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O tripudiar de um filme bêbado

[tempo de leitura: 2 minutos]

“Druk – Mais Uma Rodada” sofre com uma narrativa perdida entre o drama e o cômico presente na crise de meia-idade regada à álcool.


ÉÉ um tanto trágico que Druk – Mais Uma Rodada, filme de Thomas Vinterberg (um dos fundadores do movimento Dogma 95) indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2021, sofra de uma narrativa tão desinteressante.

A trama acompanha quatro amigos professores que passam pela crise da meia-idade. Insatisfeitos com a estagnação de suas vidas, eles propõem um experimento capaz de trazer algum sopro de inspiração para o marasmo de suas rotinas: doses homeopáticas de bebida alcóolica como combustível fomentador de um comportamento mais livre – uma ideia inspirada em uma tese de pesquisa real, criada pelo psicólogo norueguês Finn Skårderud.

Desta premissa, Vinterberg se junta a Tobias Lindholm para escrever um roteiro que se propõe a uma jornada um tanto quanto previsível e moralista que, na falta de uma encenação inspirada do diretor, acaba apenas ilustrado na tela. O resultado é uma narrativa relapsa, com flashes de bons momentos – especialmente por parte do quarteto de atores – que não dialogam em prol de um drama relevante.

Assim, Druk – Mais Uma Rodada recai nesta visão moral da rotina do vício e do perigo do álcool como algo silencioso e sorrateiro, mas sem conseguir levar esta relação para algo mais maduro. O que soa trágico para um filme que faz um retrato iluminado e saudoso da juventude, cujo personagens, ao final, se enfiam em um exercício de consumo alcóolico que se revela como uma tragédia infantil anunciada.

Este efeito acaba desarmando o filme de seu próprio interesse por um retrato que, em alguma esfera, seria reflexiva e o resultado acaba sendo uma narrativa que – trocadilhos a parte – caminha como um bêbado, tropeçando entre as idas e vindas do potencial cômico e do drama inalcançado.

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Imagem promocional de “Druk – Mais Uma Rodada”

Mesmo com as belas atuações de Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang e Lars Ranthe, responsáveis por dar química e fôlego a uma narrativa desgastante, as situações do enredo tem muita dificuldade em levar a trama para frente. Foco especial para tudo envolvendo as famílias daqueles homens, caindo no lugar esperado de um dos valores da vida que os próprios colocam em risco na medida em que dão continuidade ao experimento.

Ao final, Druk – Mais uma Rodada se apresenta mesmo como um filme que reflete a crise de seus protagonistas: todos mergulhados em suas contradições e sofrendo com as escolhas erradas que fazem ao longo do caminho.


<strong>Assista</strong>
Druk – Mais Uma Rodada está em cartaz nos cinemas e disponível para locação digital no NOW, na Apple TV, no Google Play e no YouTube Filmes.

joão dicker

com 24 anos, é formado em Jornalismo pela PUC Minas e trabalha com Assessoria de Imprensa e Mídias Sociais. é o Editor de Conteúdo da ZINT. Segue um estudo e exercício constante como Crítico de Cinema, mantendo sua paixão pela Sétima Arte.

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