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The Carters: A Parceria Afirmadora De Beyoncé E Jay-Z

The Carters: a parceria afirmadora de Beyoncé e Jay-Z

Dois anos após lançar seu último álbum LemonadeBeyoncé liberou de surpresa um novo trabalho juntamente com JAY Z, seu parceiro na vida e nas turnês. Tendo em vista o início da turnê mundial On The Run Tour II, o projeto conjunto ganha o nome de Everything is Love (em português, Tudo é Amor). A proposta do The Carters, como são chamados no material, é trazer consigo músicas que tratam da fama, do poder, do sucesso, da riqueza, mas, principalmente, do amor que mantém os dois unidos e mais fortes do que nunca.

A dupla ultrapassa as confissões da vida e do casamento presentes no Lemonade e o arrependimento em forma de resposta presente no 4:44, último álbum solo lançado por JAY Z, para se mostrarem realmente juntos, seja no amor ou para mostrar que a cultura e os indivíduos negros merecem também espaço e reconhecimento. Nesse sentido, o disco aposta nas questões sociais como a cultura negra para trazer, assim, um discurso empoderado que expõe, para quem quiser ouvir, os desafios e o orgulho de ser negro. Uma grande e desafiadora reflexão para a realidade da população negra nos EUA, diante aos inúmeros acontecimentos de violência ocorridos no país, principalmente nos últimos tempos.

Para marcar a estreia do disco, a música Apeshit ganhou clipe gravado no Museu do Louvre, em Paris,totalmente vazio, marcando apenas a presença dos dois como ícones da cultura pop contemporânea em meio as obras de arte que servem como pano de fundo. Em uma proposta audiovisual inovadora, o casal aparece em meio a diferentes esculturas e obras, como a Monalisa, trazendo ainda performance de dançarinos negros para mostrar que eles também merecem espaço nos grande palácios e galerias como o Louvre, ambiente reconhecido por expor a arte ocidental e ocupado quase totalmente por brancos e pessoas de classe alta, sejam elas artistas ou visitantes.

O fato é que, desde Summer até Lovehappy, passando por Black Effect, possivelmente a música que traz o discurso político mais forte de todo o álbum citando Malcolm X, Beyoncé e JAY Z trazem consigo a afirmação da dupla como as personalidades mais influentes da música no mundo atual e fazem questão de provar isso nas letras. Temas como a humanidade e a herança cultural dos dois como artistas conduzem as letras cantadas principalmente pelo rap, ritmo que domina o disco.

Em Boss por exemplo, o casal exalta sua riqueza e ostenta sem pudor por tudo que conquistaram e o tornaram poderosos e ainda celebram o fato de que os efeitos disso trará mais negros na lista da Forbes. A faixa encerra com Blue Ivy fazendo questão de saudar os irmãos gêmeos, os mais novos integran tes da família, Rumi e Sir, como forma de fazer todos presentes no trabalho. “Um salve para Rumi e Sir, com amor, Blue“.


ARTPOP

A medida que se voltam contra a ordem social, política e cultural estabelecida e ressignificam o museu mais visitado do mundo, os Carters alcançam realmente o ARTPOP. O conceito introduzido por outros artistas na música não ganhou tanto destaque e acabou por se restringir a alguns clipes coloridos, vestidos estampados com obras famosas e rostos pintados.


Durante o videoclipe de Apeshit, enquanto o casal exprime seus rancores de forma indiferente e sem qualquer insegurança, citando o Grammy e o Super Bowl e falando de dinheiro, a cena é composta por grandes obras de arte que contribuem para imagens que tornam-se icônicas. A partir daí o casal traz para a cultura popular todo um acervo admirado pelo valor artístico e transformam o lugar de fala ao cantarem “Eu não posso acreditar que fizemos isso” em meio as obras.

Certamente, Beyoncé e JAY Z representam o verdadeiro ARTPOP, sendo que transferem para a cultura popular o luxo da arte e fazem dela um elemento comum, naturalizado por eles e pelo público que passa a ver tais figuras mais próximas e comuns. Afinal, não há forma melhor de atrair o público que impactar ou agradar os olhares de quem vê. Dessa forma, acabam por ressignificar a si próprios ao se legitimarem como as verdadeiras obras de arte do clipe, bem como os dançarinos. A dupla consegue desviar a atenção toda para eles, enquanto, por exemplo, a Monalisa, a escultura grega Vitória de Samotrácia ou a pintura Coroação do Imperador Napoleão aparecem ao fundo das cenas – presentes, porém tímidas, em segundo plano.

 

Seja no Louvre, no Grammy ou no Super Bowl, o fato é que Beyoncé e JAY Z conseguiram mais uma vez, por meio de um discurso relevante, provar sua força e a influência que possuem. Juntos, usam desse mecanismo para alcançar seus objetivos e defender seus interesses e ideais. Mais uma vez venceu o amor. Mais uma vez venceu a música.


mike faria

aspirante a Jornalista, 20 anos, apaixonado pela liberdade da escrita e poder da leitura. praticante de natação nas horas vagas, encontrou na Cultura o melhor lugar para se expressar. fora isso, só o Temer!

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