuações de fato são um ponto forte da trama. Nicole Kidman e Reese Whiterspoon, especialmente, brilham ao interpretar suas complexas personagens (Celeste e Madeline, respectivamente). As duas atrizes são também produtoras executivas da série, inspirada no romance homônimo da australiana Liane Moriarty. “Divido esse troféu com todas as mulheres maravilhosas que me ajudaram a idealizar esse projeto. Nós sentamos numa mesa e nos comprometemos umas com as outras, com fidelidade e confiança”, afirmou Nicole Kidman ao receber seu Globo de Ouro. O elenco infantil também rouba a cena, com destaque para Darby Camp, que interpreta a fofíssima Chloe Mackenzie. Impossível não fazer menção também à trilha sonora, que auxilia na criação de uma atmosfera perfeita para a história. A abertura, com Cold Little Hearts de Michael Kiwanuka, é deliciosa de se assistir.

 

Um olhar raro

Big Little Lies acerta, principalmente, em retratar com sutileza as tantas nuances dessa realidade padronizada e aparentemente impecável. Os personagens são pouco estereotipados e, portanto, construídos com verossimilhança. A narrativa envolve bastante o espectador – não só pela premissa do assassinato (que é apresentado no primeiro episódio e solucionado apenas no último), mas também pela complexidade das situações cotidianas apresentadas. Popularidade, corpos invejáveis, relações competitivas. A série retrata, com densidade, todos esses (questionáveis) valores que são pertencentes, sabemos, não só à elite de Monterey, mas à nossa sociedade contemporânea como um todo.

Da esquerda pra direita: sessão de foto com as atrizes Laura Dern (Renata Klein), Reese Witherspoon (Madeline Martha Mackenzie), Nicole Kidman (Celeste Wright), Zoë Kravitz (Bonnie Carlsom) e Shailene Woodley (Jane Chapman)

As cenas na casa de Celeste despertam angústia e apreensão. Os diálogos da personagem com sua terapeuta, interpretada por Robin Weigert, são muito bem elaborados e a relação das duas acaba se tornando um ponto alto da história. A série foi bastante elogiada pela abordagem em relação à temática do relacionamento abusivo. Para Melissa Jeltson, editora do The Huffington Post, a série “lança um olhar raro e cheio de nuances sobre relacionamentos abusivos, mostrando que vítimas e agressores nem sempre se comportam como esperamos”.

As relações estabelecidas entre os personagens da trama ficam mais complexas a cada capítulo. Todos os mistérios apresentados ao longo da narrativa, porém, só são elucidados no último episódio – que é surpreendente e tocante. A história, idealizada para ser uma minissérie, é concluída com primor. Porém, por conta da grande audiência e da significativa repercussão, uma segunda temporada de Big Little Lies já foi confirmada e começará a ser gravada na metade deste ano. Os episódios serão dirigidos por Andrea Arnold (de American Honey) e as estrelas Nicole Kidman e Reese Witherspoon continuam à frente da produção (amém). Que essa reunião de mulheres talentosas e cheias de personalidade renda ainda muitas histórias e reflexões densas.


carolina cassese

estudante de Jornalismo, feminista, louca dos gatos, geminiana de sol e alma. apaixonada por mudanças e pelas palavras.

Comente com a gente!

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Back To Top