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20 Anos De One Piece

20 anos de One Piece

Muito provavelmente, você nunca ouviu falar de One Piece. Se ouviu, não se interessou tanto pela série em função da vasta quantidade de capítulos (880 até o fechamento desta edição) ou por não se interessar tanto por mangás mesmo. Afinal, o que faz desta série um fenômeno? Antes de tentar responder essa pergunta, é fundamental compreender alguns aspectos que orbitam o universo otaku.

One Piece, assim como vários outros mangás, é publicado pela editora Shueisha por meio de sua revista semanal, a Weekly Shonen Jump. Nesta revista, que existe desde 1968, são publicados apenas mangás voltados para o público alvo determinado como shōnen (jovens do gênero masculino). Por exemplo, Dragon Ball e Yu Yu Hakusho, duas séries de mangá bem populares por aqui, foram serializadas pela Shonen Jump. O mesmo aconteceu com os também populares Death Note e Naruto.

No dia 22 de julho, de 1997, a história “Romance Dawn” figurava nas páginas da revista semanal da Shueisha. Nela, Monkey D. Luffy, um garoto de sete anos de idade que queria entrar para o bando de piratas de Shanks, o ruivo, come acidentalmente uma fruta que o transforma em homem-borracha, com a desvantagem de não poder nadar nunca mais. Depois de um conflito com bandidos da montanha, Shanks salva a vida do pequeno garoto de borracha e Luffy acaba decidindo se tornar um pirata por conta própria e passa a perseguir o sonho de se tornar o rei dos piratas. Surpreendido com a declaração ousada, o ruivo decide presenteá-lo com seu Chapéu de Palha e provoca: “venha me devolver este chapéu quando se tornar um grande pirata”. Dez anos depois ele vai para o mar em busca de companheiros e o resto é história…

Parece uma narrativa simples e centrada apenas nos personagens principais, mas o mundo de One Piece é extremamente vasto e povoado por personagens icônicos, que renovam a história a cada arco dramático. É muito importante compreender que os piratas como são retratados em One Piece não são como Jack Sparrow, Capitão Gancho ou Barba Negra. Eles podem vir nas mais variadas formas e dos mais distintos lugares.

Na verdade, a existência de piratas no mundo de One Piece se relaciona bastante com a conjuntura apresentada por Oda, em que um Governo Mundial existe exclusivamente para manter o status quo dos nobríssimos Tenryuubitos (os Dragões Celestiais). Este Governo Mundial, estabelecido há 800 anos, tem como braço militar a Marinha, a agência de inteligência e espionagem Cipher Pol, e os Shichibukai (sete piratas poderosos que agem como corsários a serviço do Governo Mundial). Obviamente, o status quo dos Tenryuubitos é mantido sob muita opressão e desigualdade.

Ser pirata em One Piece significa, sobretudo, encontrar o próprio meio de viver e sonhar diante destas restrições. Formar um bando, é compartilhar com os companheiros valores e princípios semelhantes. É navegar por aí e virar o mundo de cabeça para baixo.

No começo do mangá, Oda nos conta que somente um pirata navegou todos os mares e encontrou o One Piece. Gold Roger foi o rei dos piratas que conquistou tudo e, quando capturado pela marinha e condenado a execução, suas últimas palavras inspiraram muitas pessoas a irem para o mar, dando início a grande era dos piratas.

O foco principal da história é a jornada de Luffy para se tornar o rei dos piratas. A medida que este e outros objetivos vão se desenvolvendo, o mangaká faz questão de colorir e enriquecer o universo com muita personalidade. A cada ilha visitada, conhecemos um novo ambiente, uma nova civilização, seus costumes e economia, assim como seus problemas e conflitos. Uma ilha no céu, um navio fantasma, reinos tomados por piratas, uma cidade construída nas costas de um elefante colossal que vaga pelo mar há mais de mil anos e um arquipélago de ilhas feitas de doces são apenas um breve exemplo do quão vasta costuma ser a caracterização em One Piece.

Sendo sensato, é muito difícil explicar exatamente porque algumas obras atingem o status de fenômeno absoluto. Chego a simples conclusão que tem muita relação com o tanto que o conteúdo presente em uma obra consegue reverberar e transcender dentro de seus próprios meios de distribuição. Diante das devidas proporções, foi um pouco o que aconteceu com Beatles e Star Wars, talvez os dois maiores expoentes da cultura pop ocidental – e que também se fazem presentes em diversos cantos do oriente.

Não que seja o caso com One Piece, é algo que ainda será observado a medida que o mangá conclui e enquanto ele se desdobra no ocidente. Fato é que a história de Luffy e seus companheiros conquistou o seu lugar e já ganhou o coração e a simpatia de muita gente.

Há quem diga que, mesmo diante da imensidão dessa história, existe um lugar pra qualquer pessoa se divertir e se emocionar. Falo por experiência própria. Já coloquei pessoas diferentes para “experimentar” One Piece e me aventurei com as reações. Sempre bastante surpreso em como a série consegue conferir importância e densidade aos momentos mais singelos e despretensiosos.

 

Guinness Book e outros Recordes

Em 2015, a série atingiu duas marcas reconhecidas pelo Guinness World Records: “série de quadrinhos de um mesmo autor com mais cópias publicadas no mundo” e “série de mangá mais vendida da história”, atualmente com mais de 416 milhões de cópias contabilizadas ao redor do planeta. Além disso, One Piece ultrapassou Homem-Aranha e se tornou o terceiro quadrinho mais vendido da história, atrás apenas de Batman e Super-Homem, respectivamente.

No Japão, a série domina o ranking de vendas de mangá há mais de dez anos. No Brasil, o mangá de One Piece é publicado em formato regular pela editora Panini Comics.


rafael bonanno

com 25, é um Jornalista em formação, com o Cinema como grande paixão. seus interesses também se estendem por produção de conteúdo relevante, storytelling, experiências interativas, narrativas transmídia, Fotografia e produção audiovisual.

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