50 anos da revolução científico-cinematográfica

50 Anos Da Revolução Científico-cinematográfica
[tempo de leitura: 3 minutos]

Cena escura e som obscuro. Assim começa um dos grandes clássicos do cinema, 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), que neste ano completa 50 anos desde sua primeira exibição ao público, nos cinemas, em 1968. O filme de Stanley Kubrick (1928-1999) revolucionou o cinema ao explorar técnicas, cenários, recursos, temas pouco trabalhados anteriormente, além de trazer ao homem uma nova perspectiva sobre si próprio.

O longa, com roteiro assinado pelo próprio cineasta em parceria com o grande escritor do gênero sci-fi, Arthur C. Clarke (1917-2008), traça a trajetória do homem, desde os primórdios quando ainda eram primatas e lutavam por sobrevivência, até o alcance do espaço e do ‘‘infinito’’ que determina o ambiente espacial, passando ainda por uma viagem a estação espacial na órbita da Terra e uma chamada Missão Júpiter para investigar o monolito, uma desconhecida estrutura do espaço. Dessa forma, são apresentadas as vivências dos astronautas a bordo da nave Discovery, acompanhados da supermáquina HAL 9000, um computador que desafia os feitos práticos ao apresentar o que parecem ser emoções e habilidades humanas.

A produção é até hoje lembrada pela qualidade dos efeitos especiais e figurinos e cenários bem feitos, apoiados no experimental e no conhecimento, para trazer a tela, um espetáculo do passado e do futuro que desafia a humanidade a realmente abrir os olhos, para a ciência, para a tecnologia e, principalmente, para a vida. Além disso, o visual e a interpretação trouxeram ao longa a admiração do público e da crítica, que em um primeiro momento acharam-no cansativo e até mesmo sem imaginação para as telas de cinema.

Porém, muitos ainda hoje se perguntam: ‘‘Do que trata ‘2001’, afinal?’’. Talvez seja este o grande feito de Kubrick ao apostar em uma produção inovadora, ainda mais para a época, que permanece atual. Temas como tecnologia, inteligência artificial, evolução humana e vida extraterrestre são lançados aos olhos do espectador, apoiados em uma base científica apurada e até então, distante da humanidade, pelo menos no cinema. Na época, o mesmo homem que ainda não conhecia a Lua, podia alcançar o espaço por meio da visão de Stanley Kubrick, um visionário que proporcionou a chegada ao satélite no cinema antes mesmo do real. ‘2001’ se consolidou como uma narrativa a frente do seu tempo, ultrapassando os modelos e o mercado, ao apresentar um ritmo filosófico e desafiador que percorre a viagem do homem ao longo do tempo e do espaço e suas evoluções.

À medida que nos aventuramos nos detalhes ousados do filme e do diretor, que passaram de pioneiros a referências no campo das ficções científicas, percebemos como toda a trajetória da humanidade é caracterizada por conhecimento, ferramentas, tentativas e atitudes marcantes de cada período. Nesse contexto, percorremos uma viagem pelo tempo que nos revela o passado e muito do futuro que ainda não conhecemos, inclusive nós mesmos e nossas capacidades de interferir no meio onde vivemos e no nosso destino. Além disso, a relação humana com técnicas elaboradas da ciência e a tecnologia que determinam nossa forma de ver o mundo, conhecer, comunicar e, enfim, viver.

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Certamente, Kubrick alcançou a ficção científica em sua essência e produziu a obra-prima do gênero. Segundo o próprio diretor, o filme cumpre seu objetivo ao penetrar no homem uma experiência emocional e filosófica capaz de tirar da zona de conforto e trazer certa consciência que ultrapassa o discurso verbal e explicações meramente humanas, afinal, o sujeito tem que admitir que não é mais o centro do universo.

Em virtude disso, seja no cinema, no espaço, no passado ou no futuro, a narrativa visual de 2001: Uma Odisseia no Espaço evidencia as relações subjetivas e demarca o caminho da humanidade em meio a ficção científica. Na última parte do filme ascende um novo ser, como se o destino da evolução fosse transcender a si própria. Surge aí um novo olhar para o futuro. Agora cabe a nós, enquanto sociedade, dar continuidade a essa direção, seja para contestar a ciência e a tecnologia, ou usá-las ao nosso favor. Desafio lançado.


Mike Faria

mike faria

aspirante a Jornalista, apaixonado pela liberdade da escrita e poder da leitura. praticante de natação nas horas vagas, encontrou na Cultura o melhor lugar para se expressar.

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