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Os 20 Anos De “Titanic”, O Navio Dos Sonhos

Os 20 anos de “Titanic”, o navio dos sonhos

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Na madrugada do dia 15 de abril de 1912, uma tragédia chocou o mundo: o RMS Titanic afundou em sua viagem inaugural.  O navio que tinha sido construído para ser o mais luxuoso e seguro de sua época, chegando a ser considerável “inafundável” por algumas pessoas, colidiu com um iceberg e horas mais tarde naufragou, contrariando tudo que se pensava sobre ele.

O naufrágio do navio foi o resultado de várias circunstâncias especiais. Apesar de ser raro encontrar icebergs no Atlântico Norte durante o mês de abril, especialmente no ano de 1912, um número maior de icebergs alcançou a rota do Titanic. O navio praticamente navegou na direção de um campo de gelo. Além disso, a noite do dia 14 de abril foi escura, sem lua ou vento, dificultando a observação de icebergs. A situação foi agravada pela falta de binóculos para os vigias.

O RMS Titanic em sua reconstrução digital para o filme “Titanic”

Outro fator que contribuiu para o naufrágio foi a velocidade do navio. No momento da colisão, o Titanic estava com uma velocidade alta para as circunstâncias climáticas daquela noite. Além disso, os compartimentos estanques não eram altos o suficiente para evitar a progressão da água, o seu casco tinha apenas um fundo duplo para protegê-lo de cardumes de peixes e os componentes de aço utilizado em sua construção tornavam-se frágeis em temperaturas muito baixas.

Já o elevado número de mortos foi ocasionado pela falta de botes salva-vidas suficientes para todos a bordo, mas a falta de preparo e organização da tripulação também contribuiu para agravar a situação. Esse foi um dos piores desastres marítimos de todos os tempos, em que aproximadamente 1.500 pessoas (passageiros e tripulação) morreram.

Com o passar dos anos, o Titanic entrou para a cultura popular tornando-se um dos navios mais famosos de todos os tempos. Por mais de 100 anos ele tem sido inspiração de obras de ficção e não ficção, e uma das retratações mais famosas sobre esse desastre foi o filme Titanic (1997), dirigido por James Cameron. O longa teve a maior bilheteria da história na época e venceu 11 Oscars, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Diretor.

 

O Filme

Em 1996, a quatro mil metros de profundidade, sob uma pressão de duas toneladas e meia por cm2, o caçador de tesouros Brock Lovett (Bill Paxton) e sua equipe estão explorando os destroços do RMS Titanic na tentativa de encontrar um famoso colar de diamante, também conhecido como Le Cœur de la Mer (Coração do Oceano, em português).

Utilizando uma câmera-robô eles exploram os restos do famoso transatlântico, que repousa no fundo do oceano desde o dia 15 de abril de 1912. Em meio aos corredores e ao convés desfeito, passando por objetos esquecidos, Lovett consegue chegar ao lugar que deseja: Deque B, onde fica o cofre do milionário Caledon “Cal” Hockley (Billy Zane).

De volta ao navio de pesquisa, o Keldish, Lovett não poderia estar mais esperançoso para encontrar o tão famoso colar. Porém, ao abrir o cofre ele não encontra nenhuma joia ou algo de valor, apenas um velho desenho de uma uma mulher nua usando o colar, datado do dia 14 de abril de 1912, o dia em que Titanic colidiu com o iceberg.

É natural que  Lovett se sinta frustrado, afinal de contas anos de pesquisa não renderam nada. É como se todo seu esforço para encontrar o diamante tivesse sido em vão. Para conseguir alguma ajuda, ou pista sobre o desenho, ele e sua equipe divulgam essa descoberta em uma reportagem de TV para todo o mundo. Essa tática parece funcionar, uma vez que uma velha senhora entra em contato com Lovett, afirmando ser a mulher do desenho.

Trata-se de Rose Dawson Calvert/Rose DeWitt Bukater (interpretada por Gloria Stuart quando mais velha e por Kate Winslet quando jovem). A situação parece ser um pouco suspeita, ela pode ser uma velha charlatã, mas como ela sabe sobre o Coração do Oceano, uma informação restrita a equipe de pesquisa de Lovett, eles passam a confiar no que Rose tem a dizer. Ela é a última esperança deles.

Kate Winslet em sua primeira cena em “Titanic”, como a jovem Rose Dawson

Acompanhada de sua neta Lizzy (Suzy Amis), Rose viaja até o navio de pesquisa onde revela para todos detalhes do seu passado e suas recordações à bordo do Titanic, até o dia em que o navio naufragou. Ela falta também sobre sua verdadeira identidade (na verdade ela é Rose DeWitt Bukater) e as lembranças de Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), que ainda permanece vivo em sua memória.

