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ADELE: Da Juventude à Maternidade

ADELE: da juventude à maternidade

Aos quatro anos de idade uma menininha loira encarava a família e os amigos cantando as mais belas canções em uma voz extraordinária, que transformava festas de quintal em um verdadeiro show. Adele foi presenteada com um talento maravilhoso desde seus primeiros anos, e aos 19 apresentou sua voz e suas composições poéticas em seu primeiro álbum.

Foto do ensaio fotográfico feito para promover o álbum “19”

Em 28 de janeiro de 2008, Adele lançou seu álbum de estreia intitulado 19. Desde a sua estreia o álbum foi aclamado pela crítica e foi um sucesso em vendas, vendendo até hoje cerca de 10 milhões de cópias pelo mundo.

O primeiro single do álbum, Hometown Glory, alcançou a 19ª posição da UK Singles Chart. O segundo, Chasing Pavements, atingiu a 2ª posição do ranking e a 11ª da Billboard Hot 100, tendo ainda conseguido entrar no Top 10 de outros cinco países. A impressão que ficou à época é que quanto mais o público conhecia a voz de Adele, mais se encantava e mais sucesso ela foi fazendo.

A artista foi extremamente criticada pelos tabloides de famosos por não se encaixar em padrões de beleza pré-determinados para uma diva do pop. Adele era uma jovem britânica acima do peso que poderia ter desistido da carreira devido a profundidade das críticas (algo comum para jovens cantores), mas ela não abaixou a cabeça e seu primeiro álbum estreou em #1, recebendo três certificações de platina no Reino Unido e dois Grammy Award.

Três anos depois, em 2011, ela lançou seu segundo álbum de estúdio, 21. Dele podemos destacar dois maiores sucessos: Rolling in the Deep, primeiro single do álbum, que fora divulgado ainda em 2010, alcançou o #1 na Bélgica, Alemanha, Itália, Países Baixos e Suíça, se tornou um dos dez maiores hits na Áustria, Dinamarca, Irlanda, Nova Zelândia e Noruega, além de vencer vários prêmios. Logo em seguida as rádios conheceram Someone Like You, composição que teve como fonte o fim de um relacionamento da cantora.

Com os dois primeiros singles lançados, a Official Charts Company anunciou que Adele era a primeira artista a alcançar, em vida, uma canção e um álbum como número um ao mesmo tempo na Inglaterra desde Os Beatles em 1964. Em julho de 2011, Someone Like You se tornou a primeira canção a vender mais de um milhão de cópias no Reino Unido esta década.

Em dezembro de 2011, 21 havia vendido mais de 3,4 milhões de cópias no Reino Unido e se tornou o álbum mais vendido do século, ultrapassando Back to Black de Amy Winehouse. Logo depois, o jornalista e autor Chas Newkey-Burden, escreveu a biografia oficial da cantora, que foi lançada em janeiro de 2012 pela editora LeYa.

Ryan Tedder, produtor que também trabalhou com Adele em 21, revelou em uma entrevista que em seu terceiro álbum, a cantora estava fazendo o melhor som em relação aos seus dois últimos álbuns, e que ela estava em seu melhor momento e continuava a ser sua artista favorita no mundo. Em janeiro de 2014, os compositores Phil Collins e Diane Warren, afirmaram ter escrito canções com Adele para o sucessor de 21.

Os anos passaram e os títulos dos discos de Adele significavam mais do que apenas números: a cantora estava crescendo, e a jovem de 19 anos que cantava sobre primeiros amores deu lugar à mulher de 25 anos de idade, que aprendeu a dizer adeus (como mostra a canção Send My Love) e a amar com maturidade.

Ao longo de sua carreira, Adele já contabiliza 147 prêmios ganhos em 301 indicações. Destes, 15 são do Grammy Award, a maior premiação de música do mundo

Em entrevista à Rádio BBC, a cantora revelou porque demorou tanto tempo para lançar um álbum: “Fiz um álbum sobre ser mãe, e era muito chato“, complementando que chegou a descartar todo o trabalho para começar do zero. Na entrevista, Adele também comenta sobre o tempo que passou cuidando do filho, Angelo, e como foi balancear a carreira e a maternidade, afirmando uma dificuldade em arrumar tempo livre, o que ocasionou um pouco da perda do hábito de compor.

Na mesma época de divulgação do título do 25Adele publicou em seu Twitter uma carta aberta na qual explicou um pouco o conceito do álbum novo. Segundo ela, 21 foi sobre uma desilusão amorosa e 25 fala sobre conhecer a pessoa que ela se tornou sem nem perceber.

Quando eu tinha sete, queria ter oito. Quando tinha oito, queria ter 12. Quando completei 12 tudo o que eu queria era ter 18. Depois disso, parei de querer ficar mais velha. Agora minto dizendo que tenho de 16 a 24 na esperança de ser convincente! Parece que passei minha vida, até agora, querendo que ela passasse rápido demais. Sempre desejando estar mais velha, desejando ser outra coisa, desejando que eu pudesse lembrar e desejando que eu pudesse esquecer também. Desejando não ter estragado tantas coisas boas porque eu estava assustada ou entediada. Querendo não levar tudo ao pé da letra o tempo todo. Desejando conhecer melhor minha bisavó e desejando não me conhecer tão bem porque isso significa que eu sempre sei o que acontece no final. Desejando que eu não tivesse cortado meu cabelo, desejando ter 1,70m de altura. Desejando ter esperado e me apressado ao mesmo tempo.

