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Os 40 De John Mayer

Os 40 de John Mayer

Ao completar 30 anos, John Mayer descansava da turnê com um de seus álbuns de maior sucesso, “Continuum”. 10 anos depois, entrando na casa dos 40, o artista aterrissou no Rio de Janeiro para uma série de shows da turnê de seu álbum mais pessoal, o recém-lançado The Search for Everything.

O sétimo disco do cantor, apesar de não ter agradado os fãs quanto seus primeiros sucessos, é considerado uma obra de arte pessoal. John Mayer, em diversas entrevistas e anúncios, afirma que as últimas músicas lançadas compõem o álbum mais pessoal e humano que ele já escreveu. Diferentemente do estilo que levava no começo de sua carreira, o cantor e compositor norte-americano resolveu trocar o álcool pela maconha e se basear mais em seu desenvolvimento pessoal do que os relacionamentos turbulentos que estamparam capas de revistas e o rotularam erroneamente. Apesar de seus maiores sucessos serem, em sua maioria, dos primeiros discos, seus fãs não deixaram de acompanhar e cantarolar suas melodias, mesmo com a mudança de estilo nos últimos três álbuns. Essa tal mudança pode ser facilmente explicada pelo seu hiato devido a um granuloma nas suas cordas vocais. Por mais de um mês, John teve que ficar em completo silêncio, sem poder falar, tendo que digitar em um iPad para poder conversar, e apontar seus pedidos nos cardápios de restaurantes.

Durante os 2 anos em que ficou sem aparecer publicamente, o álbum Born and Raised, que havia sido gravado antes do diagnóstico, foi lançado e atingiu o topo de diversas paradas rapidamente, enquanto o cantor recebia doses fortíssimas de Botox em suas cordas vocais, uma tentativa de cura mais rápida que o normal, para que ele pudesse voltar aos palcos e divulgar seu novo disco. Já que não podia performar e gravar novas músicas, John, natural de Connecticut, decidiu viajar pelos Estados Unidos e apenas ver e ouvir, quando se apaixonou por uma cidade no estado de Montana e decidiu se basear por lá. O álbum possui uma pegada diferente dos primeiros, com uma grande influência do country e clássicos estilos americanos. Ao que tudo indica, mesmo antes de sua pausa, John Mayer já estava em uma reforma de estilos como músico. Com toda essa transição e fase espiritual, nasceu um novo John Mayer, que se preocupa cada vez menos com os tabloides e mais com si mesmo.

Em Paradise Valley, álbum que escreveu durante seu afastamento da mídia, é possível sentir não só a influência do country já citada, mas também um estilo blues, mais intimista e acolhedor. Ao ouvir o disco, é quase como se estivéssemos sentados na varanda com John Mayer em sua nova casa em Montana, apreciando a vista das montanhas. Como o próprio autor comenta em sua entrevista à rádio NPR, “eu não sei como conciliar a vida de músico com a vontade de ser um cara que adora ficar em casa”.

 

World Tour

No tal álbum “mais pessoal e humano de sua vida”, John volta às raízes do início da sua carreira, com letras nostálgicas e a famosa pitada de blues que só ele consegue ter. Um novo formato de show também é posto à prova: com a duração exata de 2 horas, o show é divido em 4 capítulos. O cantor afirma que esta turnê é dedicada à “geração Netflix”, e montou um show de tal forma que o fã não se sinta cansado. Em sua entrevista ao portal UOL, Mayer diz aos fãs que “vocês não vão ver um show de duas horas, mas vocês vão ver quatro shows. A ideia é que quando o show acabar, vocês não percebem o quanto ele demorou. Eu saio do palco, entro novamente e é como o relógio voltasse ao zero”.

No último dia 20, o artista se apresentou em Belo Horizonte, e, mesmo sem tocar muitas músicas queridas, não deixou a desejar. O highlight do espetáculo foi durante a apresentação de Who Says, em que o cantor substituiu a cidade Austin da letra por nossa querida capital: “It’s been a long time in Beagá too…”. No primeiro capítulo do show, intitulado “Full Band”, sucessos como Belief, Helpless, Love on The Weekend e Who Says foram cantados em altíssimo volume pela plateia mineira. Já na segunda parte do show (“Acoustic”), músicas muitas vezes pedidas pelos fãs agradaram a todos: o cover de XO, da Beyoncé, e Stop This Train, que foi recebida aos gritos e aplausos já na primeira nota do violão.

O terceiro e tão esperado capítulo, o “Trio”, leva ao palco apenas John Mayer, o baixista Pino Palladino e Steve Jordan, baterista que completa o trio de blues mais querido dos Estados Unidos. Mesmo tocando apenas três canções, os músicos foram muito bem recebidos e aplaudidos no final do capítulo. Para finalizar o show, o “Full Band – Reprise” trouxe sete músicas, sendo duas delas os incríveis sucessos Slow Dancing in a Burning Room e Gravity.

 

In Memory of Rafael

Rafael Brandão

No domingo anterior ao show, a vida de Rafael Brandão, estudante de jornalismo da PUC Minas foi tomada em um acidente de moto. Rafael, amante da música e grande fã de John Mayer, foi homenageado, mesmo que não publicamente, pelo cantor. Uma mobilização foi levantada nas redes sociais para que o artista homenageasse Rafael no palco, com a música Slow Dancing in a Burning Room, a preferida do estudante.

O artista fez questão de receber em seu camarim, antes de começar o espetáculo, a irmã e namorada do homenageado, e conversaram sobre ele, a música, e tudo aquilo que ela proporciona. John também explicou que não faria uma homenagem específica no palco para Rafael uma vez que recebe pedidos como este em todas as cidades que passa, e por isso prefere não se comprometer.

O tributo pessoal, no entanto, foi recebido com muito carinho por todos os amigos e parentes de Rafael que estavam presentes na Esplanada do Mineirão, todos vestindo camisetas com a hashtag #INMEMORYOFRAFAEL.


victoria cunha

libriana ao máximo, sonha alto e won’t take no for an answer. com 21 anos nas costas, tem três intercâmbios no histórico, e é apaixonada por design e turismo, tendo unido os dois para abrir sua própria empresa.

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