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“A Rede de Ódio” é a ficção mais próxima da realidade

[tempo de leitura: 4 minutos]

“A Rede de Ódio” propõe um paralelo preocupante sobre os efeitos das fake news no mundo real.


Nota da Colab: esse texto contém spoilers!

AA Rede do Ódio é um filme de drama polonês que chegou ao catálogo da Netflix no final de julho de 2020. Com direção de Jan Komasa e escrito por Mateusz Pacewicz, o longa é uma obra tão fictícia quanto real, que mostra como a criação de fake news pode disseminar um ódio tão grande que se materializa na perseguição e assassinato.

O longa é um spin-off do filme Suicide Room (2011), também dirigido por Komasa. O drama original possui como protagonista um garoto sensível e sozinho que vê seu mundo desabar ao ser zombado nas redes sociais. A história é similar com A Rede do Ódio, pois ambos retratam os efeitos negativos das mídias sociais, quando elas são usadas com o intuito de proliferar difamações e mentiras.

 

A Rede de Ódio

A trama de A Rede do Ódio é centrada nas ações de Tomasz Giemza (Maciej Musialowski), um jovem solitário que inicia sua degradação a partir do momento que é expulso da universidade de direito por ter cometido plágio. A faculdade é totalmente custeada por seus tios, Zofia (Danuta Stenka) e Robert Krasucki (Jacek Koman), que não possuem nenhum apreço emocional pelo jovem. Eles e a filha, Gabi (Vanessa Aleksander), tratam Tomasz com nada mais do que desdém.

O garoto é apaixonado por Gabi e muitas de suas ações são baseadas neste amor não correspondido. Com o objetivo de fazê-la se apaixonar por ele, Tomasz busca maneiras de se infiltrar na vida dela. Movido pelo ódio em não ser aceito pelos Krasucki e pelo amor que sente por Gabi, o protagonista usa da manipulação para criar sua própria solidão que é totalmente induzida pelo seus atos.

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A vida de Tomasz ganha um novo rumo quando ele é contratado para trabalhar numa agência de publicidade especializada em derrubar influenciadores digitais e políticos usando da criação, automatização e disseminação de fake news que são viralizadas rapidamente nas redes sociais. É neste lugar que Tomasz recebe a missão de destruir a campanha de Pawel Adamewicz (Maciej Stuhr), candidato a prefeito de Gdánsk.

Pawel está na lideranças das pesquisas de votos, é um político liberal e amigo dos Krasicki, o que serve de motivação para o protagonista buscar meios de destruir Adamewicz com o intuito de simultaneamente atacar os tios. O jovem explora seu jogo de manipulação para derrubar Pawel usando fake news, a crise dos imigrantes na Europa e montagens na internet para disseminar ódio, intolerância política e promover manifestações violentas contra a candidatura do político liberal.

No decorrer do filme, nos sentirmos inquietos com as ações de Tomasz que não tem limites. O poder que ele adquire com seu conhecimento sobre o mundo da internet o corrompe de uma forma que sua rede de ódio afeta não somente ele, mas todos ao seu redor. A frieza e ao mesmo tempo a serenidade do protagonista é angustiante, pois ele nunca admite a culpa, se beneficiando dela e se esquivando de qualquer responsabilidade pela tristeza que trouxe a todos na trama de A Rede do Ódio.

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A internet torna-se a casa de Tomasz e, a partir dela, ele consegue articular suas motivações para que se materializam na sua vida, mostrando como a falta de limites na Internet pode gerar consequências irreparáveis no mundo real.

 

E QUANDO A FICÇÃO VIRA REALIDADE?

Por coincidência trágica com a realidade, após três semanas do término das filmagens de A Rede do Ódio, Pawel Adamewicz, prefeito de Gdánsk, foi assassinado durante um evento de caridade. No Brasil, por exemplo, é notório uma crescente onda de ataques aos profissionais da imprensa que são motivados por informações falsas de que a imprensa é partidária.

Aqui, como o protagonista é o vilão da história, é natural esperarmos algum tipo de redenção ou descoberta pelos seus crimes, mas nada disso acontece no final do filme. Tomasz consegue atingir seus objetivos, além de ganhar a admiração dos Krasicki e o amor de Gabi, enquanto carrega a culpa do assassinato de diversas pessoas que nunca tiveram conexões com sua vida pessoal, mas de alguma forma ficaram no seu caminho de vingança.

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Sobretudo, A Rede de Ódio nos faz refletir o quão próximo pode estar da vida real, questionando nosso comportamento nas mídias sociais e as proporções gigantescas que uma mentira pode reproduzir, além de evidenciar como as fake news pode criar uma rede de ódio sem controle. Uma verdade tão latente quanto necessária de ser dita.

Vitoria Cristine

vitoria cristine

tem 20 anos e cursa Jornalismo na Unesp de Bauru (SP). é canceriana, amante da sétima arte, adora séries clichês e ama o modo como a comunicação proporciona a diversidade cultural e o enriquecimento de sua escrita.

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