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A Guerra Por Um Olhar Intimista

A guerra por um olhar intimista

As guerras históricas são temas extremamente recorrentes no cinema hollywoodiano. Confrontos como a Segunda Guerra Mundial, Guerra do Vietnã e a Guerra Fria ja foram exploradas como contextualização histórica para diversas tramas dos mais variados gêneros. Recentemente, pode-se dizer que existe uma produção marcada por características “pos-11 de setembro” no cinema norte americano, trabalhando conflitos armados e geopolíticos embasados pela missão de combate ao terrorismo adotado pelos Estados Unidos, após o atentado.

Filmes como Guerra ao Terror (2008) e Sniper Americano (2014) escolheram retratar A Guerra do Iraque por meio de representações grandiosas recheadas de explosões, computação gráfica e sequencias de combate militar épicas, além dos subtextos que, juízos de valor a parte, são carregados de nacionalismos e patriotismos. Na contra mão, Na Mira do Atirador (2017), filme dirigido por Doug Liman (Identidade Bourne; No Limite do Amanhã) e produzido pela Amazon, retrata o conflito geopolítico por uma ótica intimista e ambígua.

Situado em 2007, já no final da Guerra do Iraque, acompanhamos dois soldados americanos – vividos por Aaron Taylor-Johnson e John Cena – investigando um aparente massacre de funcionários na construção de um oleoduto do meio do deserto iraquiano. Em poucos minutos, os combatentes americanos se vêem encurralados por um misterioso e preciso sniper inimigo disposto a aumentar seu número de mortos. A única proteção existente é um muro prestes a desmoronar, que inclusive dá nome ao título original do longa (The Wall).

A premissa simples do roteiro de Dwain Worrell até pondera questões interessantes sobre o conflito contextual da obra, mas o faz de forma rasa. Existem algumas ponderações sutis como a presença dos soldados no Iraque mesmo com o fim da guerra declarado; no diálogo em que o antagonista questiona o protagonista quanto o objetivo dos EUA em atuar no país árabe; o fato de o sniper ter sido treinado pelo exercito americano ou nas características visíveis que o personagem principal apresenta (variando entre o caipira americano e o militar patriotista). Contudo, nenhuma delas são demasiadamente problematizadas, funcionando apenas como linhas de diálogo para interação e melhoria do drama apresentado.

A superficialidade temática não atrapalha a narrativa, que é muito bem trabalhada e compassada nas mãos de Liman. O diretor se esmera na construção de suspense e ritmo, ditando um jogo psicológico interessante e instigante entre o soldado de Taylor-Johnson e o sniper inimigo. Com jogos de câmera pouco convencionais para o gênero e trabalhando com planos mais longos, o diretor transforma a jornada dos soldados em uma história de sobrevivência, conseguindo estabelecer a presença do antagonista quase como sobrenatural, em uma onipresença perigosa. Ainda, Liman demonstra um controle do espaço muito apurado, utilizando do cenário árido e de suas características naturais para agregar à tensão narrativa, ao mesmo tempo que trabalha bem a trilha sonora, ou a falta dela, na construção de suspense.

Taylor-Johnson tem um papel fundamental para a eficiência do longa, garantindo veracidade e emoção a seu personagem. O ator transita bem entre a dor física dos ferimentos e o cansaço psicológico, a entrega emocional e angústia pela sobrevivência, além das marcas do passado que passam a vir a tona com o desenvolvimento do enredo. John Cena surpreende vivendo um soldado carismático e envolvente, em um papel muito mais contido e sério do que nos outros projetos que participou, garantindo presença de tela em pouco tempo de projeção.

Com um desfecho interessante, Na Mira do Atirador se garante como um bom filme de guerra, que apesar de não aprofundar as temáticas que se propõem a apontar, é sustentado por atuações precisas de seu enxuto elenco e por um trabalho de direção extremamente competente de seu diretor.


joão dicker

com 22 anos, é formado em Jornalismo pela PUC Minas e trabalha na A Dupla Informação, especializada em assessoria de imprensa e produção de conteúdo em Cultura, Arquitetura, Gastronomia, Design e Criatividade. é o Editor de Conteúdo da ZINT e escreve, majoritariamente, sobre Cinema (sua paixão ao lado de Futebol e Gastronomia).

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