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Por Trás Do Susto

Por trás do susto

Os filmes de Terror sempre estiveram muito presente no mundo do Cinema – e assim como qualquer outro gênero, são diversas as fases ao longo das décadas.


Talvez o terror seja o gênero cinematográfico que possua mais subgêneros e ramificações próprias. Os filmes que o compõem, em sua maioria, constroem o sentimento de medo e angustia a partir de jogos de surpresa e insinuação, apostando em altas doses de ansiedade e trabalhando fobias e repulsas presentes no senso comum humano. Real ou não, a utilização do medo como ferramenta catártica esta presente no imaginário humano desde muito antes do cinema.

As histórias mitológicas e as narrativas religiosas são repletas de monstros, seres mágicos, criaturas macabras e figuras demoníacas responsáveis por proliferar o mal e a dor no mundo. Essas histórias podem ser consideradas como as primeiras fontes de inspiração para o gênero do terror, que viria a ser propriamente construído somente no século XVIII.

 

Origem Literária

Considerado o primeiro romance gótico da história, o livro O Castelo de Otranto (1764), de Horace Walpole, iniciou o que viria a ser um dos movimentos literários mais importantes para a literatura de ficção. Pouco mais de 50 anos depois Mary Shelley publicou, em 1818, o primeiro grande horror clássico: Frankenstein. Graças a obra de Shelley diversos autores passaram a explorar de ambientações sombrias e de temáticas mais macabras para construir atmosferas dramáticas em seus próprios livros.

Emily Bronte, Charles Dickens, Sir Arthur Conan Doyle, Wilkie Collins e H.G.Wells passaram a adaptar suas histórias e seus estilos próprios para a tendência gótica existente. Mas, provavelmente, entre todos os autores que produziram contos e narrativas horripilantes na época, seja possível alavancar Edgar Allan Poe, Ann Radcllife, Bram Stoker e Nathaniel Hawthorne como os grandes nomes do movimento que viria a inspirar o cinema de terror.

Edgar Allan Poe, facilmente reconhecível pelo extraordinário poema "O Corvo", foi uma das principais inspirações para o cinema de terror gótico

Edgar Allan Poe, facilmente reconhecível pelo extraordinário poema “O Corvo”, foi uma das principais inspirações para o cinema de terror gótico

Passados mais de 100 anos desde o fim do movimento que iniciou a literatura gótica, o cinema surgia como uma arte ainda muito experimental que dependia dos avanços tecnológicos do inicio do século XX e das ideias visionárias de alguns realizadores para se desenvolver. Desta forma, os primeiros gêneros cinematográficos viriam a ser propriamente formados somente em meados dos anos 20 e, principalmente, na década de 30.

Entretanto, alguns pesquisadores e historiadores do cinema apontam que alguns realizadores já haviam produzido filmes de terror nos primeiros anos da sétima arte, mas devido às possibilidades narrativas e temáticas da época tais produções não se tornaram memoráveis na história, como o O Solar do Diabo (1896) de George Mèlliés, Frankenstein (1910) de Thomas Edison e Inferno (1911) de Giuseppe de Liguoro, que adaptava a Divina Comédia. Apesar destas produções ainda experimentais, e da dificuldade para estabelecer um consenso quanto a datas referentes a origens do horror no cinema, é inegável que toda a construção do gênero foi muito influenciada pelo Expressionismo Alemão.    

 

Expressionismo Alemão

o cinema um espaço para inovações temáticas e estéticas. Em 1919 saiu, o considerado, primeiro filme expressionista. Dirigido por Robert WieneO Gabinete do Dr. Caligari apresentou as características tão marcantes do Expressionismo e que ajudaram a estabelecer também os principais padrões estéticos do cinema de terror.

Explorando do uso de sombras, de cenários distorcidos com aspectos lúdicos, do jogo de iluminação e todo tipo de deformação visual, filmes como Metrópolis (1927), de Fritz Lange ou Nosferatu (1922), de Friedrich Wilhem Murnau, acabaram se tornando referências estéticas para o cinema mundial. Foi ali que a obscuridade, tanto visual quanto narrativa, dos filmes de terror foi experimentada e formatada.

