A guerra por um olhar intimista

A Guerra Por Um Olhar Intimista
[tempo de leitura: 3 minutos]

“Na Mira do Atirador” não consegue ponderar um discurso interessante, se sustentando graças aos seus personagens e sua direção.


AAs guerras históricas são temas extremamente recorrentes no cinema hollywoodiano. Confrontos como a Segunda Guerra Mundial, Guerra do Vietnã e a Guerra Fria ja foram exploradas como contextualização histórica para diversas tramas dos mais variados gêneros. Recentemente, pode-se dizer que existe uma produção marcada por características pós-11 de setembro no cinema norte americano, trabalhando conflitos armados e geopolíticos embasados pela missão de combate ao terrorismo adotado pelos Estados Unidos, após o atentado.

Filmes como Guerra ao Terror (2008) e Sniper Americano (2014) escolheram retratar A Guerra do Iraque por meio de representações grandiosas recheadas de explosões, computação gráfica e sequencias de combate militar épicas, além dos subtextos que, juízos de valor a parte, são carregados de nacionalismos e patriotismos. Na contra mão, Na Mira do Atirador (2017), filme dirigido por Doug Liman e produzido pela Amazon, retrata o conflito geopolítico por uma ótica intimista e ambígua.

Situado em 2007, já no final da Guerra do Iraque, acompanhamos dois soldados americanos (vividos por Aaron Taylor-Johnson e John Cena) investigando um aparente massacre de funcionários na construção de um oleoduto do meio do deserto iraquiano. Em poucos minutos, os combatentes americanos se vêem encurralados por um misterioso e preciso sniper inimigo disposto a aumentar seu número de mortos. A única proteção existente é um muro prestes a desmoronar, que inclusive dá nome ao título original do longa: The Wall.

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Pôster nacional

A premissa simples do roteiro de Dwain Worrell até pondera questões interessantes sobre o conflito contextual da obra, mas o faz de forma rasa. Existem algumas ponderações sutis como a presença dos soldados no Iraque mesmo com o fim da guerra declarado; no diálogo em que o antagonista questiona o protagonista quanto o objetivo dos EUA em atuar no país árabe; o fato de o sniper ter sido treinado pelo exercito americano ou nas características visíveis que o personagem principal apresenta (variando entre o caipira americano e o militar patriotista). Contudo, nenhuma delas são demasiadamente problematizadas, funcionando apenas como linhas de diálogo para interação e melhoria do drama apresentado.

A superficialidade temática não atrapalha a narrativa de Na Mira do Atirador, que é muito bem trabalhada e compassada nas mãos de Liman. O diretor se esmera na construção de suspense e ritmo, ditando um jogo psicológico interessante e instigante entre o soldado de Taylor-Johnson e o sniper inimigo. Com jogos de câmera pouco convencionais para o gênero e trabalhando com planos mais longos, o diretor transforma a jornada dos soldados em uma história de sobrevivência, conseguindo estabelecer a presença do antagonista quase como sobrenatural, em uma onipresença perigosa. Ainda, Liman demonstra um controle do espaço muito apurado, utilizando do cenário árido e de suas características naturais para agregar à tensão narrativa, ao mesmo tempo que trabalha bem a trilha sonora, ou a falta dela, na construção de suspense.

Taylor-Johnson tem um papel fundamental para a eficiência do longa, garantindo veracidade e emoção a seu personagem. O ator transita bem entre a dor física dos ferimentos e o cansaço psicológico, a entrega emocional e angústia pela sobrevivência, além das marcas do passado que passam a vir a tona com o desenvolvimento do enredo. John Cena surpreende vivendo um soldado carismático e envolvente, em um papel muito mais contido e sério do que nos outros projetos que participou, garantindo presença de tela em pouco tempo de projeção.

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John Cena / (Foto: David James)

Com um desfecho interessante, Na Mira do Atirador se garante como um bom filme de guerra, que apesar de não aprofundar as temáticas que se propõem a apontar, é sustentado por atuações precisas de seu enxuto elenco e por um trabalho de direção competente de seu diretor.


João Dicker

joão dicker

com 24 anos, é formado em Jornalismo pela PUC Minas e trabalha com Assessoria de Imprensa e Mídias Sociais. é o Editor de Conteúdo da ZINT. Segue um estudo e exercício constante como Crítico de Cinema, mantendo sua paixão pela Sétima Arte.

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