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Pesadelo na Rua Z / “Hereditário” (2018)

[tempo de leitura: 2 minutos]

Enquanto alguns filmes de terror apostam em deixar claro que há algum inimigo maligno perturbando a ordem dos personagens principais, outros apostam em aterrorizar o espectador deixando-o relativamente no escuro, sem saber o que exatamente está acontecendo na obra. O segundo estilo é marcante na trama de Hereditário, dirigido por Ari Aster, que trás uma atmosfera tensa desde o seu início, mas sem explicar ou mostrar para qual caminho a história irá seguir.

Após a morte de sua mãe, Annie (Toni Collette) precisa lidar com um luto angustiante, fruto do relacionamento ruim que teve com a genitora em toda a sua vida. A conturbada relação com sua mãe afetou diretamente sua relação com os próprios filhos, Peter (Alex Wolff) e Charlie (Milly Shapiro), de modo que não consegue se comunicar bem com eles.

O falecimento da matriarca começa a desencadear uma série de tragédias para a família, que afetam Annie com muita força e a fazem questionar seu passado. Com a vida virada de cabeça para baixo, a protagonista entra num estado mental que beira à loucura e tenta levar o filho para o mesmo caminho. Enquanto isso, seu marido Steve (Gabriel Byrne), o mais “pé no chão” do elenco, tenta ver tudo de maneira mais racional, criando um grande conflito de interesses dentro da casa. Dessa forma, além de manter o terror pela angústia do imprevisível, Hereditário também conta com muito drama familiar, responsável por alimentar a tensão e fazer com que o clima não seja quebrado em nenhum segundo da película.

O ritmo do filme segue em uma grande quantidade de situações imprevisíveis em sequência. Fugindo muito dos clichês do gênero, com demônios surgindo ou portas batendo, as cenas assustadoras de Hereditário não são convencionais e têm pouca carga de violência. O grande terror fica a cargo dos sons e reações dos personagens, juntamente com a imaginação do espectador para conseguir desenhar mentalmente o que aconteceu.

Até os últimos 15 minutos, o longa mantém uma tensão relativamente estável, com alguns poucos momentos de pico. Contudo, o essas últimas cenas chegam com a adrenalina no topo, sem um momento para respirar e trazendo uma situação bizarra e inexplicável atrás da outra. Quando termina, resta o espectador parar por longos minutos para analisar o que realmente aconteceu.

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Sem trazer todas as respostas, é preciso fazer interpretações ou suposições sobre o final e a relação de diversos fatos expostos. Com uma trama extremamente inteligente e intrigante, Hereditário conseguiu inovar e mostrar como o medo pode estar bem mais presente na mente das pessoas do que nas telas.

Deborah Almeida

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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