O vampiro do filme Nosferatu (1922) tornou-se um ícone da história do cinema, sendo uma das aparições mais memoráveis do Conde Drácula

O vampiro do filme Nosferatu (1922) tornou-se um ícone da história do cinema, sendo uma das aparições mais memoráveis do Conde Drácula

Ainda, o Expressionismo Alemão deixou um legado para o gênero de terror, no que diz respeito ao imaginário que os filmes refletiam. Se na época do Expressionismo a estética sombria, as narrativas oblíquas e as temáticas lúdicas funcionavam como uma maneira de expurgar o pessimismo e o amargor vivido na Alemanha pós-primeira guerra mundial (devido a todas as sanções econômicas e políticas que o país foi submetido com o fim da guerra), os filmes de terror, ao longo da história, também apresentam subtextos relevantes para os cenários aos quais foram produzidos.

 

Gênero: Horror

Frankenstein, um dos monstros mais conhecidos e reverenciados pela mitologia, foi um dos primeiros a ganhar uma adaptação cinematográfica, estreando nos cinemas em 1931

Frankenstein, um dos monstros mais conhecidos e reverenciados pela mitologia, foi um dos primeiros a ganhar uma adaptação cinematográfica, estreando nos cinemas em 1931

Sendo assim, quando o primeiro verdadeiro ciclo do horror tomou forma nos anos 30, os realizadores buscaram suas inspirações, como já foi dito, na literatura gótica. Por isso, este primeiro ciclo de filmes é conhecido como Ciclo Gótico e consistiu em um período de adaptações de criaturas consagradas da literatura e de contos fantásticos. Frankenstein (1931), A Múmia (1932), O Homem Invisível (1933) e o Lobisomem (1934), foram os filmes mais marcantes do período, e que foram beneficiados pelo Studio system existente em Hollywood na época. Todas essas produções chegaram às telas sob o comando da Universal Pictures e definiriam um período de hegemonia do estúdio americano no gênero que duraria até a década de 40.

O começo dos anos 40 não foi muito positivo para as produções de terror, uma vez que os filmes de monstros começavam a apresentar tramas repetitivas e pouco envolventes, causando um esgotamento do estilo estabelecido na década anterior. Filmes como A Volta do Homem Invisível (1940), A Mão da Múmia (1940) e Frankenstein encontra O Lobisomen (1943) são exemplos de longas-metragens que acabaram por explorar ostensivamente das criaturas fantásticas, esgotando o mercado para estas produções.

Curiosamente, por trás de alguns dos filmes dos anos 30, mas principalmente nas produções da década de 40 e 50, havia uma clara representação de uma sociedade amedrontada com o avanço tecnológico. Filmes como Frankenstein e O Homem Invisível, que trabalhavam a criação de criaturas horripilantes por meio da ciência representavam o pavor social perante o desconhecido que os avanços tecnológicos poderiam trazer.

Também durante a década de 50, com o fim da Segunda Guerra e o inicio das tensões da Guerra Fria, a temática representada passa a estar ligada aos anseios da época: a eminente guerra nuclear e a invasão comunista. Para o primeiro, filmes como O Dia em que a Terra Parou (1951), O Mundo em Perigo (1954) e Planeta Proibido (1956), trabalhavam com a representação da paranoia nuclear e de sua radiação, assim como os filmes de monstros gigantes. O cinema japonês, por exemplo, usou do primeiro longa de Godzilla, também de 54, para extravasar figurativamente o medo e a dor causados pela arma de destruição em massa.

Ainda, os filmes do período expunham metaforicamente o perigo comunista, tratando-o ora como um vírus que dominava os corpos que se hospedava ou como invasores de fora da Terra que subjulgavam a raça humana, em obras como A Morte Num Beijo (1955), Vampiros de Alma (1956) e Os Invasores de Corpos (1956). 

É interessante apontar que até a década de 60 os filmes de terror produzidos em Hollywood chocavam e assustavam por suas temáticas e construções de ambientações sombrias e macabras, não necessariamente por um horror visual repulsivo e sangrento. Essa característica é justificada pelo Código Hays, um conjunto de regras de censura que fora estabelecido na indústria cinematográfica americana na década de 30 e que perdurou até 1964.

