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Os 30 anos da Canário Supremo

[tempo de leitura: 7 minutos]

Mariah Carey completa três décadas de uma carreira prolífica, que a tornaram uma das cantoras de maior sucesso da história da música.


II came to have a party!* A primeira frase de It’s Like That, um dos maiores sucessos contemporâneos de Mariah Carey, é a abertura perfeita para comemorar seus 30 anos de carreira. A cantora nova-iorquina começou durante um período chave para a música mundial, rapidamente se tornando uma das maiores artistas de sua época e servindo de inspiração para inúmeros outros que a sucederam, ainda estabelecendo tendências que se tornaram regras no mundo pop e garantiram a ela inúmeros prêmios, reconhecimentos e, porquê não, memes de respeito.

Falar de Mariah Carey é ser um pouco repetitivo. Ao longo de 30 anos, são 15 álbuns marcados, em sua maioria, pelo sucesso comercial e aclamação crítica, especialmente por seu talento lírico e técnica vocal. Três décadas que resultaram em cinco Grammy Awards, uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood e um espaço no Hall da Fama dos Compositores.

Mas falar de Mariah Carey é também falar de seus dramas e de sua importância para o mundo da música.

 

Ano 1

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Mariah Carey começou sua carreira em 1990, um período em que a internet comercial de alta velocidade era apenas o vislumbre de um filme de ficção. Em 1990, as rádios ditavam as tendências do mercado e eram o principal fator de peso na contagem das paradas. Em 1990, as gravadoras ainda comercializavam fitas e CDs físicos dos singles de seus artistas. Em 15 de maio de 1990, Carey lançava o seu primeiro single, sucedido em apenas um mês (12 de junho de 1990) pelo seu álbum de estreia. Ambos, sucesso de vendas, público e crítica.

Vision of Love foi um sonho que deu muito certo, catapultando Mariah Carey para o topo das paradas e dando ao seu single de estreia o primeiro #1 de sua vida profissional. A música, que já mostra o seu registro de apito (whistle) que viria a ser uma marca registrada em sua carreira, fez história, sendo reconhecida como a popularização do uso de melismas (basicamente, a capacidade de alternar as notas em uma única sílaba) e garantindo à cantora seu primeiro Grammy Awards, na categoria Melhor Performance de Pop Vocal Feminino. Sozinha, a música vendeu um milhão de cópias.

A faixa é o carro-chefe de Mariah Carey, primeiro álbum da cantora. Marcado por baladas e na mistura do R&B e Pop, Carey foi positivamente criticada pela sua técnica vocal, recebendo alguns feedbacks negativos pela suas letras. Mesmo assim, Mariah Carey ficou no topo da Billboard, maior parada musical do mundo, durante 11 semanas consecutivas, vendendo 15 milhões de discos mundialmente. Com cinco singles, o compilado gerou para Mariah seus primeiros quatro #1, mostrando a força da cantora e indicando a sua possível permanência “vitalícia” no mercado musical.

 

Década 1

Entre 1990 e 2000, Mariah Carey viu sua carreira atingir dois extremos. A década começou com o sucesso do Mariah Carey, sendo seguido por um topo de parada após o outro. Dos sete álbuns lançados, quatro foram #1, com os outros três figurando no Top 5. Dos quase 30 singles, Carey colocou pelo menos uma música por ano no topo das paradas, resultando em um total de 15.

A década é marcada por uma das maiores controvérsias da música, quando Mariah se divorcia, em 1998, de Tommy Mottola, então presidente da Sony Music. O casamento, que durou cinco anos, é marcado por uma gigantesca cerimônia nos moldes de uma princesa, chegando ao fim com as polêmicas de manipulação emocional, devido a personalidade controlada de Tommy, e diferenças criativas.

O conturbado relacionamento foi categorizado pela cantora como uma “prisão”, com Tommy reagindo à fala confirmando que havia um fator obsessivo de controle. Ainda, há a “lenda urbana” de um boicote massivo feito por Mottola após o divórcio, como tirar dela a oportunidade de gravar a música-tema de Titanic, My Heart Will Go On, dando a música para Céline Dion. O empresário ainda é centro de uma das maiores controvérsias (e memes) da carreira de Carey: sua pública antipatia para com a “desconhecida” Jennifer Lopez (I Don’t Know Her!), que passa a ser a favorita de Tommy logo após o fim do relacionamento e é usada principalmente como uma cantora para bater de frente com o sucesso constante de Mariah.

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A primeira década, no entanto, garante a Mariah Carey dois pontos fundamentais em sua carreira: o whistle como sua marca-registrada (dando-lhe o título honorário Canário Supremo) e o título de Rainha do Natal. O título vem em decorrência de um de seus maiores sucessos: a música All I Want for Christmas Is You, que eventualmente se torna a música-tema extra-oficial dos Natais ao, anualmente, retornar às paradas musicais de todo o mundo. Parte do álbum Merry Christmas (1994), a faixa, embora extremamente famosa desde seu lançamento, nunca foi capaz de alcançar o topo de Billboard, quebrando essa “regra” apenas em 2019, 25 anos após o seu lançamento.

 

Década 2

Com uma das carreiras mais bem sucedidas da época, o início dos anos 2000 é uma época conturbada em sua história – ao mesmo tempo em que muito importante e revolucionária. Ainda sofrendo as consequências de seu divórcio com Mottola, Mariah Carey deixa então a Sony Music, assinando um contrato milionário (US$ 100 milhões) com a Virgin Records. O negócio, no entanto, é rapidamente cortado pela metade (e eventualmente anulado, levando à Island Records) quando a cantora começa a sofrer, fisicamente e emocionalmente, as consequências de seus anos casadas.

