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10 álbuns Para Explicar A Negritude No Brasil

10 álbuns para explicar a negritude no Brasil

A arte pode ser uma das principais formas de manifestação e resistência de um povo. Em um país como o Brasil, em que um jovem negro morre a cada 23 minutos, de acordo com o Mapa da Violência, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), isso não poderia ser diferente. Aproveitando o dia da Consciência Negra (20 de novembro), separamos 10 álbuns nacionais para retratar um pouco do que é ser negro no Brasil.


Galanga Livre

Considerado por muitos como um dos grandes destaques do ano de 2017, Galanga Livre, é o primeiro álbum do rapper Rincon Sapiencia, conhecido também como Manicongo. O material apresenta a história de Galanga, homem negro escravizado que, após matar o senhor de engenho, inicia uma fuga. Ao longo de 13 faixas, o disco também reflete a vivencia de pretos no Brasil atual e mostra a versatilidade do artista que passeia por vários ritmos. Vale lembrar que, com exceção da música Amores às Escuras produzida por Gambia Beats, Rincon produziu todas as canções do compilado. Já a coprodução e mixagem ficou por conta de William Magalhães, da Banda Black Rio.


Refavela

Lançado em 1977, Refavela, de Gilberto Gil, continua sendo um dos álbuns mais importantes para a música brasileira, em especial a música negra. O disco traz uma sonoridade fortemente influenciada por ritmos africanos. Isso porque a ideia de fazer o novo material surgiu durante uma viagem a Nigéria. Na ocasião, o artista se apresentou na segunda edição do Festival Mundial de Arte e Cultura Negra – FESTAC II. Importante dizer que, nesse evento, Gil conheceu o musico, multi-instrumentista e pioneiro do Afrobeat, Fela Kuti.


Esú

Um mergulho na religiosidade, conflitos, autoafirmação e revolta. Esses são alguns elementos que marcam o álbum de estreia do rapper baiano Baco Exu do Blues. O matéria lançado, em 2017, traz uma sonoridade com bastante referência africana e nordestina. Além disso, há samples de vários artistas brasileiros como Chico Science e Novos Baianos.


Rimas e Melodias

Imagine juntar Alt Niss, Drik Barbosa, Karol de Souza, Mayra Maldjian, Stefanie Roberta, Tássia Reis e Tatiana Bispo em uma única música. Agora pense, todas elas em um grupo e com um álbum prontinho. Foi isso que aconteceu! No estilo cypher, encontro de MC’s em rimas conjuntas, como em rodas de freestyle, o coletivo Rimas & Melodias apresenta um álbum homônimo repleto de conteúdo riquíssimo e reflexões sobre o que é ser mulher, ser artista, ser negra. O trabalho conta com a participação de Djamila Ribeiro, filósofa, escritora e feminista. Já a produção musical é assinada por DIA e GROU e os beats marcantes receberam auxilio de Nauak e Deryck.


Xenia

A mistura cultural, a naturalidade e o talento que Xênia França apresenta em seu álbum de estreia faz com que a artista seja uma das melhores revelações dos últimos anos. No seu homônimo, lançado em 2017, a cantora mostra toda versatilidade e nos coloca em contato com um pouco de jazz, R&B, samba-rock e elementos da cultura Iorubá.

A voz suave e o ritmo contagiante se unem as letras carregadas de referencia, empoderamento, religiosidade e questionamentos. Cabe lembrar a utilização do batá, tambor sagrado da Santeria Cubana, e do Rum, Rumpi e , os três instrumentos de percussão usados no terreiro de religiões afro-brasileiras.


Vamos Arrepiar

Sendo um dos maiores nomes da música brasileira, Alcione marca o país com sua voz inconfundível e em 1982 não foi diferente. Ao lançar o álbum Vamos arrepiar, Marrom cumpre a promessa que deu nome ao disco e desperta múltiplas sensações a todos que o escutam. Com interpretações carregadas de sentimentos, sensibilidade e letras acidas, a cantora traz críticas pontuais. Vale destacar a canção Mister Samba, composta por Cassiano em parceria com Denny King, que apresenta um samba swingado e fala do preconceito que o ritmo viveu. “Cansei de dar amor a quem nunca prezou o meu pandeiro”, canta Alcione.


Elza Negra, Negra Elza

Escolher um único álbum de uma das maiores cantoras do mundo e uma das vozes mais expressivas do ativismo negro na arte não é tarefa fácil. A carreira de Elza Soares é marcada por ousadia, resistência e muito talento. Cantando de forma única, o álbum Elza Negra, Negra Elza, lançado em 1980, apresenta 10 faixas e conta com 15 compositores. Além disso, traduz bem a trajetória da artista.


Alma Negra

“Alma negra. Minha alma é negra, como o toque do tambor”, canta Jair Rodrigues, no álbum lançado em 2005. O trabalho, que é composto em sua maioria por Samba, apresenta faixas inéditas e conta com composições de grandes ícones da música, como Dona Ivone Lara, Martinho da Vila e Ary Barroso. Alma Negra também extrapola o samba e traz também o jongo e a seresta.


Minha Bossa é Treta

O álbum de estreia da rapper paulista Yzalú, é marcado por acidez, suavidade e provocação. Dividido em 12 faixas, produzidas por Marcelo Sanches, Minha Bossa é Treta é certeiro em suas letras e musicalidade. Essa última, ganha ainda mais brilho e elegância com o uso do violão, marca registrada da artista. Outro ponto interessante do disco é uma música inédita do rapper Sabotage, cedida pela família do músico à Yzalú.


Bia Ferreira no Estúdio Showlivre

Se você é preto no Brasil dificilmente não irá se reconhecer nas letras de Bia Ferreira. Há urgência, há vivencia, há talento em cada verso. Nas faixa é possível conhecer parte do país que é silenciada diariamente. É uma mulher negra se expressando, por meio da arte, acompanhada de um vilão que dá o ritmo necessário as narrativas expostas. Além da agradável sonoridade, o trabalho de Bia é uma aula para todos.


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jader theóphilo

Jornalista e produtor de conteúdo. Escreve, principalmente, sobre assuntos culturais.

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