Justamente por causa da censura estipulada pelo código Hays que o próximo ciclo de renovação do gênero viria do outro lado do oceano, na Inglaterra. Com uma liberdade criativa maior para as produções, o estúdio Hammer Films escreveu seu nome na história do terror ao reciclar os monstros explorados pela Universal Pictures na década de 30, mas garantindo uma estética mais estilizada, trazendo mais sangue e cenas grotescas para os filmes. A Maldição de Frankenstein (1957) e O Vampiro da Noite (1958) foram muito bem recebidos por crítica e público, além de consagrarem a dupla Peter Cushing e Christopher Lee como dois nomes importantíssimos na representação de personagens icônicos de terror.

O filme "Carrie, a Estranha", lançado em 1976, se tornou um clássico do terror sobrenatural

O filme “Carrie, a Estranha”, lançado em 1976, se tornou um clássico do terror sobrenatural

Enquanto os estúdios Hammer revigoravam o gênero com suas produções grotescas e sangrentas, os filmes hollywoodianos passaram também por mudanças relevantes na concepção do horror, motivados por duas transformações importantes: o fim do código Hays e o crescimento dos movimentos sociais dos anos 60. A queda da censura permitiu que os cineastas ousassem nas construções de cenas e em suas abordagens, encontrando no trabalho do oculto e sobrenatural uma grande possibilidade narrativa. Filmes como O Bebe de Rosemary (1968), O Exorcista (1973), A Profecia (1976) e Carrie, A Estranha (1976), exploravam de sangue, vomito, contorção corporal e cenas mais fortes para chocar o espectador.

Ao mesmo tempo, as mudanças sociais intensas vividas no mundo nos anos 60 começaram a ser representadas nos filmes já no final da década. Em 1968, por exemplo, chegou aos cinemas A noite dos Mortos Vivos, de George Romero, filme que por trás do horror dos ataques de zumbis, tratava das classes marginalizadas, excluídas socialmente. Ainda, filmes como O Despertar dos Mortos (1978) encontraram na metáfora do morto vivo a possibilidade de crítica ao consumo ostensivo e ao capitalismo exacerbado.

Na virada da década, toda a simbologia que tratava das mudanças socioculturais promovidas pelos movimentos sociais ganharam representações por meio da juventude transgressora da década de 60. Assim, os anos 80 foram recheados de filmes que configuraram o chamado Ciclo Slasher, em que os maníacos e assassinos representavam a figura patriarcal conservadora responsável de punir os jovens. Por isso é comum que em filmes de assassinos, os primeiros personagens a morrer sejam aqueles que se entregam aos valores carnais, como sexo e o uso de drogas, e ainda, que os últimos a sobreviver sejam as personagens que aparentam ser moralmente corretas.

Desta forma, produções como O Massacre da Serra Elétrica (1974), Halloween (1978), Sexta-feira 13 (1980) e A Hora do Pesadelo (1984), estabeleceram-se como uma grande tendência da década, em parte por revigorarem o gênero em Hollywood (muito influenciada pelos filmes de Giallo italianos) e por serem filmes baratos de se produzir, garantindo lucros exorbitantes para os estúdios. Assim como todos os ciclos bem demarcados, o slasher também foi explorado até seus desgaste temático, narrativo e mercadológico, perdurando na memória dos aficionados por filmes de terror como um dos períodos mais produtivos do gênero no cinema.

 

Horror Modernizado

Com o início dos anos 90, e o eminente avanço tecnológico, a indústria cinematográfica como um todo abraçou as inovações técnicas do período. Ainda, a facilidade de noticiar e apresentar a violência real existente no dia a dia permitiu que o cinema explorasse de um intenso realismo gráfico, o que trouxe de volta alguns clássicos do terror em seus remakes, como Madrugada dos Mortos, dirigido por Zack Snyder, em 2004.

