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Não está tudo bem no Natal que vem

[tempo de leitura: 3 minutos]

“Tudo Bem No Natal Que Vem” tenta explorar do humor expressivo de Leandro Hassum para contar uma problemática e sem graça história natalina.


EEstamos acostumados com filmes de Natal que mostram as tradições estadunidenses, com muita neve e biscoitos de gengibre. Apesar de serem mágicos e cativantes, estão bem longe da nossa realidade brasileira. Como a Netflix não perde tempo em produzir conteúdo, a plataforma lançou Tudo Bem no Natal Que Vem, uma comédia natalina que é a cara do Brasil, com direito ao tio do pavê e brigas sobre uva passa e maçã nos pratos da ceia.

O filme tem como protagonista Jorge (Leandro Hassum), que odeia o Natal desde criança por ter nascido no dia 25 de dezembro. Para o seu azar, sua esposa Laura (Elisa Pinheiro) e os filhos Aninha (Arianne Botelho) e Leozinho (Miguel Rômulo), são muito empolgados com a data. Após ter uma terrível véspera de Natal, Jorge sofre um acidente e acorda apenas no Natal do ano seguinte, sem lembrar de nenhum dia do ano que passou. A partir disso, ele só se lembra dos dias de Natal e o restante da vida fica em branco.

Apesar de ficar preso num loop temporal natalino, os anos continuam passando e a vida segue normal, de menos para o protagonista. Os filhos crescem, as coisas mudam, mas o Natal continua sendo o mesmo em todos os anos. Até aí, é uma trama interessante. Mas logo percebemos que Jorge se torna um grande babaca em todos os dias do ano, mas sua amnésia natalina faz com que ele seja o mesmo de antes, e todo mundo aceita muito bem essa mudança de atitudes, afinal de contas, é Natal e tudo deve ser perdoado.

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Por mais que muitos filmes tenham sua trama baseada em um protagonista que muda drasticamente com a magia natalina, a história de Jorge se tornou inaceitável para mim. Ele piora a cada ano e a família precisa aceitar que ele não se lembra e fingir que nada aconteceu? Ninguém merece isso.

Entendo quem gostou de Tudo Bem no Natal Que Vem. Leandro Hassum é um ótimo ator, com várias expressões faciais marcantes e chama toda a atenção na história. Tudo bem no Natal que vem é um filme propício para causar risadas, principalmente para quem é brasileiro e consegue se ver em vários momentos do filme. Seja por causa do clima quente de dezembro, os supermercados lotados na véspera de Natal, a piada do pavê ou a decoração da casa, todo brasileiro se identifica um pouco com a história. Para quem cresceu vendo nas telas um feriado completamente diferente, é bom finalmente conseguir se ver na história.

Também entendo que todo filme natalino precisa terminar com uma mensagem positiva e com reflexões sobre o que realmente importa, então, sem dúvidas, tudo teria que se ajustar ao final. Contudo, não consigo mais engolir personagens que são completamente babacas e egoístas e as pessoas aceitam porque são da família.

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Para mim, a mensagem passada é que, independente do quão mal alguém tratou você ao longo do ano, tudo deve ser esquecido em prol dos laços sanguíneos e do espírito natalino. Isso seria completamente aceitável há alguns anos, mas em pleno 2020, Netflix? Já sabemos que não é assim que funciona e que ninguém é obrigado a ser um saco de pancadas de algum membro da família. Sei que provavelmente sou a chata, que faz análise dos filmes e questiona os valores, mas não consigo mais engolir comédias baseadas em pessoas babacas.

Espero outro filme natalino nacional melhor ano que vem, Netflix. Não desista de mim!

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Deborah Almeida

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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