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“Batidão Tropical”: a dor e a delícia da diversidade na música 

[tempo de leitura: 4 minutos]

“Batidão Tropical” renova ritmos como o tecnobrega e o forró e, nas mãos de Pabllo Vittar, deixa claro que há espaço para todas as comunidades no universo musical.


HHá algum tempo, você ligava o rádio ou entrava nas plataformas de música e estava lá: a dupla sertaneja, a cantora de axé, o grupo de pagode, cada um no seu quadrado, defendendo o próprio gênero e influências.

Alguns anos depois chegamos em 2021. A diversidade é assunto forte nas empresas, na televisão, nas ruas, casas e, sem dúvida, na música. Artistas estão cada vez misturando ritmos, apostando em parcerias inusitadas e trazendo vivências antes invisibilizadas no meio musical popular.

Essa é uma tendência sem volta e podemos provar. O recente lançamento de Pabllo Vittar, Batidão Tropical, aposta no tecnobrega e forró enquanto estilos e mistura referências, enquanto explora as experiências amorosas de uma drag queen.

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São muitas as reações e uma certeza: quando abrimos a seleção de canções, nos dias de hoje, a mistura é muito rica e as identidades artísticas plurais. É a música refletindo a sociedade.

SUCESSO
Com Batidão Tropical, Pabllo Vittar alcançou a maior estreia de um disco solo pop brasileiro na história do Spotify. O quarto trabalho de estúdio da cantora também se tornou a maior estreia de um álbum brasileiro em 2021, a segunda maior estreia geral deste ano no Spotify, e a terceira melhor estreia de um compilado brasileiro na história da plataforma!

 

DIVERSIDADE MUSICAL

Não é de hoje que temos conhecimento da riqueza cultural brasileira, mas esse aspecto refletido de forma tão mista na música é ainda recente.

São muitos os casos de cantores sertanejos se unindo com artistas do funk, ritmos “novos” atingindo repercussão nacional (como a Pisadinha), e músicas com traços regionais viralizando nas danças de aplicativo (“Carpinteiro”, corre aqui).

Mais do que isso, estamos diante de um movimento transformador. Artistas de todos os tipos, tribos e sexualidades estão trazendo suas histórias, relações para as letras e conquistando muitas pessoas, até então, “sem lugar”. E quando trago essa última expressão, me refiro aos ouvintes que, muitas vezes, gostavam do som de certa canção, mas não se identificavam com a mensagem, muito menos com a artista.

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Isso mudou. Profissionais LGBTIQIAP+, negros, nordestinos, com o impulsionamento do meio digital e a maior facilidade de lançar vídeos na internet, por exemplo, estão se aproximando do público e mostrando outros lados da realidade que não eram gravados musicalmente. 

É o triunfo da coragem, a consagração da maior presença de corpos e perfis diversos nas ruas, na mídia, nas produções audiovisuais. Enfim. É um caminho sem volta. Quem não gostar, é só trocar de música — mas esses artistas estão aqui para ficar.

 

BATIDÃO TROPICAL

Junho, mês do Orgulho LGBTIAP+ e do Dia de São João, é impactado por um lançamento: Batidão Tropical, quarto disco de estúdio de Pabllo Vittar.

Artista pop, drag queen, nordestina, Vittar resgata suas origens, sons que acompanham sua infância e adolescência, e entrega nove faixas que passeiam por suas experiências amorosas.

“É como se eu pegasse o Norte e Nordeste, colocasse em um pedestal e mostrasse para o Brasil e o mundo verem o tanto que é rico e plural“.

— PABLLO VITTAR EM ENTREVISTA PARA O G1.

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Capa do álbum

Batidão Tropical baseia-se no forró e tecnobrega para homenagear também grupos marcantes para a artista. Dentre todas as músicas, Ama Sofre Chora, Triste com T e A Lua são inéditas, enquanto as outras seis são regravações das bandas Companhia do Calypso, Banda Ravelly e Banda Batidão.

Dessa forma, Pabllo propõe um processo de reciclagem de gêneros, provavelmente, pouco ouvidos por seu público, e o aproxima de sua vida ao trazer referências musicais marcantes e especiais para ela.

O maior ganho do trabalho é envolver músicas símbolo do forró com a pegada moderna e descolada da artista, investida que combina bem com as três músicas inéditas e transforma o álbum no mais harmônico de sua carreira. Vittar escolhe, de certa forma, um ambiente seguro ao regravar para o Batidão Tropical faixas já conhecidas pelo público nordestino/nortista, mas impressiona ao colocar uma nova roupagem que ultrapassa gerações e insere a sua identidade em ritmos não tão populares na Região Sudeste.

“Queria de alguma forma exaltar realmente a minha origem, a minha cultura, o Maranhão, o Pará e todas as adjacências que consomem essa cultura”.

A partir de agora, quando escutarmos uma batida de forró ou tecnobrega poderá ser uma banda do Nordeste sim, mas também a Pabllo Vittar provando que diversidade é mais que quantidade apenas, mas também as possibilidades de nos expressarmos, na música e na vida.

mike faria

Conectado com a potência das narrativas e a sensibilidade social encontrou no Jornalismo o melhor lugar para se expressar, junto a prática de natação nas horas vagas e as distopias para lidar com a realidade.

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