Em 1912, com 17 anos, Rose embarcou no navio como uma passageira da primeira classe, junto de seu noivo Cal e de sua mãe, Ruth DeWitt Bukater (Frances Fisher). Enquanto todos parecem empolgados com a viagem, Rose aparenta estar cada vez mais infeliz, tendo de lidar com a pressão de um casamento que embora ela não queira, resolveria os problemas financeiros de sua família. Ela é como um pássaro engaiolado: não tem liberdade de opinar e nem falar o que pensa, tendo de aceitar as condições impostas por sua mãe.

Leonardo DiCaprio é Jack, um rapaz pobre que ganha, em uma aposta, uma passagem de terceira classe para viajar no RMS Titanic

A situação torna-se tão insustentável que Rose considera suicidar ao tentar pular do navio. Quem a faz mudar de ideia é Jack Dawson, um passageiro da terceira classe que embarcou no Titanic por pura sorte do destino, ao ganhar as passagens em um jogo de cartas. Nessa noite ele a salva de todas as maneiras possíveis, não só evitando que ela morresse, mas lhe dando força para seguir em frente com sua vida.

Esse é apenas o primeiro contato entre Rose e Jack, que acabam se aproximando durante os dias de viagem. Mesmo vivendo em mundos completamente diferentes isso não os impede de se relacionar, chegando até mesmo a fazer planos para o futuro.  Quem não fica contente com essa aproximação é o noivo de Rose e sua mãe, que acredita que Jack Dawson deva ser exterminado como um inseto.

O que ninguém poderia imaginar era que o Titanic, o navio que nem Deus era capaz de afundar, estava naufragando após colidir com um iceberg. Em questão de horas todo o cenário se transforma em um verdadeiro caos: passageiros brigando entre si para conseguir um lugar nos botes salva-vidas, os passageiros da terceira classe lutando para conseguirem chegar ao convés do navio e até mesmo músicos tocando sinfonias clássicas, na tentativa de distrair as pessoas durante toda a confusão. Porém, nem mesmo todos os imprevistos fazem Jack e Rose desistirem da ideia de ficarem juntos, sendo capazes de cometer algumas loucuras e lutando até o fim para sobreviver.

“Pinte-me como uma de suas francesas” é uma das falas mais memoráveis do filme

Toda equipe de Lovett, incluindo Lizzy, ficam tocados com a história revelada por Rose. É uma verdadeira história de amor em meio a uma tragédia. Nessa mesma noite, Rose caminha pelo convés do Keldish até a grade de proteção e joga ao mar o Coração do Oceano (o diamante pode ser visto como uma metáfora do coração de Rose, uma vez que o coração de uma mulher é como um oceano, cheio de segredos). O colar esteve durante todos esses anos com ela. Mas o seu verdadeiro lugar sempre foi ao lado de Jack, nas profundezas do oceano.

O ponto de partida para James Cameron fazer  filme, após cinco anos de pesquisa intensa e autorização para filmar os escombros do Titanic, foi marcado por uma revolução artística e tecnológica. De acordo com o diretor: “A melhor demonstração da genialidade humana se impondo sobre a natureza foi a construção do Titanic. Mas a viagem inaugural terminou num pesadelo que abalou a crença na capacidade do ser humano, apontando suas limitações”. James transformou o seu filme em uma metáfora de uma era.

Utilizando equipamentos desenvolvidos especialmente para filmar a 4 mil metros de profundidade, o diretor conseguiu imagens do interior do navio que jamais tinham sido vistas. Além disso, ele contou com ajuda do historiador Don Lynch e do artista Ken Marshall, que estudaram a história do transatlântico, entrevistaram alguns sobreviventes e também publicaram alguns livros.

Mesmo após 20 anos de seu lançamento, o final trágico de Jack continua sendo motivo de choro e desaprovação de grande parte do seu público, criando inúmeras teorias de conspiração e tentativas de explicar que: sim, era possível salvar Jack

Além disso, a equipe do filme construiu uma meia réplica da metade do Titanic e três maquetes em diferentes escalas, que mais tarde foram usadas com os efeitos efeitos especiais. Também foi construído uma maquete completa do cenário dos escombros do navio. Cameron tomou todo cuidado necessário para deixar a história o mais realista possível, conseguindo criar uma trama inesquecível e que marcou uma geração. Ele conseguiu tornar atraente uma história real e trágica da qual todos já conhecem o final.

 

A Crítica

Na época em que foi lançado, Titanic (1997) tornou-se um fenômeno das bilheterias. Arrecadando um total de US$ 2,1 bilhões, o filme foi o primeiro a arrecadar mais de US$ 1 bilhão mundialmente, permanecendo como a produção de maior arrecadação da história do cinema por 12 anos.

