Um manifesto sobre reconhecimento e exaltação

Um Manifesto Sobre Reconhecimento E Exaltação

Após lançar cinco álbuns, o último há quase dois anos com releituras de grandes sucessos de Marisa Monte, Lúcio Silva de Souza, popularmente conhecido pelo nome artístico Silva, se mostra novamente com o novo disco Brasileiro, uma libertação do artista que começou a carreira musical apostando na influência gringa que marcava o seu som. O projeto, acompanhado de referências em artistas nacionais, explora os sons próprios do Brasil e a brasilidade do cantor, com o uso principalmente do violão que determina a melodia das 13 músicas, acompanhado da voz e da percussão. Seu novo trabalho ainda conta com a parceria com seu irmão Lucas Silva, além de artistas como Arnaldo Antunes, Ronaldo Bastos e Dé Santos.

Com uma voz leve e romântica, o cantor de 29 anos reencontra suas raízes e apresenta um material mais maduro e honesto, com inspirações em elementos e produções marcantes da cultura brasileira, como a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias e o livro O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro. Desde canções como Nada Será Mais Como Era Antes que inicia o álbum com um discurso forte de questionamento ao povo brasileiro, a Brasil, Brasil, vemos um artista que caminha pela política e pelo cotidiano para propor uma maneira positiva de lidar com a nossa realidade e expor os desafios de ser brasileiro nos dias de hoje.

‘‘Olha só, olha só
Derrubaram a palmeira do bicho
Bob diz, tudo bem
Nunca vi um sabiá por aqui

Eu já me perguntei
Como a gente vai ser brasileiro
Não abrace o desdém
Muita gente não gosta daqui’’

As faixas, disponibilizadas nas plataformas digitais, e o disco, lançado pelo selo musical Slap, trazem um visual poético que traduz para a arte, toda a realidade brasileira. Inclusive, todas as imagens do álbum são de ruas e lugares reais do país, ultrapassando as produções de estúdio, comuns em muitos trabalhos, para deixar falar o olho comum, a rua e as belezas naturais. O primeiro single divulgado iniciando a nova fase do artista, intitulado A Cor É Rosa mostra Silva desbravando sua cidade natal Vitória, no Espírito Santo. As várias cenas e paisagens da capital são o cenário do clipe, evidenciando assim, a aposta no próprio país e, acima de tudo, na exaltação das belezas da própria cidade, admirada pelo artista e pouco explorada no Sudeste, região famosa pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Outro destaque é Fica Tudo Bem, uma parceria inusitada com a cantora Anitta, a maior artista pop nacional da atualidade, trazendo toda a sua herança cultural para somar a diversidade do álbum. A canção encanta e cativa ao falar sobre o amor de uma forma atraente, promovida pela harmonia da união dos dois músicos. Além disso, o clipe apresenta uma história visual de um casal próximo, contada aos poucos, a medida que vão tentando construir novamente sua relação e o amor existente entre ambos, enquanto o tempo demarca a trajetória.

Dessa forma, o cantor deixa a timidez de lado e inova ao apresentar um disco eclético e com uma sonoridade mais pop, na tentativa de trazer ao público uma identidade cultural que é nossa e ainda, a riqueza de nosso povo. Silva deixa claro que não tem medo das novidades ao apresentar um trabalho que ultrapassa os clichês e temas batidos da música, trazendo assim um lugar de fala seguro e sem modelos.

Vemos emergir um artista versátil que passa pelo MPB, samba e bossa nova, apoiado ao pop para trazer um discurso de amor, sua marca registrada, e celebração dos elementos naturais e do país de origem.

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Silva termina o álbum cantando “Brasil, Brasil / Onde é que fica o Brasil? / Brasil, Brasil / Quem conhece o Brasil? / Ouvi dizer / Que é um lugar bem bom pra se morar / Quem mora lá / Não quer nem viajar’’, mostrando a cara e a harmonia do Brasil para quem quiser ouvir. Afinal ser brasileiro é ver o lado bom da realidade e lidar com os desafios da melhor maneira possível. Algo que a música do cantor faz muito bem.


mike faria

aspirante a Jornalista, apaixonado pela liberdade da escrita e poder da leitura. praticante de natação nas horas vagas, encontrou na Cultura o melhor lugar para se expressar.

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