Um testemunho sobre insegurança e fragilidades

Um Testemunho Sobre Insegurança E Fragilidades

Ai meu Deus / Eu vou morrer sozinho / Se eu continuar nesse caminho“. Assim começa o primeiro álbum de estúdio de João Vitor Romania, profissionalmente conhecido como Jão. Com uma proposta pessoal e libertadora, o artista mostra o que o público ainda não sabia de si próprio.

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LOBOS traz um tom melancólico e dramático acompanhado de batidas empolgantes, combinação que domina em quase todo o disco do artista. Considerado um dos nomes mais promissores do cenário pop brasileiro para 2018, Jão aposta em músicas que trazem um som pop intenso por temas como tristeza, sarcasmo e pessimismo, porém com toques de diversão que equilibram o álbum e o tornam mais leve de certa forma.

Após lançar Imaturo, em janeiro deste ano, e um projeto paralelo ao álbum, composto por versões acústicas de quatro músicas, o cantor veio alcançando a admiração do público por seu trabalho original e destemido. Uma reflexão da sua personalidade; ‘‘muitas vezes crítico e pesado para certas situações’’, como conta o próprio Jão.

Durante as 10 faixas que compõe o disco, lançado pela Universal Music, o cantor expõe seus medos e experiências, aspectos marcantes em sua vida, em um relato honesto e corajoso sobre ser você mesmo e lidar com as dificuldades.

O álbum, composto todo por Jão, conta apenas com uma parceria, na faixa Aqui, ao lado de Diogo Piçarra. Em Lobos, a faixa-título, acompanhada de uma melodia mais comum, indica: “o cara estranho, que eu fingi não ser, já renasceu, talvez eu possa descansar”.

Em tempos onde se canta muito sobre ser forte, ter autoconfiança, estar por cima em uma relação, o jovem artista surpreende ao falar de forma aberta e genuína sobre os sentimentos dos quais não temos orgulho, apoiado nas sonoridades regionais brasileiras.

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Quando a lua cheia cair sobre o sertão vazio, e iluminar a terra e seus corpos frios, anunciem em afoite, saiam das ruas todos, foi iniciado o expurgo da noite. É o arrebatamento dos desgraçados, malcriados, vagabundos, um a um, ainda que em medo, irão todos. Pois que uivem altos os perdidos. A alcateia saúda os novos lobos”, assim anuncia um testemunho na capa do álbum, uma verdadeira confissão sobre desafios e conquistas.

“Todas as coisas que eu odiava em mim quiseram vir pra cima. Só que, em vez de suprimir tudo mais uma vez, eu resolvi botar para fora cantando. […] No meio dessa confusão de juventude e sofrimento, foi estranho perceber que essas coisas que um dia tentei esconder de mim por tanto tempo, mesmo que não tão bonitas assim, eram minha verdade mais pura e fazem parte do que realmente sou”, assim explica o conceito do álbum.

Para chorar e dançar ao mesmo tempo, o fato é que Jão ultrapassou definitivamente a timidez ao revelar um discurso pessoal e sincero sobre liberdade para ser você mesmo, independente da aceitação ou apoio dos outros. Assim, assuntos como problemas de autoestima e dificuldades de se relacionar conduzem a narrativa construída ao longo do trabalho.

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Às vezes inseguro, às vezes frágil, ele se apropria da voz doce junto a elementos eletrônicos para falar (ou uivar) para quem quiser ouvir. Como um lobo, mal visto pela sociedade e reconhecido por conquistar seu território e o respeito no meio onde vive, Jão termina o álbum cantando “Bem nos olhos vejo os monstros / Que insistem em me encarar / Sempre me acharam louco / Por querer ser mais um pouco / Sei que eu tenho os meus monstros / Mas continuo a caminhar“.


mike faria

aspirante a Jornalista, apaixonado pela liberdade da escrita e poder da leitura. praticante de natação nas horas vagas, encontrou na Cultura o melhor lugar para se expressar.

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