Titanic foi muito bem recebido pela crítica especializada. De acordo com o site Rotten Tomatoes o filme possuiu um índice de aprovação de 88%, sendo considerado como “um triunfo quase sem ressalvas para Cameron, que oferece uma mistura estonteante de visuais espetaculares e uma melodrama à moda antiga”. Já no site  Metacritic, o filme tem uma pontuação de 74/100.

No dia 4 de abril de 2012, Titanic foi relançado nos cinemas após uma conversão 3D como uma forma de homenagear os 100 anos da viagem inaugural do RMS Titanic. Após o relançamento, o filme conquistou mais de 300 milhões de dólares e conseguiu o feito de ser o segundo longa a atingir a marca dos US$ bilhões em bilheteria.

 

Ficção vs Realidade

Assim como em qualquer filme baseado em fatos reais existem coisas que são criadas para tornar a história mais atraente para o público. Personagens como Rose Dawson Calvert/Rose DeWitt Bukater, Jack Dawson, Cal Hockley, Fabrizio (Danny Nucci) e Tomy (Jason Barry) nunca existiram na realidade. Eles foram construídos para enriquecer a trama, que gira em torno de uma história de amor proibido entre duas pessoas de mundos completamente diferentes.

Já alguns personagens da tripulação da White Star Line (empresa responsável pela construção do Titanic) de fato existiram: o diretor da companhia Bruce Ismay (Jonathan Hyde); o construtor do navio Thomas Andrews (Victor Garber); os vigias Frederick Fleet (Scott G. Anderson) e Reginald Lee (Martin East); o primeiro oficial William Murdoch (Ewan Stewart) e o capitão Edward John Smith (Bernard Hill).

Na ficção, Edward John Smith foi interpretado pelo ator Bernard Hill

Além desses personagens que eram reais, alguns famosos passageiros também existiam e estavam a bordo do transatlântico como, por exemplo, Margaret Brown (Kathy Bates), Jonh Jacob Astor IV (Eric Braeden), Benjamin Guggenheim (Michael Ensign), entre outros.

A icônica cena dos músicos tocando enquanto o navio afundava de fato aconteceu, porém há controvérsias em relação a última música tocada por eles. Alguns sobreviventes afirmaram que a última música tocada por eles foi Nearer, My God, To Thee, enquanto outros afirmam que eles tocaram outras músicas. Contudo, após uma publicação de uma manchete na capa do jornal Daily Mail do dia 20 de abril de 1912: “Músicos heróis do navio Titanic tocam ‘Nearer, My God, To Thee’ enquanto o transatlântico afunda”, popularizou-se o fato de que os músicos tocaram essa música.

A retratação feita do primeiro oficial William Murdoch gerou certa polêmica, no longa ele foi mostrado como um oficial corrupto e responsável por matar dois passageiros inocentes, além de cometer suicídio com um tiro na cabeça. Depois da exibição do filme, familiares de Murdoch exigiram uma retratação pública e uma indenização. Na versão de DVD de Titanic, o diretor James Cameron desculpou-se pelo papel que deu a Murdoch.

Todo o processo do naufrágio do Titanic também foi bastante real, assim como o número de mortos, passageiros, sobreviventes e os botes  que voltaram. O navio de resgate, o Carphatia também existiu, e o tempo que levou para chegar ao local também foi verídico.

 

 20 Anos de Titanic

Como forma de celebrar o sucesso estrondoso que o filme fez, James Cameron anunciou que iria produzir um documentário para comemorar os 20 anos da estreia do fenômeno Titanic  (1997), que na época quebrou os recordes de bilheteria em seu lançamento.

Rose e Jack permanecem, até hoje, como uma das maiores histórias de amor do mundo do entretenimento

A exibição do documentário ocorreu no início de dezembro, sendo transmitido pelo canal pago National Geographic. Titanic: 20th Anniversary revela Cameron e os especialistas analisando e discutindo os últimos 20 anos, e os novos detalhes da tragédia que foram surgindo desde a estreia do filme. Em uma entrevista ao E!News, o diretor comentou que o objetivo do documentário é reavaliar o legado de seu longa. “Quando escrevi o filme e estava certo para dirigir, queria que cada detalhe fosse o mais preciso possível. Eu estava criando uma história viva, precisava ter respeito pelas pessoas que morreram e seus legados. Mas será que eu realmente consegui? Agora, com o National Geographic, pesquisas recentes, ciência e tecnologia, vou reavaliar tudo isso”, contou.


bruna curi

tem 20 anos, é estudante de Jornalismo, mineira, capricorniana e blogueira nas horas vagas. apaixonada por Livros, Filmes e Séries. gosta de escrever, é uma de suas maiores paixões.

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