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O esquecível remake da Netflix

[tempo de leitura: 3 minutos]

“Rebecca”, clássico de Alfred Hitchcock, ganha uma nova versão pela Netflix incapaz de articular qualquer coisa interessante em tela.


CCasar-se com uma pessoa viúva não é fácil. Todos os lugares têm lembranças do cônjuge anterior e parece que todos querem deixar claro que o novo integrante da família não chega aos pés do falecido. É nessa situação que se encontra uma jovem dama de companhia, interpretada por Lily James, que se apaixona pelo viúvo Maxim de Winter (Armie Hammer) durante uma viagem para Monte Carlo.

Maxim e a jovem embarcam numa grande paixão e se casam muito rapidamente. Contudo, o contos de fadas da nova Senhora de Winter acaba muito rápido. Logo que ela chega na propriedade da família de Winter, um belo casarão chamado Manderley, ela nota que está sob a sombra de Rebecca, primeira esposa de Maxim. O local é repleto de objetos com a letra R bordada e todos fazem questão de mencionar o quão incrível a primeira esposa era. A tensão é ainda mais forte com a governanta da casa, Sra. Danvers (Kristin Scott Thomas), que conhecia Rebecca desde criança e deixa claro que a nova esposa não é bem vinda.

Enquanto tenta se adaptar nessa nova realidade, bem mais luxuosa do que a modesta vida que levava, Sra. de Winter percebe que seu marido não é o homem romântico que conheceu e sente constantemente que há algo de errado.

Rebecca – A Mulher Inesquecível é um remake do longa dirigido por Alfred Hitchcock em 1940, com Joan Fontaine e Laurence Olivier como protagonistas. Mas enquanto essa primeira versão é considerada um clássico e até ganhou o Oscar de 1941 como Melhor Filme, produção original da Netflix deixa muito a desejar.

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Lily James como a Senhora de Winter

Mesmo com uma premissa interessante, paisagem de tirar o fôlego e ótimo elenco, o filme é uma decepção. Em suas duas horas de duração, ele varia entre drama, mistério e terror sem motivo algum, sem conseguir sustentar o tom de horror que tenta colocar em algumas cenas. O drama, por outro lado, se mantém constante, já que a protagonista está num grande conflito de seu papel versus a forte presença da falecida Rebecca.

Já o mistério, que aparece aos poucos ao longo de Rebecca – A Mulher Inesquecível, fica no centro do roteiro nos últimos 20 minutos da história e tudo é resolvido tão rápido que nem dá tempo de entender. A sensação é que a direção quer muito colocar certo suspense na trama, mas ao perceber há haver mais de uma hora e meia de cenas gravadas, tem de encaixar tudo às pressas.

O terror não tem nem o que falar. Ele ganha apenas algumas cenas bem pontuais, aparecendo através de sonhos e visões da Sra. de Winter, mas nada que seja desenvolvido ou tenha justificativa. Sabe aquela história de cada um faz sua parte do trabalho e a gente junta depois? Assim é feito o roteiro de Rebecca.

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Lily James e Armie Hammer

Compreendo que seja bem difícil competir com um filme dirigido por Hitchcock, e que certamente haveriam duras comparações, mas esse remake já perde tanto na sua construção que nem resta algo para comparar. Num misto de confuso e cansativo, Rebecca – A Mulher Inesquecível não é capaz de fazer jus ao peso que o título que carrega. Assim como a nova Sra. de Winter vive sob a sombra de Rebecca e com a sensação que não deveria estar em Manderley, a nova versão do filme encontra-se na mesma posição, sendo ofuscado pelo original e incapaz de sustentar o seu legado.

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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