Ainda, os anos 2000 acabaram por criar dois ciclos e subgêneros interessantes para o gênero de horror: o torture porn e o foundfootage. Jogos Mortais (2004) se consolidou como a maior franquia do primeiro estilo, criando escola para filmes como O Albergue (2005), explorando de cenas de mortes grotescas, sangue excessivo, violência extrema, tortura e nudez gratuita. O segundo ciclo foi iniciado de forma embrionária em 1999 com A Bruxa de Blair, sendo aperfeiçoado em [REC] (2007) e consagrado mundialmente com a franquia Atividade Paranormal (2007).

Seguindo a linha de filmagem found footage, Atividade Paranormal (2007) foi bem recebido pela crítica, ainda que o seu desempenho nas bilheterias mundiais tenha sido moderado. O frisson na internet, no entanto, garantiu ao filme uma franquia de seis filmes

Seguindo a linha de filmagem found footage, Atividade Paranormal (2007) foi bem recebido pela crítica, ainda que o seu desempenho nas bilheterias mundiais tenha sido moderado. O frisson na internet, no entanto, garantiu ao filme uma franquia de seis filmes

O artifício narrativo de filmar os acontecimentos com uma estética documental não só garantia uma sensação de realismo e uma construção de tensão ligada à dúvida sobre a veracidade dos acontecimentos, mas também assegurava que o orçamento do filme fosse baixo, possibilitando um lucro maior para o estúdio. O fundfootage também foi explorado ao extremo, rendendo boas películas como Cloverfield – Monstro (2008), Fenômenos Paranormais (2011), Amizade Desfeita (2014), antes de se esgotar na indústria.

Atualmente, as produções de terror voltaram a encontrar um período de mesmice, em que a enorme maioria dos filmes explora de casas com presenças demoníacas como cenário e de famílias tradicionais como personagens de intervenções macabras dos mais variados espíritos. Mesmo que haja uma prevalência de franquias ou de universos compartilhados por diferentes filmes, como Annabelle (2014) e Invocação do Mal (2013), houveram produções que não só quebraram com a tendência do mercado, mas também apresentaram críticas e subtextos interessantes.

 

Crítica Social

O sanguinolento Uma Noite de Crime (2013), por exemplo, trabalha com uma premissa não muito inovadora em Hollywood, mas problematizando-a com duas curiosas questões da sociedade americana atual: as políticas assistencialistas do governo Obama e o debate de segurança nacional/pessoal. Na trama do longa-metragem, situada em 2022, os EUA conseguiram erradicar a violência do país ao criar um evento chamado o Expurgo Anual, uma única noite no ano em que qualquer indivíduo do país está legalmente autorizado a cometer qualquer tipo de crime sem sofrer nenhuma consequência jurídica. É uma espécie de troca de 364 dias de paz por uma noite de violência.

O ponto interessante é que apesar de a maioria dos filmes que trabalham com projeções futuristas adotem um viés humanista para expor as características do imaginário social em que estão inseridos, Uma Noite de Crime flerta com um tema extremamente impopular, garantindo um discurso político relevante para a produção: durante a selvageria dos acontecimentos do Expurgo, como as minorias mais pobres se protegerão? Seria o evento uma forma encontrada pelo governo para eliminar os mais pobres e garantir um controle demográfico? Os indivíduos tem capacidade de se protegerem ou necessitam de um controle do Estado?

Se existe um discurso político, não poderiam faltar às características comuns do gênero. O diretor James DeMonaco controla o ritmo da narrativa de forma que as cenas de violência catologicas não sejam gratuitas, contribuindo para a trama e os momentos de conflito e risco. Ainda, DeMonaco constrói bons sustos ao longo da projeção, assegurando que os fãs de terror encontrem um filme bem construído e com identidade própria.

Lançado em 2014, Corrente do Mal tem todos os requisitos de um filme de horror independente. Seja em seu orçamento enxuto e nas possibilidades limitadas de produção (que inclusive estão presentes e justificadas em algumas escolhas narrativas do longa) ou na estética independente assegurada pela fotografia do filme, o diretor David Robert Mitchell demonstra muita consciência e um pulso firme na confecção do ritmo de suspense necessário para filmes do gênero.

