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Drag, Diversão E Diversidade

Drag, Diversão e Diversidade

Existem muitas divergências em relação à história do nascimento do Movimento Drag, porém constata-se que ele surgiu há muito tempo atrás, por volta do ano de 1800 na Europa, através de encenações de peças teatrais. Isso tudo aconteceu porque os homens precisavam se vestir de mulher para representar personagens femininas, já que as mulheres ainda não tinham espaço no mercado de trabalho. E observa-se que, desde seu início, esse tipo de arte era subjugada e olhada de forma depreciativa.

James. St. James é uma das Club Kids originais e permanece como um ícone para toda a cultura

Mas, foi em 1900 que essa arte começou a realmente se associar ao movimento LGBTQ+. Os espetáculos, feitos pelas pessoas que se vestiam do gênero oposto, agora eram feitos apenas à noite e em áreas consideradas como de periferia e má reputação. Isso se atrelou à grande aceitação que as pessoas LGBTQ+ tinham nesses lugares e o movimento começou a se aproximar cada vez mais dessa minoria, sendo usado inclusive como forma de resistência.

Muitos anos depois, nos anos 80 e na cidade de Nova York, um outro movimento se iniciou com as raves e ajudou a cultura drag a crescer no ocidente – Os Club Kids. Os participantes desse movimento com mesmo nome, se encontravam nessas festas de música eletrônica de estilo único e incomum. Eles se vestiam de forma diferente e abusavam do glitter, das cores, das maquiagens, e exploravam um lado da androgenia e do irreverente. Eles mesmo faziam as suas roupas e criavam um tipo de personagem para incorporar durante as festas, bem parecido com o que as Drags fazem hoje em dia, com a única diferença de que estes faziam para a sua própria diversão, enquanto aquelas fazem isso para entreter. Sendo assim, as Drags foram muito bem recebidas dentro do movimento “Club Kid”, onde elas poderiam se expressar e explorar cada vez mais os personagens criados.

Foi a partir daí que essa cultura começou a crescer e a se diversificar. Uma das Drag Queens mais conhecidas do mundo, RuPaul Andre Charles – conhecida apenas como RuPaul, era um membro do grupo dos Club Kids. Inclusive foi ela, com seus álbuns, aparições na mídia e seu reality show RuPaul’s Drag Race, estreando em 2009, que popularizou essa arte e ajudou a inseri-la na cultura pop atual.

Garotas, liguem os motores e que a melhor mulher vença! O reality show de RuPaul, RuPaul’s Drag Race, virou um sucesso mundial: além de dois spin-off (um deles ainda no ar), o programa está a caminho de sua 10ª temporada

O reality show celebra as diferenças e explora de forma cômica e dramática a realidade das Drag Queens, colocando-as para competir umas com as outras, em desafios de passarela, costura, canto, dança, maquiagem, atuação, criatividade e, é claro, de lip sync – a famosa dublagem feita pelas drags em seus shows, com muita dança, interpretação e glamour. RuPaul tem sempre a palavra final no programa, valoriza a individualidade de cada uma e elimina uma a uma toda semana com a ajuda de uma banca de jurados, até que ela decida, ao final, quem é a próxima America’s Drag Superstar.

O programa fez com que muitas delas ganhassem fama, mesmo aquelas que não chegaram a vencer. Entre as mais relevantes e que obtiveram mais sucesso está Adore Delano, considerada a Drag Queen mais promissora do programa, já tendo ultrapassando a própria RuPaul em seguidores nas redes sociais, por exemplo. A participante da sexta temporada esteve no American Idol, desmontado, mas acabou ganhando a sua fama após a participação em RuPaul, quando fez um álbum intitulado Til Death Do Us Party, vendendo 5.000 cópias em sua semana de estreia. Além dela, muitas outras participantes do reality lançaram músicas e saíram em turnês, sendo Sharon Needles e Courtney Act alguns dos nomes mais conhecidos entre os fãs.

Pabllo Vittar é uma das drags brasileiras mais conhecidas, já tendo sua fama reconhecida internacionalmente (inclusive por drags do Drag Race). No Brasil, ela é a dona dos hits “Todo Dia”, “K.O” e “Corpo Sensual”

A cultura drag se espalhou pelo mundo todo e essa representação chegou com toda força até o Brasil. Pabllo Vittar é o maior exemplo disso, sendo uma das artistas brasileiras atualmente com mais relevância, não só nesse tipo de arte, mas também no cenário musical. Pabllo chegou, inclusive, a ganhar o título de “Clipe Original de uma Drag Queen mais visto do Youtube“, por Todo Dia, uma dos maiores sucessos do Carnaval 2017. O vídeo, no entanto, foi retirado do Youtube (assim como o single, de todas as plataformas de streaming) devido uma batalha referente aos direitos autorais de Rico Dalasam, que participa da música como featuring. Antes, o título era de ninguém menos que RuPaul, com Sissy That Walk.

Além dela, que possui um dos álbuns mais ouvidos do ano de 2017, também temos outras drags que vem se destacando no cenário nacional: Aretuza Lovi e Gloria Groove, por exemplo, são duas artistas que ganharam relevância após a aparição no programa Amor e Sexo, da Rede Globo, na qual Pabllo Vittar também participava. Ambas são cantoras e tem uma canção juntas intitulada Catuaba, que ultrapassa cinco milhões de visualizações no Youtube. Um outro nome que vem tomando os holofotes é Lia Clark, que possui um vídeo com mais de seis milhões de visualizações em parceria com a Mulher Pepita, intitulado Chifrudo.

Mais voltada para o Rap e Hip-Hop, Gloria Groove alcançou fama nacional em 2016. “Império”, um dos seus singles, já conta com mais de 5 milhões de visualizações, assim como sua parceria com Aretuza Lovi

O movimento Drag é muito diverso e se mostra muito maior do que música, maquiagem e roupas. As expressões e estilos são incontáveis e cada uma dessas artistas, em sua individualidade, representam em sua personagem algum conceito e pensamento a ser passado. A cultura drag, mesmo que atrelada aos movimentos LGBTQ+ e muito usada para resistência e visibilidade dessa minoria, não é exclusiva a ela. A maior confusão feita é na questão de identidade de gênero, que não tem nada a ver com a arte, que não se associa a nenhuma questão de sexualidade ou mesmo de gênero. Ou seja, qualquer um pode ser uma Drag Queen! Basta apenas ter muita criatividade, tempo para aprender e algo a dizer com essa personagem. A cultura é um enaltecimento à diversidade, à felicidade e à possibilidade de cada um fazer aquilo que bem entende, justamente para ser feliz e para fazer os outros a sua volta se divertirem.


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marcelo tosi

estudante de Publicidade e Propaganda e Administração. inquieto e curioso. canceriano. apaixonado por Cultura Pop, Música, Moda, Cinema e Entretenimento.

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