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O impacto de “Lemonade” cinco anos depois

[tempo de leitura: 4 minutos]

“Lemonade” celebra cinco anos como o trabalho de Beyoncé de maior impacto no pop e nas questões raciais na música.


B“Bitch, I’m back by popular demand”. Há (quase) cinco anos, em 23 de abril de 2016, éramos atingidos pela primeira vez por uma nova frase na carreira de Beyoncé. O marco serve de pontapé inicial para Formation, a música mais popular do Lemonade, sexto álbum de estúdio da cantora estadunidense.

A partir do orgulho negro e o “seu lado” das movimentações na vida amorosa, incluindo a traição de Jay-Z, a artista expõe suas dores e potências com firmeza, além de sonorizar o que todas as gerações precisam ouvir: chega de traição, racismo e machismo.

Lançado de surpresa (e liberado em todas as plataformas de streaming no aniversário de três anos do compilado), o disco logo conquistou o público e a crítica pela capacidade de mobilização e identificação. Profundo e bem construído, não conquistou o Grammy de Melhor Álbum, mas a sua relevância evidencia alcances maiores. Mesmo cinco anos depois.

 

LEMONADE

Sem estratégias de divulgação, Lemonade já chegou diferente. Era mais do que uma proposta comercial, mas sim o desabafo necessário de quem muito vivenciou e naquele momento, precisava colocar para fora. Ainda bem que Beyoncé escolheu fazer isso em forma de música.

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O material representa uma virada de chave na carreira de Queen Bey, como é conhecida entre fãs e as pessoas que a admiram. A cantora de Houston, no Texas, ganhou o mundo com sua personalidade artística marcante, as coreografias, a qualidade vocal, dominou as paradas e pistas de dança com Single Ladies, mas foi com o sexto disco de estúdio que Bey marcou de vez a cultura pop.

O discurso politizado na medida certa, misturado às provocações e recados ao marido Jay-Z e seus laços afetivos fora do casamento, fortalece as mensagens de denúncia que vão de Nova Orleans à reconciliação entre o casal. É uma espécie de diário em que ela registra sentimentos profundos e se liberta de limitações do casamento e do sistema social.

GRAMMY
Não posso aceitar este prêmio. A artista da minha vida é Beyoncé. O seu álbum Lemonade é tão monumental, tão bem concebido, tão belo e tão cheio de alma“, disse Adele ao vencer a categoria de Álbum do Ano no Grammy 2017. “O jeito com que você fez meus amigos negros se sentirem é empoderador“, destaca.

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Fato é que Beyoncé usa de sua relevância e influência construída nos campos pessoal e profissional para tratar de questões importantes e urgentes, tanto para as ruas como para quem a acompanha. Isso tudo sem perder os elementos estéticos e sensoriais usados no universo pop que enriquecem sua obra, desde as roupas até os cenários, passando ainda pelos gestos e expressões faciais.

 

RESGATE

Lemonade é o reconhecimento de vivências orgânicas, que estão acontecendo e por isso, sobretudo, precisam ser completamente compreendidas. O álbum é uma narrativa por inteiro, musical e, especialmente, visual, em que a comunicação não verbal por vezes fala muito.

A população negra é um dos destaques e a representação no álbum sonoro e visual refletem esse movimento. O povo negro aparece por completo, com sua cultura, manifestações, habilidades, longe dos estereótipos da mídia e do racismo.

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Acompanhada de personalidades como The Weeknd, Kendrick Lamar, James Blake e Zendaya, esses talentosos artistas ajudam Beyoncé a conduzir a história contada ali através de experiências — e não por quem ouviu falar ou conheceu pelo relato de alguém. Ainda, gêneros historicamente relacionados à cultura africana e não valorizados na sociedade norte-americana são incorporados pela cantora nas canções. O R&B, soul, jazz e o folk norteiam as faixas e sinalizam uma mudança de ritmo em relação aos seus trabalhos anteriores, focados nas baladas e batidas eletrônicas, por exemplo.

Também, o empoderamento feminino é encorpado na atmosfera do material. Seja nas coreografias, na disposição das dançarinas no álbum visual e apresentações ao vivo de músicas do álbum, ou nas letras certeiras, não há espaço para críticas vazias e posicionamentos superficiais.

Lemonade é uma mistura de tudo que precisamos ver e ouvir, em 2016 ou agora em 2021, após o movimento negro assumir os noticiários e debates nas casas, na internet. O álbum é memorável ao combinar pautas sociais, identitárias importantes com elementos pop, sem deixar a profundidade e sua personalidade característica de lado.

Ao terminarmos o álbum, a experiência musical e visual revela o orgulho de ser quem é. Se em algum momento de Lemonade Beyoncé pede a polícia para não matar mais o povo negro, no final a mensagem é clara: “Okay, senhoras, agora vamos entrar em formação”. E assim permanecemos até hoje, cinco anos depois.

mike faria

Conectado com a potência das narrativas e a sensibilidade social encontrou no Jornalismo o melhor lugar para se expressar, junto a prática de natação nas horas vagas e as distopias para lidar com a realidade.

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