O verdadeiro esmero de Corrente do Mal reside no discurso social que o diretor se dispõem a trabalhar, subvertendo um elemento comum dos filmes de slasher. Se nos filmes de maníacos dos anos 80 os primeiros a morrer sempre eram os jovens que transavam, aqui toda a premissa da película, assim como a sobrevivência da protagonista, depende do ato sexual da mesma. É por meio de uma one night stand que a protagonista Jay acaba recebendo uma maldição que, de acordo com a mitologia construída no enredo, perseguiria a jovem até que ela passasse o fardo adiante, por meio de outra relação sexual.

Além da metáfora clara sobre doenças sexualmente transmissíveis, Mitchell é cirúrgico ao escolher a cidade de Detroit como ambientação para o longa. O uso dos vários planos abertos para captar os cenários de desolação de uma cidade que outrora foi símbolo do american way of life funcionam perfeitamente para construir a sensação melancólica de insegurança que o filme explora, trabalhando com mais uma representação de uma característica da sociedade americana contemporânea.

Pôster do já consagrado Corra! (2017), terror que trabalha com críticas ao racismo e outras questões sociais

Pôster do já consagrado Corra! (2017), terror que trabalha com críticas ao racismo e outras questões sociais

Mas, talvez, de todos os bons filmes do gênero lançados nos últimos 5 anos, Corra! (2017) seja a produção que mais edifica um posicionamento social claro. Na trama acompanhamos o jovem negro Chris Washington que namora Rose Armitage, uma garota branca que pretende levar seu namorado para conhecer sua família. A partir desta premissa simples, o diretor Jordan Peele, que também assina o roteiro, desenvolve um filme repleto de nuances e críticas sociais afiadas ao racismo existente nos Estados Unidos, mas que consegue ultrapassar limites regionais e identificar situações que acontecem no Brasil.

Com a chegada à casa dos pais e o consequente convívio com a família, o roteiro usa de Chris para guiar o espectador por acontecimentos assombrosos, explorando as inúmeras possibilidades do que pode estar por vir. O ritmo crescente e tenso da produção permite um jogo psicológico com espectador, que acaba sentindo na pela o desconforto e a desconfiança do protagonista.

A sensação de perigo e urgência não se exaure em momento algum, mantendo o espectador com uma sensação de tensão por toda a projeção. Se dos horrores que a trama apresenta na virada do segundo para o terceiro ato, e principalmente em seu desfecho, Peele discute o racismo ostensivo e claro, é na inocência de Rose que consegue abordar as atitudes mais sutis da sociedade, mas que são igualmente preconceituosas.

Se os sogros do protagonista funcionam como uma espécie de arquétipo dos liberais americanos preconceituosos que “votariam em Obama por uma terceira vez”, como o próprio filme coloca, a namorada do rapaz é uma representação de um “dedo na ferida da sociedade”, evidenciando atitudes muitas vezes normalizadas ou que são pouco problematizadas.

De todos os merecidos elogios, Corra! se destaca por, mesmo depois de sua revelação mais forte que resolve o quebra-cabeça construído na trama, conseguir manter o espectador preso à jornada de Chris, reservando um último momento tão angustiante e pungente quanto à problemática social trabalhada como subtexto.

Apesar de estes últimos três filmes não possuírem uma temática específica conjunta, todos trabalham discursos sociais relevantes e urgentes na sociedade contemporânea atual. Talvez seja difícil cravar o início de um novo ciclo, um que poderia ser sustentado por representações de minorias e de subversões do próprio gênero, mas é inegável que a última década tem sido um período repleto de excelentes filmes de horror, produzidos por realizadores conscientes das possibilidades discursivas e reflexivas de um dos gêneros mais importantes da sétima arte.


joão dicker

com 22 anos, é formado em Jornalismo pela PUC Minas e trabalha na A Dupla Informação, especializada em assessoria de imprensa e produção de conteúdo em Cultura, Arquitetura, Gastronomia, Design e Criatividade. é o Editor de Conteúdo da ZINT e escreve, majoritariamente, sobre Cinema (sua paixão ao lado de Futebol e Gastronomia).

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