O Mundo Precisa De Mais Madonnas

O mundo precisa de mais Madonnas

Se não fosse por Madonna, os conceitos de dança, ritmo e performance estariam estagnados à simplicidade. Questões como a liberdade sexual e religiosa talvez nunca se tornariam temas de grandes hits e videoclipes. A cantora reinventou o mundo da música pop com suas danças e letras carregadas de simbolismos e, com seis décadas completas de vida, ainda é referência mundial.

A dança à lá Madonna é considerada um marco da ascensão da cultura pop dos anos oitenta. Carregada de simbologias, ela representa a liberdade de expressão e o grito das minorias em busca de direitos iguais. As performances pouco dignas da família tradicional norte-americana exercidas pelos dançarinos, abusavam de movimentos ousados e eróticos, simbolizando, sem o menor pudor, o ato de rebelar-se contra o conservadorismo da época.

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Durante a Rebel Heart Tour, turnê mundial mais recente de Madonna, alguns postes de pole dance em formato de cruz foram colocados no palco, onde as dançarinas da cantora, vestidas de freiras sexy (apenas de lingerie e a manta que cobre o cabelo) faziam as acrobacias ao som de “Holy Water”, uma música que fala sobre sexo oral

Sexo, religião e amor são palavras-chave presentes nas letras de Madonna. A abordagem de temas considerados taboo para a época – crítica ao fanatismo religioso e a expressão da  liberdade sexual – fizeram da cantora uma das artistas mais polêmicas das décadas de 80/90.

Sempre ligada aos movimentos sociais da época, exaltando a luta pelos direitos das mulheres, dos negros e principalmente da comunidade queer, Madonna também sempre se posicionou contra a questão das perseguições religiosas em torno do mundo. Na música Forbidden Love, de 2005, a cantora aborda sobre dois personagens que vivem uma paixão proibida por diferenças étnicas.

O termo strike a pose (“Faça uma pose”, em tradução literal) é uma das expressões mais ilustres já ditas pela Rainha. O termo surgiu pela primeira vez na letra da música Vogue, em 1990, e indica que tudo vai ficar bem se você apenas relaxar e fizer uma pose – a palavra seria uma metáfora para levantar a cabeça e ser forte. A partir de então, a expressão foi usada como símbolo de resistência para reforçar o grito pela liberdade da comunidade LGBTQ+.

A reivindicação pelo direito de existir e ocupar espaço expressou-se também nas roupas usadas na arte da Madonna. Figurinos exóticos, carregados de brilho e glamour, são vestidos pelos dançarinos não importando o gênero, reforçando a ideia dos corpos Queer, com o Gender Bending e Gender Fluid (termos que explicitam a quebra da ideia de roupas de gênero, usando peças tanto femininas quanto masculinas). Todos esses looks chamam a atenção, causando incomodo aos conservadores e reafirmando o conceito de ocupar um espaço que é seu por direito, não importando o gênero, raça e crença.

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A força de Madonna é indiscutível. Sua carreira ajudou a dar forma ao mundo pop como conhecemos hoje, insirando inúmeras cantoras em diversos gêneros, fazendo do seu título de Rainha do Pop muito mais do que merecido

Com tamanho ativismo, não é de se espantar que a cantora tenha sofrido, ao longo da carreira, com muitas críticas e comentários agressivos pelas ideias que defendia. Porém, mesmo sofrendo com a crueldade que perpetua no mundo das divas pop, Madonna não se intimida e segue reivindicando os direitos das minorias e da liberdade artística. Aos sessenta anos, ela mostra que a luta sempre continua e que o amor vencerá – e é por isso que nós precisamos de mais Madonnas.


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nathália cioffi

estudante de Jornalismo, feminista e amante de vinhos.

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