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Capa da trailha sonora de “Glitter”

Carey passa então por um período de grande estresse emocional e psicológico, que a levam até mesmo a uma lenda urbana sobre a tentativa de um suicídio, além de hospitalização. O início do ano 2000 é marcado por enigmáticas e curiosas mensagens de áudio feitas por Mariah e postadas em seu site oficial, onde ela relata seu estado de espírito e estar passando por um momento doloroso de realizações. Paralelamente, suas aparições públicas vão ficando mais inconsistentes, levando a mídia a apontar o comportamento errático da cantora.

Para piorar, em 2001 temos o que é, possivelmente, o pior momento da carreira de Carey. A cantora, que debutaria como atriz em um filme estrelado por ela, vê Glitter: O Brilho de uma Estrela (longa e trilha sonora) se tornar um completo fiasco financeiro e crítico – atualmente, o álbum está sendo constantemente revisado pela crítica especializada, citando o que os fãs já apontavam há muito tempo: a injustiça ao compilado. Mas, mais importante, o evento ainda sofre pela fatídica data de lançamento (11 de setembro de 2001), colocando a cantora em um breve período de ostracismo.

A segunda década, no entanto, é fortemente marcada por um movimento que Mariah Carey é reconhecida como a principal responsável pela popularização: os featurings entre a música pop e o mercado do Hip-Hop. Tal segmentação, iniciada timidamente em 1997 com o álbum Butterfly, leva Carey a colaborar com grandes nomes como Snoop Dogg, Busta Rhymes, Jay Z, fazendo inúmeros outros artistas começarem a fazer o mesmo e encontrar o mesmo sucesso que a nova-iorquina. O movimento acabou se incorporando completamente na música pop, tornando esse tipo de colaboração comum e quase que necessária para a continuidade do gênero.

Os anos 2000 também traz um dos maiores sucessos da Mariah Carey. The Emancipation of Mimi, lançado em 2005, tornou-se um álbum-registro da cantora, devolvendo-lhe o sucesso mundial após uma sequência de sucessos tímidos ou fracassos. O disco gerou cinco singles, dois deles #1, incluindo o estrondo sucesso We Belong Together – que, de acordo com a Billboard, é a Música da Década 2000. Emancipation, que ficou no topo das paradas por 14 semanas acumuladas, vendendo mais de 10 milhões de cópias globalmente, é considerado um dos melhores compilados de Carey, em um conceito que prega a sua emancipação e devolve a ela o status de diva – e ainda populariza o seu apelido, Mimi.

 

Década 3

Após o sucesso de The Emancipation of Mimi (e, sucessivamente, E=MC²), Mariah Carey vê sua carreira encontrar um novo baixo. Com a imensa popularização da internet e o surgimento de uma nova geração de cantoras pop, além de um novo ciclo na própria música pop, Carey vê uma dificuldade em navegar nesse novo mercado, com seus lançamentos não atingindo um excelente retorno comercial ou crítico, como previamente (e recentemente) visto.

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Sem conseguir emplacar uma única música, Mariah lança seus últimos dois álbuns dentro da Island Records e migra para a Def Jam Records, onde lança apenas uma produção antes de migrar novamente e assinar com a Epic Records. Na nova casa, Carey lança o Caution (2019), um de seus melhores álbuns em anos, e o primeiro da década a receber aclamação crítica – que elogiam, principalmente, como a cantora parece reencontrar o seu eu antigo e adaptá-lo para o seu eu atual.

No entanto, por mais que, musicalmente, a década de 2010 seja marcada por uma queda na popularidade de Carey, a cantora se depara com uma realidade em que sua imagem e percepção pública atinge um pico de popularidade, graças a sua carismática presença online, fazendo dela o rosto de grandes memes da internet. Há o já citado I Don’t Know Her e as piadas geradas pelo o feud entre a cantora e o rapper Eminem, que afirma já ter namorado com a artista apesar dela negar o acontecimento. O relacionamento gerou algumas músicas de ambos os lados, como o sucesso da nova-iorquina Obsessed.

Ainda, por mais que suas produções atuais tenham sido incapazes de lhe gerar um topo de paradas, Mariah Carey vê sua carreira conseguir algo possivelmente inédito: o #1 de All I Want for Christmas Is You, com um atraso de mais de duas décadas. Com essa realização, Mimi desempata com Elvis Presley e se torna a (primeira e única) artista solo com o maior número de #1 na Billboard, em um total de 19 canções – ela perde apenas para os The Beatles, com 20 faixas. A cantora, por outro lado, possui a maior quantidade de semanas acumuladas na Billboard (82), a maior quantidade de anos consecutivos no topo (11), e até 2019, quanto Lil Nas X estourou com Old Town Road, era ela a artista com a maior quantidade de semanas consecutivas no #1 (16, contra os atuais 19 do jovem cantor/rapper).

Em trinta anos de carreira, Mariah Carey ajudou a construir a história da música pop e fez o seu próprio caminho, chegando aos 50 anos como uma das cantoras de maior sucesso do mundo. 25 álbuns e literalmente uma centena de singles fazem a jornada dessa cantora de baladas fortes, melismas, apitos e um lirismo inigualável. As visões de um sonho impossível se transformaram em um conjunto de diferentes emoções, que dão ao mundo composições altamente relacionáveis, empoderadas e cheias de memórias. E, novamente, como diz It’s Like That: abra o Bacardi, porque é a noite dela.


*Eu vim para fazer a festa!


PLAYLIST

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Vics

vics

tem 24 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas, com um MBA em Comunicação e Marketing. gerencia a revista e, ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta.

ao todo, já assistiu um total de 18 meses em Séries, cinco meses em Filmes e em uma década foram cerca de 25 meses em reprodução de Música.

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