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Um Megafone Para Os Pensamentos Mais íntimos

Um megafone para os pensamentos mais íntimos

Você com certeza se lembra de Royals (2013), o primeiro sucesso de Lorde, que ganhou o Grammy de Canção do Ano, em 2014. A cantora tinha apenas 16 anos quando lançou um dos singles mais bem-sucedidos do mundo. Eu também tinha 16 nesse momento, e o escutava todos os dias. Mas, para ouvir Melodrama (2017), melhor esquecer tudo isso.

O segundo álbum da artista neozelandesa demorou a sair, mas está aí. Ela está com 20 anos agora, e eu também. O novo disco, um sucesso para a crítica, vem exatamente para mostrar que Lorde cresceu como pessoa, como mulher e como artista. Para quem foi da adolescência à juventude também nesse meio tempo, é difícil não se identificar com as confissões da artista, mesmo não estando sob os holofotes do pop.

“Green Light” foi o primeiro single e clipe de “Melodrama”, no qual a cantora vai a uma festa, em referência à narrativa do álbum.

Melodrama, lançado no início de junho pela Universal Music, conta a história de uma festa onde tudo pode acontecer. É íntimo, nas letras e nos vocais, e mantém a estranheza que fazem de Lorde única, como vi em seu primeiro álbum, Pure Heroin (2013). Os vocais excêntricos e etéreos estão de volta, ainda mais marcantes e expressivos. O storytelling é equilibrado com momentos de quebra de expectativa e de viradas completas de ritmos, como na faixa Hard Feelings / Loveless.

Pure Heroin trazia histórias de uma adolescente normal, insegura, e que se diverte com os amigos do jeito que der. Propunha uma oposição ao mundo glamouroso do pop. Lorde criticava a ostentação e o luxo de estrelas, que estavam distantes do seu público e de quem eram antes da fama. Hoje, a artista já não se encaixa tanto nesse quadro.

Comparando os clipes de Royals e Green Light, é possível notar como o estilo da cantora mudou após 4 anos.

A fama veio com o primeiro álbum e mudou a vida da cantora. Melodrama é um registro das novas vivências no mundo da música. O disco foca nos pensamentos da própria artista, inclusive os mais obscuros. A artista conta por meio de suas músicas como é ser uma jovem mulher, como são os primeiros amores não correspondidos, como é ir da adolescência à juventude dentro dessa nova realidade, mas sem perder a visão crítica, ao ironizar o estereótipo da “geração sem amor”. Lorde fala muito sobre o seu jeito de amar, e também sobre se sentir um fardo para as pessoas próximas. É como se ela musicalizasse, para o mundo ouvir, o que os jovens estão pensando.

Quando lembro de quem eu era há quatro anos, inicialmente penso que mudei um pouco. Atentando-me aos detalhes, concluo que quase já não sou a mesma pessoa que era aos 16. Se transferimos esse pensamento para artistas da música, vem aquele medo de que a fórmula do pop ou a máquina de fazer hits engulam nossas vozes preferidas com o tempo. Bate aquele receio de que as pessoas percam as características originais que te fizeram gostar tanto daquele som no passado. Em meio a outros lançamentos de novos álbuns de vozes femininas em 2017, como Halsey, Lana Del Rey e Taylor Swift, que também mudaram em seu próprio jeito, o receio só cresce. Mas Lorde não desapontou. Melodrama se equilibra bem na linha entre o pop que agrada a todos e as estranhezas que definem quem ela é na música.

Lorde apresenta as músicas do novo álbum no Festival Roskilde, na Dinamarca, no dia 30 de junho.

O cabelo longo e cacheado ficou para trás, assim como os batons escuros. O visual adolescente que misturava branco, preto e roxo deu lugar a vestidos rosa, um corte de cabelo mais moderno, maquiagens mais leves e aquele tênis clássico da Adidas. É fácil perceber as mudanças de estilo se comparamos os clipes dos dois álbuns. Vale a pena assistir também as seis performances que Lorde gravou com a Vevo, para seu canal no YouTube. São poderosas, já que para interpretar cada faixa de Melodrama escolhida, a artista teve as melhores ideias. Os vídeos transmitem muito bem a energia da música e a atmosfera da ocasião em que foram gravados.

Lembro da primeira vez em que ela performou ao vivo aquela dança desajeitada e excêntrica. Fizeram comentários maldosos e acharam que Lorde não sabia dançar. Eu, por outro lado, fiquei hipnotizada pensando que aquela menina não estava preocupada se sabia dançar ou não. Ela estava se divertindo, sentindo suas músicas do jeito que queria, e estava confortável ao fazer isso na frente do mundo todo. Essa mesma dança não fica de fora dos clipes de Melodrama e nem das performances para a Vevo: virou sua marca registrada. Ela continua se divertindo com o que faz, e colocando sua personalidade em cada faixa. Lorde coloca “um megafone em seu peito, transmite as batidas e faz todos dançarem”.


marina moregula

estudante de Jornalismo de 20 anos. aquariana, feminista, curiosa, distraída e apaixonada por contar histórias.

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