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Pesadelo na Rua Z / “O Iluminado” (1980)

[tempo de leitura: 3 minutos]

Você teria coragem de trabalhar durante o inverno como zelador de um hotel bem isolado, de difícil acesso e sem mais ninguém estando lá, além da sua família? Bem, tem doido para tudo nesse mundo. Jack Torrence (Jack Nicholson), aceita a proposta pois vê como uma oportunidade de escrever seu livro. Ele leva sua esposa Wendy (Shelley Duvall) e o filho Danny (Danny Lloyd), até o Hotel Overlook, com a promessa de um ótimo momento para a família. E assim, temos uma obra prima do horror: O Iluminado, de Stanley Kubrick que adapta um livro de Stephen King.

Não demora muito para que Jack passe a notar que, talvez, não estejam sozinhos no majestoso hotel. Contudo, ao contrário do que se possa imaginar, ele começa a interagir com os possíveis fantasmas, como se fosse a coisa mais normal do mundo. O pequeno Danny também é atingido pelas presenças do local mas, antes de se mudaram oficialmente, já sabíamos que ele tinha certo contato com o mundo sobrenatural. Muitas crianças têm amigos imaginários, ao passo que Danny vai um pouco além disso: ele tem um garotinho chamado Tommy que mora dentro de sua boca, lhe diz para fazer coisas e ainda mostra cenas bizarras. Bem tranquilo para uma criança.

O isolamento, que a princípio parecia ser uma boa ideia, afeta fortemente a saúde mental de Jack (com a pandemia, sabemos muito bem como é isso). Ele já era uma pessoa agressiva e com temperamento forte, e essas características foram acentuadas no tempo de reclusão. Enquanto isso, Wendy está apavorada e Danny apresenta uma mistura de, ao mesmo tempo tem mais conhecimento do que os pais a respeito do mundo sobrenatural e também não fazer ideia do que está acontecendo.

Dirigido por Stanley Kubrick, O Iluminado é um filme que sai do óbvio. Sem grandes e marcantes sustos, a história vai construindo o terror bem aos poucos e aumentando a curiosidade do espectador para saber como tudo vai acontecer. Logo no início, já sabemos que, antes da contratação de Jack, um outro zelador teve o mesmo cargo e matou sua família. A entrega desse fato dá a certeza que algo ruim vai acontecer, mas você precisa assistir para entender como e de forma tudo vai desenrolar.

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O longa tem alguns pontos bem agonizantes, que incrementam ainda a história. A trilha sonora, composta por Wendy Carlos e Rachel Elkind-Tourre, é muito intensa e quase claustrofóbica. As músicas são aquelas que já fazem você tremer mesmo antes de ver o que vai acontecer. Outro ponto, é o cenário. Apesar do inverno congelante e um hotel vazio, a atmosfera não apresenta explicitamente que algo ruim vai acontecer. O processo do terror acontece de forma bem sugestiva, com rápidas cenas mais brutais. Bem terror psicológico mesmo, pois você já sabe que vai rolar uma tragédia, mas não consegue dizer qual e como.

CURIOSIDADE
Danny Lloyd, que interpreta Danny, tinha apenas seis anos na época do filme e não sabia que se tratava de um terror, pois lhe disseram que seria um drama. Ele só foi assistir a versão sem cortes aos 17 anos. Quando foi feita a seleção de atores, queriam inicialmente que a criança fosse interpretada por Cary Guffey, que atuou em Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977). Contudo, os pais da criança acharam que a história era muito pesada para ele. No final das contas, Danny fez uma ótima atuação, mas nunca mais participou de nenhum outro filme do gênero.

O terceiro ponto é que nada acontece por causa de um demônio ou atividade sobrenatural. Ainda que os fantasmas façam breves sugestões para Jack agir de maneira mais agressiva, tudo acontece por responsabilidade do personagem, dando aquela sensação que o ser humano é capaz de qualquer coisa.

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O Iluminado é uma grande referência de terror psicológico, sendo, por muitos, a obra-prima de Kubrick. O filme prende desde o início pelas características dos personagens e a atmosfera sugestiva do hotel, e consegue segurar o suspense até o final. Além de toda a trama bem elaborada, o longa acerta muito em não dar todas as respostas ao espectador e deixar algumas pontas propositalmente soltas ao longo da história. Dessa forma, fica a cargo da sua interpretação e imaginação para compreender exatamente o que aconteceu.

Deborah Almeida

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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