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Farejando os fantasmas do passado

[tempo de leitura: 2 minutos]

“Pig”, drama com Nicolas Cage, explora a busca de um homem por seu porco ao mesmo tempo em que volta em seu passado.


QQuando um filme tem Nicolas Cage no elenco, já é motivo suficiente para assistir. E ao observar a sinopse de Pig, vemos a estrutura de um drama muito simples, mas de potencial: um homem sai em busca de sua porca após o animal ser sequestrado – num enredo que parece ser uma mistura de John Wick: De Volta ao Jogo (2014), O Regresso (2015) e Busca Implacável (2008). Porém, o longa ganha mais camadas com a atuação crua de Nicolas Cage e resulta em uma narrativa mais conceitual e filosófica, completamente diferente da maioria dos filmes que marcaram a carreira do ator.

Na obra conhecemos Rob (Cage), um homem solitário que trabalha recolhendo cogumelos junto a sua amada porca. Nesse início do longa, é interessante que a fotografia é mais sombria, refletindo a repetitiva rotina do protagonista: catar o pequeno organismo frutífero graças a habilidade de seu bicho de estimação – que, inclusive, gera uma surpresa no ganancioso fornecedor Amir, interpretado por Alex Wolff.

Neste bloco de Pig existe uma monotonia presente. Vemos que Rob é um cara de poucas palavras e acostumado com a rotina, carregando uma aparente leveza interna, mas também muita melancolia. Em dado momento, há uma grande ruptura na dinâmica do filme, quando a vida pacata do protagonista é transformada após sua porca ser sequestrada, forçando-o a mudar sua vida de maneira brusca.

Daí em diante, a trama ganha outras camadas que faz com que essa busca se torne mais uma jornada de autoconhecimento de Rob do que do animal em si, visto que o protagonista passa a enfrentar pessoas importantes do seu passado. Ao começar essa aventura desenfreada, é interessante como o diretor Michael Sarnoski opta por uma mise-en-scène que deixa claro que o personagem de Cage carrega uma trajetória de vida muito dolorosa. Afinal, não é à toa que o rosto do protagonista está sempre ensanguentado e machucado, o oposto das feições limpas de Amir.

Ao longo dos 90 minutos de exibição, acompanhamos o protagonista de Pig viajando a Portland para enfrentar antigos rivais que, de alguma forma, estão interligados com o interesse no onívoro.  A porca, inclusive, é um ponto chave do longa que gera diversas dúvidas na cabeça do espectador e, também, no drama do personagem em saber o que realmente aconteceu com sua companheira.

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O que talvez deixe a desejar é o ritmo lento da película. Não espere por grandes sequencias de pancadarias, mas sim um ritmo lento que pode, por vezes, cansar o telespectador. Contudo, essa característica faz com que quem assiste também se atente aos detalhes da busca de Rob. Vale destacar, também, como a trilha sonora e a fotografia ilustram bem como a jornada é mais um drama sobre o estudo de personagem de solidão do protagonista.

Pig é um grande filme, que fecha com um balanço positivo, de uma obra que fala bastante sobre luto, perdas, solidão e sobre a necessidade de romper nossas amarras para enfrentar nosso passado que muito nos cobra quando o queremos omitir. Um trabalho que, para a próxima temporada de premiações, pode render à Nicolas Cage uma possível indicação ao Oscar.

É Fotógrafo freelancer, formado em Jornalismo pela PUC Minas e se descobriu Crítico no meio de uma pandemia. Apaixonado por animações Disney, sonha em ir para os parques de Orlando.

Ainda, é noveleiro de tramas boas enquanto tenta se redescobrir no mundo do Cinema e da TV — e como o audiovisual pode proporcionar a experiência humana.

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