Meu último disco foi sobre um rompimento e, se eu tivesse que classificar este, diria que é um álbum fala de reatar relacionamentos. Estou fazendo as pazes comigo mesma. Compensando pelo tempo perdido. Compensando por tudo o que fiz ou pelo que nunca fiz. O que está feito, está feito. Fazer 25 anos foi um ponto de virada para mim, um tapa no meio dos 20 anos. Estar no limite entre ser uma adolescente em idade avançada ou uma adulta completa me fez decidir ser quem eu serei pelo resto da vida sem um caminhão de mudança lotado com minhas velharias. Eu sinto falta de tudo do meu passado, o bom e o ruim, mas apenas porque não posso voltar atrás. Quando eu estava lá, queria sair. Tão típico. Estou aqui falando sobre ser adolescente, sentar e falar bobeiras, sem ligar para o futuro, porque naquela época ele não tinha a mesma importância que tem hoje. Poder ser irreverente sobre qualquer assunto sem que haja consequências. Até mesmo seguir e quebrar regras… é melhor do que fazê-las.

O 25 fala sobre conhecer a pessoa que me tornei sem nem perceber. E me desculpem por demorar tanto, mas, como vocês sabem, são coisas da vida.

Com amor,
Adele

O primeiro single do novo álbum, “Hello”, foi lançado no dia 23 de outubro de 2015. Em poucas horas a música tornou-se um sucesso mundial, alcançando o topo de mais de 100 países, por meio da plataforma do iTunes. O álbum 25 também não ficou para trás, alcançando o topo na mesma plataforma em mais de 90 países.

 

Saúde e Vida Pessoal

Agora casada, Adele tem devotado sua vida aos cuidados de seu filho Ângelo, fruto de seu casamento com Simon Konecki. No final do mês de junho a cantora cancelou seus últimos shows da turnê do álbum 25. As apresentações estavam marcadas para acontecer no Reino Unido, lar da cantora e onde ela afirmava se “sentir mais confortável”.

Em carta escrita à mão, distribuída ao público e em seguida publicada em seu Instagram, Adele explicou suas motivações, que saíam da mera necessidade de focar na maternidade e envolviam motivos de saúde: desde sua segunda turnê, do álbum 21, realizada em 2011, a garganta da cantora sofre com o desgaste das apresentações. Na época, a tour foi encerrada mais cedo que o previsto e alguns shows foram cancelados por conta de sua cirurgia nas cordas vocais. Neste ano, o motivo é quase o mesmo.

Nem sei como começar. As últimas duas noites em Wembley foram os maiores e melhores shows da minha vida. Voltar para casa com tamanha reação [dos fãs] depois de passar tanto tempo longe fazendo algo que eu nunca achei que conseguiria me surpreendeu. No entanto, nessas duas noites tive dificuldades com a minha voz. Precisei me esforçar mais do que normalmente faço. Senti que precisava limpar minha garganta constantemente, principalmente ontem. Fui ver um médico nesta tarde pois minha voz não saía de maneira alguma e acontece que minhas cordas vocais estão machucadas. E por conta de conselhos médicos, simplesmente não posso me apresentar no final de semana. Dizer que estou completamente devastada seria óbvio. Já estou cheia de remédios para a minha voz. Considerei fazer o show de sábado, mas é muito improvável que eu consiga cantar as músicas e eu simplesmente não posso falhar na frente de vocês desse jeito. Estou tão desesperada para fazer os shows que considerei dublá-los só para estar com vocês. Mas eu nunca fiz isso e não poderia, nem em um milhão de anos, fazer isso com vocês. Não seria eu mesma no palco. Sinto muito. Sinto muito pela decepção de vocês. Sinto muito pelas noites que vocês teriam com os seus amados e pelas memórias que vocês teriam juntos. Sinto muito pelo tempo e dinheiro gastos para organizar suas viagens. Vocês sabem que essa decisão é séria. Fiz 121 shows e faltam dois. Dois! E são dois shows gigantes! Quem cancela um show no Wembley Stadium? Não chegar a este marco na minha carreira é algo com o qual estou tendo dificuldades para lidar e eu não queria estar escrevendo isso. Mudei minha vida drasticamente de todas as maneiras possíveis para poder fazer essa turnê que começou no início do ano passado. Não estou bem com o fato de não poder terminá-la. É como se toda a minha carreira estivesse sendo preparada para esses quatro últimos shows. Escrevo isso no momento em que a decisão foi feita, então não tenho mais informações, mas é claro que reembolsos estarão disponíveis se os shows não forem remarcados. Haverá mais informações nos próximos dias. Sinto muito. Estou devastada.

Sinto muito. Eu amo vocês. Sinto muito, me perdoem.

Foto release da tour “Adele Live 2016/2017”, em show realizado em Belfast, capital da Irlanda do Norte (Fotografia: Alexandra Waespi)

Agora a cantora entra em hiato indeterminado e deixa os fãs o temor de esse ser o fim. Entretanto, muitos fãs e críticos de música vêm afirmando categoricamente que mesmo que Adele não faça mais shows, sua carreira de estúdio seguirá firme e forte, com novos álbuns, singles de sucesso e mais prêmios que a cantora dá conta de carregar.


PLAYLIST



bruna nogueira

tem 22 anos, é jornalista, feminista, e viver para ler e contar histórias. com um senso de humor negro, faz piada de tudo e não passa um dia sem escrever.

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