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Afinal, Quem Atirou Primeiro?

Afinal, quem atirou primeiro?

As grandes franquias cinematográficas vêm encontrando na fórmula do universo compartilhado um jeito conveniente de estabelecer longas narrativas que sejam comercialmente satisfatórias à medida que fãs e público casual passem a se interessar pelas histórias, personagens, temas e situações propostos a cada novo capítulo. É assim que a Disney, em conjunto com a Lucasfilm, tem abordado a franquia concebida, há mais de 40 anos, por George Lucas. Mais além até, as histórias que se passam em uma galáxia muito, muito distante extrapolam as telonas e encontram caminhos em outras mídias, constituindo, assim, o novo cânone de Star Wars.

Quando conhecemos o personagem de Han Solo, em Star Wars: Uma Nova Esperança (1977) nos deparamos com um contrabandista mercenário, experiente e oportunista, mas que ao longo da história deixa seu coração se levar por novos princípios ao se afeiçoar por Luke, Leia e a causa da Aliança Rebelde. Em Han Solo: Uma História Star Wars a proposta é explorar as origens deste personagem por meio das aventuras que começaram a moldar sua personalidade. Em outras palavras, é aqui que descobrimos porque Han sempre foi o primeiro a atirar.

Aproximadamente dez anos após o fim da república, o Império Galáctico se estabelece gradualmente enquanto grande parte dos civis enfrentam um período sem lei. Nas ruas de Corellia, o jovem Han serve aos propósitos de uma organização criminosa, mas almeja se tornar um piloto livre. Este objetivo segue presente durante toda a narrativa e é a partir daí que embarcamos em suas primeiras aventuras.

Deixando de lado a polêmica saída dos diretores Phil Lord e Christopher Miller de lado, o produto final é dirigido pelo já consagrado Ron Howard (Uma Mente Brilhante e Apollo 13). Dono de uma proeminente carreira como ator durante sua juventude, Howard ficou conhecido na direção por sua habilidade em trabalhar bem com o elenco e se ater aos aspectos técnicos que caracterizam as grandes produções hollywoodianas.

Sua abordagem com o roteiro, uma colaboração entre pai e filho, de Lawrence Kasdan (Star Wars: O Despertar da Força) e Jon Kasdan (A Primeira Vez), apesar de pragmática, confere um espírito de diversão constante ao longa. Contudo, não há ousadia e poucos riscos são tomados, o que acaba resultando em uma história sem o peso dramático característico dos melhores episódios da saga.

Como em todo filme de origem, uma série de questionamentos sobre a lenda e a persona do protagonista e seu universo são explorados. No entanto, o roteiro propõe explorar, com certa parcimônia, os momentos chave deste personagem em detrimento de suas características mais tradicionais. Afinal, este ainda não é aquele personagem que Harrison Ford interpretou quando somos apresentados a ele na cantina de Mos Eisley. Excelente no papel do protagonista, Alden Ehrenreich interpreta um Han Solo juvenil e inocente, mas que já se mostrava prepotente e autoconfiante. Definitivamente uma grata surpresa.

Solo e Chewie rapidamente se tornam amigos e parceiros de trabalho, dando início à relação de anos já conhecida pelos fãs da franquia

Ainda em Corellian, Han decide se alistar no império como último recurso para deixar de vez o planeta. Três anos se passam e observamos o protagonista encontrar a oportunidade ideal para desertar ao se oferecer como piloto para um grupo de criminosos infiltrados como imperiais. Durante essa sequência, e em uma das cenas mais inspiradas do longa, Han conhece o Wookiee que viria a se tornar seu melhor e mais fiel amigo. Chewbacca (Joonas Suotamo), com muito mais tempo de tela que o normal, forma uma parceria quimicamente compatível e de eficiência instantânea.

Em busca de uma nave veloz, conhecemos Lando e sua cômica parceira L3-37 (Phoebe Waller-Bridge), androide de navegação que tem a própria agenda em prol do livre arbítrio dos robôs. Contemplado com boas atuações, podemos considerar como um dos principais destaques deste filme a fantástica interpretação de Donald Glover. Ele é responsável por reencarnar o charmoso trapaceiro Lando Calrissian em uma abordagem que faz toda justiça ao personagem sem parecer mera imitação de Billy Dee Williams.

Donald Glover se destaca ao dar vida ao jovem Lando Calrissian

Notavelmente mais colorido e lúdico que o habitual, o visual de Han Solo: Uma História Star Wars não chega a se descaracterizar dos padrões editoriais já conhecidos pelo público geral: muitos aliens, perseguições espaciais, confrontos inspirados em filmes de velho-oeste e a sensação de uma tecnologia avançada, porém precária e decadente. Elementos que definitivamente não poderiam ficar de fora.

Com apenas um tema composto pelo lendário John Williams, é John Powell quem assina, com muita personalidade, o restante da trilha sonora original. Sem muitos momentos dramáticos, a trilha vem para realçar bem o tom de aventura e nostalgia do longa, misturando novos e velhos temas com muita autenticidade. Arrisco dizer que toda a sequência do percurso de Kessel jamais funcionaria tão bem sem a excelente contribuição de Powell.

Não há discussão sobre o potencial narrativo do universo de Star Wars. Basta uma breve pesquisa na internet para encontrar longas e boas histórias sobre aquele tal personagem que aparece de relance em apenas um frame. Han Solo é um dos principais personagens deste universo e sua história envolve novas amizades, descobertas, uma trama de assalto e algumas reviravoltas desnecessárias. A origem do canalha mais querido da galáxia é um convite empolgado à diversão descompromissada e lúdica a bordo da Millennium Falcon.


rafael bonanno

com 25, é um Jornalista em formação, com o Cinema como grande paixão. seus interesses também se estendem por produção de conteúdo relevante, storytelling, experiências interativas, narrativas transmídia, Fotografia e produção audiovisual.

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